Minhocas vão "tratar" resíduos orgânicos em Beja

Ambiente: Minhocas vão "tratar" resíduos orgânicos em Beja

A primeira unidade de vermicompostagem em Portugal vai ser instalada perto de Beja e deverá começar a funcionar no início do Outono para produzir bionutriente a partir do tratamento de resíduos orgânicos através de minhocas.

Promovido pela Associação de Municípios Alentejanos para a Gestão do Ambiente (AMALGA) e da empresa portuguesa de vermicompostagem Lavoisier, o projecto vai ser apresentado hoje, às 10:30, no Parque Ambiental da associação, situado a 11 quilómetros de Beja e onde vai "nascer" a unidade.

O presidente da AMALGA, Manuel Camacho, explicou à agência Lusa que a Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos por Vermicompostagem de Beja, com uma capacidade intermédia, vai ser a primeira infra-estrutura do género em Portugal, onde existe apenas uma unidade-piloto, propriedade da Lavoisier, situada em Palmela (Setúbal).

De acordo com o responsável, após a assinatura, quinta-feira, do protocolo de colaboração entre a AMALGA e a Lavoisier, segue-se o processo de licenciamento e a elaboração dos projectos técnicos para a construção da unidade, orçada em 200 mil euros e que "deverá arrancar em Junho".

A unidade, que deverá começar a funcionar em "Setembro ou Outubro", acrescentou Manuel Camacho, "irá permitir dar um destino útil aos resíduos sólidos urbanos (RSU) biodegradáveis, reduzindo ao máximo a sua deposição em aterro".

A vermicompostagem, também conhecida como "minhocultura", é um processo biológico que, através da acção de microrganismos específicos, como é o caso das minhocas, transforma a matéria orgânica dos RSU em adubo orgânico, conhecido como composto ou bionutriente.

Desta forma, assegurou Manuel Camacho, a unidade vai permitir reduzir "significativamente" a deposição em aterro dos RSU produzidos na zona de influência da AMALGA (nove concelhos do Baixo Alentejo) e produzir, inicialmente, uma média diária de 1.500 toneladas de bionutriente.

Este produto alcançado a partir da acção das minhocas, explicou Manuel Camacho, é "cem por cento natural" e tem "excelentes propriedades, capazes de fertilizar e revitalizar terras pouco férteis e carentes de matéria orgânica".

"Ao contrário dos adubos químicos, o bionutriente é logo aceite pela terra, não a agredindo, e não necessita de tanta água para ser diluído", frisou.

Enquanto escavam galerias na terra, as minhocas devoram grandes quantidades de matéria decomposta e resíduos orgânicos que, depois de transformados nos seus intestinos, são expelidos sob a forma de húmus (substância resultante da decomposição de matéria orgânica).

"Elas absorvem o alimento pelos poros e expelem um produto sem cheiro e com 21 componentes, todos naturais", precisou Manuel Camacho, acrescentando que o húmus, depois de seco e crivado numa máquina, para o separar das partículas inúteis, é depois comercializado como bionutriente.

Vendido sob a forma compacta ou líquida, em garrafas de soro, o bionutriente pode ser utilizado em campos agrícolas ou para adubar outros terrenos, como relvados, jardins ou mesmo vasos de flores.

Fonte: Agronoticias em http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2007/05/10b.htm em 10-05-2007


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