Líderes de assentamentos vão aprender a conservar sementes tradicionais

 

 

Brasília - O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai capacitar técnicos e lideranças de assentamentos da reforma agrária para o resgate e conservação de sementes crioulas de milho, feijão e mandioca, uma reivindicação de comunidades de assentados. Para isso, serão criados centros irradiadores de Manejo da Agrobiodiversidade (Cima). Paralelamente ao projeto, o ministério traça metas para proteção conjunta das plantas medicinais brasileiras por meio da transmissão do conhecimento dos agricultores às novas gerações.

Ainda neste ano, estão sendo alocados R$ 2,5 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente e mais R$ 400 mil da Secretaria de Biodiversidade e Floresta, por meio da Diretoria de Conservação da Biodiversidade. As discussões com o Ministério do Desenvolvimento Agrário estão avançadas. Deverá ser firmada parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Agricultura Familiar para que sejam disponibilizados cerca de R$ 2,5 milhões.

Na primeira etapa, vão ser capacitados 350 técnicos e lideranças, beneficiando diretamente 5,5 mil famílias nos assentamentos. Outras 35 mil famílias de assentamentos vizinhos também serão atendidas. Os assentamentos escolhidos para sediar os Cima devem estar situados em área central de um conjunto de comunidades e terem algum tipo de experiência na área ambiental.

De acordo com Luiz Carlos Balcewicz, gerente de Projetos da Secretaria de Biodiversidade e Floresta, do Ministério do Meio Ambiente, a criação dos Cima permitirá a capacitação de técnicos e lideranças de assentamentos de reforma agrária que funcionarão como multiplicadores, compartilhando as técnicas com integrantes da c0omunidade e de outros assentamentos.

“O Ministério do Meio Ambiente também pretende resgatar e conservar todo esse conhecimento que envolve as plantas medicinais e produtos fitoterápicos que, historicamente, vem sendo utilizado nas comunidades”, disse Balcewicz. Segundo ele, outras questões envolvem a adequação dos sistemas agroflorestais à sua comunidade e ao bioma, como o manejo agroextrativista sustentável e a produção animal alternativa, envolvendo raças crioulas e espécies silvestres.

As variedades crioulas são espécies cultivadas por comunidades tradicionais, como povos indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Essas variedades têm grande variabilidade genética e são melhoradas pelas comunidades e adaptadas às suas condições socioculturais e ambientais. A adaptação das sementes ao clima local garante maior produtividade. Os primeiros nove centros serão implantados em São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, Paraná, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão. Outro Cima vai atender Goiás e o Distrito Federal.

fonte: Agência Brasil em 06/10/2004 por Benedito Mendonça


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