Agricultura orgânica no estado ainda enfrenta desafios


Até mesmo o estado de Mato Grosso, um dos maiores produtores de soja e algodão do país, com altos investimentos na monocultura para a exportação, está abrindo mais espaço para a agricultura sustentável e orgânica. Mas ainda existem desafios. No Brasil a produção de alimentos orgânicos tem registrado crescimento médio de 50% ao ano, de acordo com os dados do Instituto Biodinâmico (IBD). Estima-se que no ano passado cerca de 300 mil agricultores orgânicos produziram perto de 300 mil toneladas de alimentos, livres de agrotóxicos, movimentando US$ 200 milhões.

"A agroecologia está começando a crescer". Está tendo uma boa produção e interesse pelos consumidores. Estamos estimulando os pequenos agricultores a produzirem organicamente e mudar o modelo convencional de plantio", afirma o coordenador da Fase, Vicente Puhl. Contudo, o coordenador diz que ainda existem muitos desafios a vencer. Mais informação, investimentos em pesquisas e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável no estado. "Mesmo que a agricultura sustentável não requer muito capital, pois utilizamos compostos naturais produzidos pelos próprios agricultores, ainda faltam investimentos do governo".


Mercado de orgânicos ainda é pequeno em Mato Grosso


Mesmo que o estado já esteja produzindo orgânicos, a procura ainda é pequena. Falta mais divulgação dos produtos, esclarecimentos do que são orgânicos e principalmente espaços (feiras, supermercados, lojas) que comercializem estes produtos.

O que se tem em Cuiabá além da feira de roças e quintais que acontece uma vez ao ano, promovida pelo Gias, é uma rede de supermercados, Big Lar, que vende alimentos orgânicos, licenciados pelo Greenpeace e pelo Instituto Biodinâmico (IBD), produzidos fora do estado. Café, açúcar, arroz, geléias e bala de banana vêm todos de fora. O gerente do supermercado Big Lar do Shopping três Américas, Roberto Correia Lima, afirma que a procura ainda é pequena, porque ainda não se conseguiu perpetuar as marcas fortes.

Mesmo que este supermercado esteja oferecendo estes produtos a população ainda não está bem informada da sua chegada. O advogado Wilson Buso diz ser novidade a oferta dos produtos no mercado. "Não há nenhuma advertência, é difícil de localiza-los nas prateleiras". A funcionária pública Maria Paulina também diz não saber da existência dos produtos no mercado. "Em São Paulo tem feiras de orgânicos, mas aqui a gente sabe que tudo é cheio de agrotóxicos", relata a funcionária.

Frutas e verduras ainda não estão disponíveis no supermercado. O gerente desconhece que o estado esteja produzindo, fala que acha que existe alguma coisa em Chapada dos Guimarães. Ele diz que teria que vir mesmo de São Paulo. "Dois dias de viagem de São Paulo a Cuiabá é muito tempo. Por serem muito perecíveis, elas chegariam aqui com aspecto muito ruim, não teria como comercializa-las", argumenta o gerente.

Outros grandes mercados de Cuiabá ainda não optaram em oferecer os produtos orgânicos. "Não há procura. Para vender os produtos orgânicos a loja tem que ser diferenciada, com um nível mais elevado", justifica o gerente do Comper Beira Rio (uma rede de supermercados da capital), João Roberto. De acordo com o gerente, o supermercado não oferece esse tipo de produtos porque atende a população de baixa renda.


Poucos esclarecimentos


A procura pelos Orgânicos no estado não é maior porque as pessoas ainda não estão esclarecidas sobre o que são produtos orgânicos e quais são os seus benefícios para a saúde humana e para a natureza. De acordo com o terapeuta e especialista em alimentação natural, Afonso Vaz de Campos, as pessoas têm que aprender a escolher produtos mais puros. "Alimentos sem conservantes, químicas, faz com que os órgãos internos, aparelho digestivo e a mente funcionem melhor. Há mais equilíbrio na saúde e evita transtornos mais tarde".

Para o especialista as pessoas têm que se despertar e procurar estes produtos. Não só para a saúde pessoal, mas coletiva. "Tem que correr atrás mesmo, não está ainda muito disponível, mas aqui tem mercado para ser desenvolvido". Quem quiser se alimentar com os produtos livres de agrotóxicos ou tem que ir para os grandes centros como São Paulo e Sul ou fazer contato com os projetos dos pequenos agricultores dos municípios do interior. Em Pontes e Lacerda (cerca de 300 km da capital) tem uma feira permanente de orgânicos, na Serra de São Vicente na Escola Agrícola tem uma produção orgânica e em Cuiabá no Centro de Permacultura do ICV, localizado no Jardim Vitória, as pessoas que participam do Projeto Quintais Produtivos vão passar a oferecer seus produtos.


fonte: Rede Vida Terça-feira, 23 de julho de 2002


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Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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