Produção de alimentos orgânicos cresce em GO

 

O cultivo dos orgânicos ainda é incipiente em Goiás, mas o setor caminha para ampliar a oferta dos produtos sem a contaminação por agrotóxicos. Hoje, pelo menos 20 produtores estão filiados à ADAP - Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica -, que lida principalmente com hortaliças. Segundo a entidade, o cultivo dos orgânicos no Estado emprega atualmente uma área superior a 50 hectares.

A produção está concentrada nos municípios de Brazabrantes, Bela Vista, Petrolina e Rio Verde, com o plantio de alface, cenoura, beterraba e tomate. Há também pequenas áreas plantadas com milho e soja orgânicos. "O maior problema que enfrentamos é com

a certificação dos nossos produtos, que precisam ter o selo de qualidade", explica Adib Francisco Pereira, conselheiro técnico da ADAO.

Adib ressalta que os produtores são visitados por técnicos do IBD - Instituto Biodinâmico -, um organismo internacional que regulamenta a atividade em todo o mundo, para checar se as condições de plantio estão conforme as regras adotadas internacionalmente para a produção de orgânicos. Atualmente a associação utiliza selo provisório, até que saia a certificação do IBD.

Um projeto contendo as propostas de trabalho da ADAO (criada em 1999) foi remetido à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mas o conselheiro técnico da associação diz que existe uma tendência de a entidade desenvolver uma linha de atuação própria, sem vínculo com o governo. A ADAO informa que propôs à Prefeitura de Goiânia a transformação do mercado do antigo Bairro Popular, na Rua 74, em centro de comercialização permamente de produtos orgânicos.

Enquanto a proposta não sai do papel, os filiados à entidade vendem cestas de alimentos orgânicos às terças-feiras, na 9ª Avenida, Vila Nova, na sede da Associação dos Docentes da UFG, a partir das 18 horas. No local, o interessado em adquirir os produtos sem agrotóxico paga 80 reais por mês e tem direito a quatro cestas - uma por semana - contendo de 8 a 13 itens.

"A longo prazo, o custo desses alimentos pode ser considerado bem mais barato que os convencionais, cultivados da forma tradicional, porque há o benefício ambiental e para a saúde", ressalta Adib Francisco. "Há todo um processo demorado para recuperar a fertilidade da terra e multiplicar os microorganismos extintos com uso prolongado de inseticidas. As pessoas começam a entender isso e já aderem aos orgânicos. Mas toda mudança de hábito demanda tempo", frisa.

"Em Porto Alegre, onde a tradição do cultivo dos orgânicos é mais antiga, já há mais de 4 mil produtores certificados que atuam em 42 feiras especializadas nesse tipo de alimento na cidade", assinala.

Adib Francisco finaliza ressaltando que o aumento na oferta de produtos orgânicos no mercado vai facilitar uma dimuição dos preços e, consequentemente, maior procura por parte dos consumidores. (fonte: Gov. do Est. de Goiás - 25/03/2002)

 


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