Alternativas no controlo de pragas no amendoal biológico

O amendoal tem recuperado a atenção de todos, sendo uma cultura em expansão em Portugal, com toda a razão de o ser. Internacionalmente, a Califórnia tem sido líder na produção de amêndoas. Do lado do consumo, nos últimos quinze anos a China tem ganho uma enorme importância, com direito a notícias no New York Times acerca da subida dos preços mundiais da amêndoa, empurrados ainda pela seca na Califórnia, por notícias de falta de polinizadores nos pomares americanos e práticas de limitação da quantidade oferecida pelos produtores.

Apesar de o comportamento quase ganancioso dos produtores norte-americanos ter levado a que os preços demasiado altos provocassem um decréscimo da procura desde o início de 2015, com a consequente descida dos preços, o investimento nesta cultura continua oportuno e em expansão no nosso país.

A implantação de novos pomares no nosso país oferece a oportunidade de o fazer de forma diferente. Numa realidade mundial onde o aumento do consumo de amêndoas surge associado ao seu valor como alimento saudável, parte da dieta mediterrânea, o controlo de pragas e doenças em produção integrada são opções cada vez mais interessantes. Fomos então em busca de alternativas no controlo de uma das mais importantes pragas: a monasteira.

O hemíptero Monasteira unicostata é considerado a principal praga da amendoeira em Trás-os-Montes e é em todo o Mediterrâneo uma das principais pragas. Ao alimentar-se das folhas, leva à sua queda, com consequente redução da produção por redução da capacidade fotossintética da planta. A luta química com organofosforados e piretróides tem sido eficaz, no entanto, em modo de produção biológico o controlo desta praga apenas com base nos seus inimigos não é satisfatório.

Espanha é o segundo maior produtor mundial de amêndoas, tendo já uma área considerável em modo biológico. Daí que tenha sido em Espanha que se realizaram ensaios de eficácia de dois compostos alternativos: o caulino, em forma de filme de partículas, que cria uma barreira física que protege a planta dos predadores; e uma combinação de sais de potássio de ácidos gordos com óleo essencial de tomilho, ambos com acção insecticida.

Em ensaios laboratoriais observou-se que o caulino reduzia a oviposição e a alimentação de ninfas e adultos, ao passo que que os óleos tinham capacidade de causar 95% de mortalidade de ninfas. Estes resultados sugerem uma possibilidade de complementar um tratamento preventivo com caulino com um tratamento após infestação com os óleos, o que levou a mais testes em campo.

Os ensaios de campo foram realizados em dois anos consecutivos, 2009 e 2010 e verificou-se uma eficácia do caulino na redução da infestação para metade e um terço no segundo ano, com duas aplicações. Verificou-se que este composto foi também eficaz no controlo de outras pragas. Já a combinação de óleos insecticidas foi apenas eficaz no controlo da monasteira. Estes resultados levaram os investigadores a concluir que com um maior número de aplicações de caulino, ainda a definir, será possível chegar a um bom controlo desta praga. Ao mesmo tempo, nas condições testadas, não se verificou o mesmo potencial de controlo da combinação com óleo essencial de tomilho.

Fonte:Affluenza Agri em 17-01-2017


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