Agroecologia: a ciência emergente da Amazônia

A utilização racional dos recursos naturais, a diminuição do uso de agrotóxicos, a eliminação de práticas agrícolas danosas ao solo e às águas, eliminando as queimadas, reduzindo o desmatamento e recuperando as áreas degradadas, são princípios que norteiam a agroecologia, um novo conceito de se fazer agricultura no Brasil. Na Amazônia, esse novo modo de olhar o desenvolvimento agropecuário ganha força e tem como apoio maior o Marco Referencial em Agroecologia da Embrapa publicado em 2006, que sinaliza para um movimento de renovação da Empresa, necessário para o alinhamento de sua missão às expectativas da sociedade, mobilizada em torno da importância da produção agrícola familiar.

Entre os estilos de agricultura destacam-se: a Agricultura Orgânica, os Sistemas Agroflorestais, a Agricultura Biológica, a Agricultura Biodinâmica e a Permacultura.

Neste sentido, não só no Amazonas, mas em toda a Amazônia existem diversas experiências de agricultura sustentável, com destaque para os sistemas diversificados de produção, como os sistemas agroflorestais ancorados pela diversidade de espécies, que proporcionam estabilidade e o bom desempenho dos processos ecológicos. Estes sistemas, quando planejados com objetivo de geração de renda dos produtores, são bastante eficientes e produtivos. Sendo assim, os sistemas agroflorestais são experiências locais que podem validar os princípios, e enriquecer a própria concepção teórica de Agroecologia.

Além disso, as populações tradicionais da Amazônia, desenvolveram conhecimentos no que se refere aos diferentes tipos de uso da terra, como o agroextrativismo e o processo de domesticação das plantas cultivadas; a exemplo do cupuaçuzeiro, uma espécie nativa, domesticada basicamente nas condições dos pomares caseiros (quintais), do guaraná, domesticado no ambiente dos roçados, isto, sem falar da grande variedade e tipos mandioca selecionada pelas populações tradicionais e sistematizada pela pesquisa cientifica. Todo esse saber desenvolvido por essa população é de grande valia na construção do conhecimento agroecológico.

Não obstante a tudo isso, todas as unidades da Embrapa na Amazônia, a partir do inicio da década de noventa, quando foram transformadas em Centro de Pesquisa Agroflorestal, iniciaram pesquisas com ênfase em estilos de agricultura sustentável. Os resultados destas pesquisas, positivos e negativos, certamente servirão para ajudar na construção dessa nova base epistemológica e metodológica em agroecologia.

No Amazonas, tanto a Embrapa, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e outros órgãos oficiais e não oficiais desenvolveram experiências na concepção agroecológica. Tais como: sistemas de produção (tipo sistemas agroflorestais, agricultura orgânica e permacultura); desenvolvimento de inseticidas naturais (como o uso da manipueira (tucupi) para controle do pulgão preto em citros), manejo e adaptação de várias fontes de adubos: como: composto de resíduos vegetais, compostagem com folhas de ingá, composto de minhoca e biofertilizantes liquido, entre outras práticas agroecológicas, como o manejo de tucumanzeiro, castanheiras e guaranazeiro em roçados.

No Amazonas, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), incentivou e conseguiu associar mais de 100 produtores, de diferentes comunidades e municípios do Estado, para formar a Rede e Agricultores Tradicionais do Amazonas (Reata), que possuem em comum, atividades rurais e agrícolas com ênfase nos princípios agroecológicos. A Reata constitui-se de um espaço aberto e interligado, onde agricultores familiares, técnicos, organizações governamentais e não governamentais, se articulam e integram os esforços visando a uma prática agrícola de base ecológica e à preservação dos recursos naturais da floresta amazônica.

Os participantes da Reata seguem 12 princípios básicos: Raízes da vida, Mesa farta, Farmácia viva, Sementes cabocla, Peixe na mesa, no igaparé, Imitando a floresta, Autonomia, Doce mel, Saber caboclo, Troca-troca, Beneficiamento e Comercialização (maiores informações pelo [email protected]).

 

Fonte:Agrisoft com informações do Engenheiro Agrônomo de Silas Garcia Aquino de Souza - Especialista em Sistemas Agroflorestais
Pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Manaus - Amazonas


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