Alimentos orgânicos do Brasil fazem sucesso na França

O Brasil não foi para brincar no Salão Internacional da Alimentação (Sial), que terminou na quinta-feira passada em Paris. No estande que foi chamado de inovação, um time de 15 produtos com perfil orgânico, biodinâmico e sabores muito próprios de frutas e especiarias do País foi à luta or mercado.

Para testar os ingredientes, um cenário com bancada para fazer pratos em tempo real mobilizou chefs de cozinha brasileiros que atuam na capital francesa. As transmissões ocorriam para um telão e não passavam despercebidas dos visitantes. Fora do set, promotoras de produtos serviam o público com provinhas de cachaça, energético com açaí, guaraná, erva-mate e catuaba e vinagre de manga e acerola e granola salgada.

A chef Rebecca Lockwood, que tem entre as clientes a cantora Madonna, elogiou a diversidade de produtos e aposta em boa receptividade na França. "Eles não têm aqui essa paleta de sabores que nós temos, e ainda foram orgânicos", enumera a chef, que diz ter adorado a possibilidade de usar diversas opções.

Com molho de pimenta que usa matéria-prima extraída por tribo na Amazônia, a Soul Brasil Cuisine embarcou no conceito de brasilidade completa para condimentos. Do salão, o casal Leticia e Peter Feddersen, sócios na empresa, volta para casa com um pedido para enviar produtos a um distribuidor na Alemanha. "É uma porta de entrada para depois chegar à França", acredita Leticia.

A Soul Brasil foi montada há um ano e meio e há cinco meses colocou as linhas no mercado no Brasil. Peter largou a carreira no mercado financeiro e Leticia a atuação em promoção em comércio exterior, transferindo o know how para o próprio negócio.

Em Paris, a estreia serviu para testar a recepção de estrangeiros aos sabores. Leticia conta que a produção usa insumos fornecidos, por exemplo, por cooperativas ou comunidades locais de cinco estados. O casal tem orgulho em falar do molho de pimenta de jiquitaia com açaí. A pimenta é enviada da tribo dos Baniwa, no Alto Rio Negro, norte da Amazonia, na fronteira com a Colômbia. "São as mulheres da trigo que fazem a extração e secam a pimenta. Queremos reforçar o empoderamento feminino", diz Leticia.

A empresa gaúcha Brasilbev, que chegou a ganhar um prêmio de inovação em 2012 no Sial, quando participou pela primeira vez do Sial com seu energético orgânico, trouxe a versão do Organique zero, com açaí, guaraná erva-mate e catuaba. Também há novidades em chá mate sem açúcar, usando stevia orgânica.

“É um produto orgânico e que explora sabores que já são a nossa marca e fizeram sucesso no salão”, diz o CEO da empresa, João Paulo Sattamini, que volta para casa com uma porta aberta para fornecer para o Carrefour.

Hoje as linhas já estão em 1,5 mil pontos no Brasil e já exporta para diversos países. A Brasilbev está migrando a produção de Santa Maria, interior gaúcho, para São Paulo, por questão logística e custos.

Fonte:Jornal do Comércio por Patrícia Comunello em 27-10-2018

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