Algodão Ecológico é Alternatica Para Pequenos Agricultortes de MT


Algodão colorido e algodão ecológico são duas promessas de alternativa de renda aos pequenos produtores de Mato Grosso, que estão sendo implementadas pela Fetagri - Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Programa Alternativo para o Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura Familiar de Mato Grosso em parceria com diversas entidades. Nos dois casos, a redução no uso de agrotóxicos e insumos químicos é um verdadeiro ganho ambiental, ainda mais considerando que a cultura do algodão convencional é considerada uma das mais poluentes.

A estratégia da Fetagri é buscar novos mercados para agricultores familiares que até o início da década de 90 cultivavam algodão sem concorrência direta com os grandes latifundiários, que investiram na cultura a partir de incentivos do governo anterior. "Não há como concorrer com os grandes produtores, por isso estamos procurando agregar valor ao produto para compensar o alto custo da produção em pequena escala", explica Adelar Schons, engenheiro agrônomo da federação.

O algodão ecológico, ou alternativo, está sendo cultivado com relativo sucesso em campos experimentais da Univag, em Várzea Grande, no campus de Cáceres da Unemat - Universidade Estadual de Mato Grosso e na Escola Agrotécnica de São Vicente. A expectativa é que dentro de dois anos, com avanço das pesquisas científicas, a técnica possa ser utilizada em várias comunidades rurais a ponto de buscar a certificação, que ateste a não utilização de agrotóxicos para controle de doenças, insetos ou na adubação. Por enquanto, pequenos produtores dos municípios de Curvelândia, Porto Estrela e Carlinda estão produzindo o algodão ecológico, mas a expectativa é que ainda esse ano pelo menos mais oito produtores adotem a técnica.

Adelar explica que os experimentos ainda estão no início e muitos dados ainda precisam ser analisados. Entretanto, com algumas informações básicas já é possível comparar com a produção do algodão convencional. "O algodão ecológico pode ter a mesma produtividade do que o convencional cultivado no cerrado, desde que o controle de doenças insetos e adubação orgânica seja feita de forma correta", salienta. Ele explica que apesar de economizar, e muito, sem usar agrotóxicos, a mão-de-obra aumenta, o que possibilitaria uma maior oferta de trabalho, incentivando a fixação do homem no campo. "Mesmo assim, o preço final do algodão orgânico para venda pode chegar a ser 40 por cento maior que o convencional", salienta.

Dominada a técnica, o principal desafio será mesmo a organização de associações e cooperativas para tornar a produção atrativa a mercados e ser lucrativa aos agricultores. Uma das estratégias que deverá ser adotada é a produção em cadeia. Ou seja, as cooperativas serão incentivadas a dominar várias etapas da produção do algodão, desde o plantio até o resultado final como vestuários, acessórios e ornamentos. "Precisamos incentivar trabalho em cadeia, para eliminarmos atravessadores e aumentarmos o lucro", acredita Adelar.

O Programa Alternativo para o Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura Familiar de Mato Grosso, desenvolvido pela Fetagri, também conta com o apoio da Embrapa Algodão, Sebrae, Centro Universitário Univag, Escola Agrotécnica de São Vicente, Unemat, Secretaria de Agricultura e Assuntos Fundiários, Fundaper e Facual - Fundo de Apoio à Cultura de Algodão.

Algodão colorido. Além do algodão ecológico, a Fetagri, em parceria com a Embrapa, está incentivando o cultivo do algodão colorido. Melhorado geneticamente pela Embrapa a partir do algodão selvagem desenvolvido pelos Incas há 4500 anos, o algodão colorido (cuja tonalidade varia entre o creme e o marrom-escuro) tem uma resistência naturalmente maior a doenças, o que reduz a necessidade de uso de agrotóxicos. Além disso, por ser colorido não precisa ser tingido por processo industrial.

De acordo com Luiz Gonzaga Chitarra, fitopatologista da Embrapa Algodão, desde 1989 a instituição está trabalhando com essa variedade na Paraíba e a trouxe para Mato Grosso em 2000. Atualmente, em parceria com a Fetagri, estão sendo cultivados 80 hectares por pequenos produtores nos municípios de Glória D’Oeste, São José dos Quatro Marcos e Colíder, que deverão colher 8 mil arrobas.

Para se ter uma idéia, no Nordeste brasileiro são cultivados 880 hectares em 22 municípios, que rendem mais de 100 mil peças de vestuário e acessórios. "Até pouco tempo o algodão colorido era rejeitado pelos grandes produtores, sendo utilizado apenas de forma artesanal por algumas comunidades", explica. A Embrapa investiu no melhoramento genético para que a fibra do algodão pudesse ser mais fina e mais resistente, tornando-a viável comercialmente. "E nunca é demais repetir que o algodão colorido não é transgênico, ao contrário do que muita gente pensa", ressalta.

Uma das vantagens desse tipo de algodão para os pequenos agricultores é não ter a concorrência direta com os grandes produtores. "O algodão colorido não pode ser misturado com o branco. Ou seja, a área cultivada tem que ser de uma variedade ou de outra", salienta Chitarra. De acordo com o técnico da Embrapa, dificilmente esse cultivo interessará aos grandes produtores, principalmente porque ainda se sabe ao certo o potencial de mercado.

Entretanto, a aposta da Fetagri nesse tipo de cultura não é apenas a questão ambiental. "Nosso objetivo é gerar empregos e agregar renda", enfatiza o engenheiro agrônomo Adelar Humberto Schons. A produção têxtil do algodão colorido é um sucesso na região de Campina Grande, na Paraíba, cujo consórcio Natural Fashion emprega cerca de 1200 pessoas de cooperativas e clubes de mães.

O consórcio é formado por 10 empresas de confecção, tecelagem e artefatos de micro e pequeno porte que visam um nicho de mercado internacional que exige produtos orgânicos. Pelo consórcio são produzidas dezenas de produtos entre roupas, tecidos, acessórios e artefatos para decoração. "Nós queremos trabalhar em cooperativas, de forma a atender algumas etapas da produção de tecidos, desde a produção, industrialização e comercialização", espera. No mês de abril Adelar visitará empresas têxteis de Santa Catarina para fazer uma análise de mercado para esse tipo de algodão.

(fonte: Estação Vida / ICV - Instituto Centro de Vida - 29/03/2003)


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