Certificação orgânica abre mercado para fruticultores alagoanos


Os avanços obtidos pela fruticultura alagoana foram o tema central do VII Encontro de Fruticultores, realizado nesta quinta-feira (10), no Centro Cultural de Ibateguara, reunindo quase 200 produtores de seis municípios da região. O encontro foi promovido pela Unidade de Arranjos Produtivos Locais (APL) Fruticultura do Vale do Mundaú, que atende os agricultores familiares das cidades de Ibateguara, União dos Palmares, Murici, Branquinha, Santana do Mundaú e São José da Laje.

Para o agricultor Albino Lopes, que produz laranja lima e banana em Ibateguara, o balanço de 2015 para os fruticultores foi positivo, principalmente pela ampliação dos espaços para comercialização dos produtos. “Mesmo com a crise que vimos no Brasil, tivemos um ano muito bom em nosso setor, na região do Vale do Mundaú. O APL vem ajudando muito os agricultores familiares nesse momento de dificuldade. Tivemos avanços com a entrega dos certificados de produtos orgânicos, o que nos trouxe uma possibilidade maior de comercialização. Hoje, podemos colocar os nossos produtos para vender em Maceió, nas feiras, com o selo orgânico. Ou seja, temos um espaço muito maior do que era até 2014”, disse.

De acordo com a gestora do APL, Valdelane Tenório, hoje, a região do Vale do Mundaú é referência em produção orgânica no Estado. “Conseguimos ampliar o número de produtores certificados pelo Ministério da Agricultura como orgânicos de 31 para 51. Isso nos coloca como região de maior produção orgânica de Alagoas, visto que o Estado tem, no total, 90 produtores certificados. Dessa forma, o agricultor trabalha de forma sustentável, mostrando que é possível produzir sem agredir o meio ambiente e gastando menos, trazendo menos insumos de fora e usando o que ele tem dentro da propriedade. Assim, ele obtém um produto de maior qualidade, com maior valor agregado, e abre mercado”, explicou a gestora.

“Outro avanço que conseguimos em 2015 foi a comercialização em massa, com as políticas públicas de governo, tanto para o Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA, quanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE. As prefeituras dos seis municípios que integram o APL compraram o mínimo de 30% recomendado para o PNAE. Nós tivemos este ano 44 grupos participando da comercialização da Conab, o que totaliza cerca de 1.400 agricultores, movimentando um volume de mais de R$ 11 milhões só para as venda pro PAA. Isso garantiu renda para o agricultor familiar”, lembrou Valdelane Tenório.

O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura, Álvaro Vasconcelos, que participou do encontro, também destacou a importância da agricultura orgânica na geração de renda para o pequeno agricultor alagoano. “Cada agricultor certificado agrega mais valor ao seu produto. A agricultura orgânica é a agricultura do futuro. Precisamos apoiar esses agricultores e facilitar o acesso a essa certificação, orientando para que ele cumpra as exigências do Ministério da Agricultura, oferecendo à sociedade alagoana um produto sem agrotóxico, de qualidade, para o consumo da população”, ressaltou Vasconcelos.

Os agricultores que participaram do encontro também puderam acompanhar a palestra do empresário Eduardo Queiroz, sócio da indústria de móveis Verdom, sobre o aproveitamento da fibra de bananeira e casca de coco na produção sustentável de mobiliário. O gerente da Desenvolve – Agência de Fomento, Thiago Pires, também conversou com os agricultores sobre a abertura de linhas de crédito para integrantes do APL.

Unidades demonstrativas - Outro avanço destacado pela gestora do APL Fruticultura do Vale do Mundaú foi a instalação, em 2015, de 12 Unidades Demonstrativas nos seis municípios atendidos pelo programa. “Conseguimos firmar parcerias com instituições para promoção de atividades que os agricultores precisam para o desenvolvimento da sua cultura. Podemos destacar que boa parte dos agricultores dos seis municípios que

integram o APL foram beneficiados com 12 unidades demonstrativas, duas em cada município, uma de laranja lima e uma de banana, para trabalhar as melhores técnicas de produção”, observou Valdelane Tenório.

De acordo com informações do Sebrae, as Unidades Demonstrativas do APL servem como modelo de boas práticas agrícolas para manejo orgânico nas culturas de banana e laranja lima. A necessidade da criação das unidades surgiu após a aplicação de consultorias individuais em propriedades atendidas pelo APL. Após a consultoria coletiva e o acompanhamento quinzenal, a produção de algumas propriedades chegou a triplicar.

O APL Fruticultura do Vale do Mundaú atua no fomento à produção, comercialização, gestão e capacitação dos produtores nos seis municípios que abrange. A unidade integra o Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), em parceria com o Sebrae e com apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri).

O VII Encontro de Fruticultores contou com as presenças do secretário Álvaro Vasconcelos, do prefeito de Ibateguara Géo Cruz, do superintendente da Conab em Alagoas, Elizeu Rêgo, do delegado federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alay Correia, da gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae em Alagoas, Vânia Britto, além de representantes do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater-AL), da Desenvolve – Agência de Fomento, vereadores, secretários municipais, empresários e dirigentes de associações e sindicatos rurais da região.

Fonte: Agência Alagoas em 11/12/2015


Leia Mais:



SIGA NOS

-->