Projeto Faz Diagnóstico de Sub-bacia

tingem também áreas rurais e de nascentes.

Exemplos de agressão à natureza não faltam, no entanto, é crescente o número de iniciativas objetivando brecar essa realidade, revertendo o quadro, como é o caso do projeto "Estudos de Conservação e Recuperação de Fragmentos Florestais na Bacia do Rio Camanducaia".

O trabalho é coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta com a participação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq-USP), Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Grand Vailey State University, dos Estados Unidos.

Parte do projeto se concentra na cabeceira do Rio Camanducaia, onde, também, são registrados danos ambientais. O Foco do projeto está voltado às florestas, ou melhor, aos fragmentos florestais, cuja preservação é considerada vital, já que a sua extinção acarreta prejuízos à biodiversidade e aquecimento global.

Com orçamento geral de pouco mais de R$ 462 mil, o trabalho tem financiamento do Ministério do Meio Ambiente, Globat Environmental Facility (GEF) e Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird).

O projeto Camanducaia está dividido em sub-projetos, possibilitando a realização de um amplo estudo, envolvendo desde a identificação das espécies raras ou ameaçadas de extinção, inventário da diversidade vegetal e análise dos sistemas de reprodução das principais espécies, entre outros, até um levantamento sócio-econômico das populações do entorno dos fragmentos florestais. Esta parte específica vem sendo realizada pela ONG Aguari, cuja a sede fica em Camanducaia (MG).

A finalidade da atividade desenvolvida pela Aguari nesse projeto é apontar as causas da degradação e formas de envolvimento das comunidades visando a recuperação. A participação da ONG começou há cerca de um ano e a previsão é que a conclusão dessa pare seja feita por volta do próximo mês de outubro. De acordo com Kátia Ono, uma das pessoas envolvidas na atividade, o estudo junto as comunidades não é apenas quantitativo.

"Trabalhamos com questionários, mas não limitamos a isso. Também utilizamos o método de diagnóstico rápido e participativo, que é uma atividade mais dinâmica com a comunidade", explica a voluntária. Nesses contatos são dadas explicações sobre o projeto, objetivo e importância, além de tentar identificar quais os conceitos do meio ambiente e preservação que os membros das comunidades têm, bem como envolver os indivíduos em ações de recuperação, identificando quais são mais apropriadas para determinado grupo.

Através de depoimentos tenta-se realizar um levantamento histórico da fragmentação. Kátia ressalta que ainda não se chegou a uma conclusão sobre as causas e a participação de cada comunidade no processo. "Mas, estamos caminhando para isso". Através dessa pesquisa, alguns dados interessantes foram coletados. "Todas as comunidades falam da diminuição da quantidade de água. As pessoas chegam a estimar uma queda entre 30% a 50% do volume em 30 anos. Também constatam mudanças climáticas, com menos frio e menor quantidade de chuvas atualmente em relação à décadas passadas", exemplifica Kátia.

Ela conta que as comunidades envolvidas afirmam sentir que tiveram participação no processo de fragmentação, mas paralelamente, possuem conflitos com a legislação florestal. "As pessoas se sentem lesadas", comenta, lembrando que a maioria trabalha na agricultura e o principal produto cultivado na região é a batata. Esses dados, no entanto, não são conclusivos. Os resultados, periodicamente, são encaminhados aos coordenadores e ao final do projeto é que poderão ser constatadas as atividades que resultaram na fragmentação e os reais prejuízos que essa situação causou ao meio ambiente e à vida.

 

*Fonte: Jornal Água Viva - Ed. N. 45, Julho/Agosto de 2001, Informativo do Consórcio Intermunicipal das Bacias do Rio Piracicaba, Capivari e Jundiai.


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