Agricultores se capacitam em agroecologia

CONSERVAÇÃO DO SOLO (15/4/2005)
Agricultores se capacitam em agroecologia


Técnicos da Fundação Cultural Educacional Popular em Defesa do Meio Ambiente (Cepema) realizam, em Quixadá, a capacitação em agroecologia para 50 jovens agricultores do Sertão Central. A Cepema é uma Organização Não Governamental (ONG) que atua na preservação ambiental desenvolvendo projetos de desenvolvimento sustentável. A capacitação é um projeto ambicioso pois até o seu término serão habilitados no programa 1.840 jovens do Semi-árido cearense.

Para o sertanejo, trata-se de uma nova forma de olhar e tratar a terra, através da conscientização. E hoje, Dia Nacional da Conservação do Solo, o projeto de agrofloresta pode servir de referência no Estado. Trata-se da disseminação de um novo modelo de convivência com o Semi-árido, mas que já vem sendo desenvolvido por ambientalistas desde os anos 70. Na região, a agroecologia se tratava de um tema desconhecido popularmente até então.

O projeto está sendo desenvolvido em parceria com os Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Sertão Central - dos municípios de Canindé, Choró, Irauçuba e Banabuiú. Os cursos de capacitação estão sendo realizados na sede II do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município anfitrião, Quixadá.

O engenheiro agrônomo Fábio Brito, um dos facilitadores do programa, explica que o processo implica na formação de agentes multiplicadores em agricultura ecológica, conscientizando-os e orientando-os ao desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no Semi-árido. "Os Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região se articularam, se interessaram pelo projeto e nós os capacitamos em agroecologia e sistemas agroflorestais", completou o engenheiro agrônomo.

Para os primeiros participantes do projeto no Sertão Central, a capacitação interessa não somente pelo aspecto inovador para o homem do campo, mas porque norteia suas ações ao equilíbrio ambiental, processo através do qual todos ganham, o homem e a natureza. "Queimadas e desmatamentos não farão mais parte do vocabulário e nem das práticas habituais de nossos agricultores", afirma, entusiasmada, a jovem Natália da Silva, que reside na comunidade de Tijuca / Boa Vista.

PARCERIA - O ambientalista Osvaldo Andrade, presidente do Instituto de Convivência com o Semi-árido, ONG que também desenvolve atividades ambientais na região, ressalta que além do pioneirismo regional o processo de agroflorestamento propiciará uma melhor qualidade de vida para o agricultor. Osvaldo também está entusiasmado com o projeto desenvolvido pela Cepema, inclusive, o Instituto de Convivência fornecerá as mudas de plantas nativas para o reflorestamento regional - sabiás, juazeiros, oiticicas, entre outras espécies.

Um dos projetos desenvolvidos pela Cepema, apresentado aos futuros agentes ecológicos, foi o de cultivo de café através de processo de sombreamento, desenvolvido na região do Maciço de Baturité, a 170 km de Fortaleza. Não são utilizados fertilizantes. A cultura do café ecológico é totalmente orgânica, sem desmatamentos. Como o próprio processo especifica, à sombra de árvores e arbustos nativos.

A Fundação Cepema quer ampliar a consciência ecológica sobre a importância dos recursos naturais, transmitir conhecimentos de como economizar esses recursos. Para realizar suas atividades, a entidade conta com parcerias com diversos órgãos governamentais, ONGs, associações de pequenos produtores e outras entidades da sociedade civil.

SERVIÇO: A Cepema foi fundada em 1990, na cidade de Sobral, sua atual sede está em Fortaleza, à rua Crateús, 1250, bairro da Parquelândia. Fone 0XX 85 3223 8005. E-mail: [email protected]

Alex Pimentel
sucursal Quixadá


Fonte:Diario do Nordeste em 15/4/2005


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