Arroz já extinto na África tem alto teor de vitamina A e é cultivado em Pernambuco


Os africanos não precisam de arroz transgênico porque seu território é o berço do arroz Oriza glaberrima, com alto teor de vitamina A.

Porto Alegre, RS - O arroz africano é um dos mais antigos cultivados no Planeta, possuindo mais 10 mil anos . Ele está extinto na África, mas seu cultivo ainda ocorre em uma comunidade quilombola no Estado de Pernambuco. - A revelação foi feita pelo engenheiro-agrônomo Sebastião Pinheiro, palestrante de diversas oficinas ocorridas durante o 5º Fórum Social Mundial.

Pinheiro recebeu da ONG Centro Sabiá daquele Estado 1 kg de semente para ser multiplicado entre agricultores membros da Cooperativa Ecológica Coolméia, de Porto Alegre.

Os negros transportados durante a escravidão para outros continentes levaram consigo punhados do arroz Oriza glaberrima, assim como fizeram com o feijão soupinha, encontrado em Mostardas, para plantarem e garantirem sua sobrevivência, pois esses cultivos têm alto valor nutricional.

Conforme Pinheiro, o referido arroz foi muito plantado no Brasil e hoje é ainda cultivado em proporções modestas junto a áreas quilombolas. Sua destruição total na África e parcial no Brasil se deve à ação da assistência técnica nos moldes da agricultura industrial em função do processo de modernização da agricultura, com o objetivo de substituir a variedade tradicional por uma melhorada e vendida por empresas produtoras de sementes.

"A Fundação Rockfeller investiu 200 milhões no arroz transgênico com maior teor de vitamina A", destaca Pinheiro, quando na realidade "a vitamina A desse arroz é destruída pelo calor, não tendo serventia para o ser humano", complementa o técnico. Para ele restaurando o cultivo do Oriza glaberrima, ecologicamente, "teremos um alimento com alto teor de vitamina A e a recuperação de uma cultura".

As comunidades que aceitarem esse desafio estarão agindo no sentido inverso ao de muitas empresa norte-americanas, como a Cargill. Segundo Pinheiro, essa empresa atuou sempre junto aos governos, nunca disputando espaço no mercado, para impor o uso de suas sementes industriais, obrigando o abandono das sementes crioulas, dentre elas o arroz africano.

Fonte: EcoAgência de Notícias 31/01/2005


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