A agricultura conservacionista e o plantio direto


A agricultura conservacionista é considerada um dos mais notáveis fatores responsáveis por avanços no desenvolvimento agrícola da última década. Trata-se de um conjunto complexo de processos tecnológicos que objetiva preservar, melhorar e otimizar os recursos naturais, mediante o manejo integrado do solo, da água e da biodiversidade, compatibilizado com o uso de insumos externos.

Alguns dos enfoques que o conservacionismo abrange para o desenvolvimento agrícola são: a preservação de resíduos culturais na superfície do solo, a ampliação da biodiversidade, a diversificação de sistemas agrícolas, o manejo integrado, a abreviação do período entre a colheita e a semeadura, etc. Entretanto, a prática conservacionista, constitui a sustentação de sistemas agrícolas produtivos, conservando o solo, a água, o ar e a biota, bem como, prevenindo a poluição e a degradação dos sistemas do entorno.

Coberturas alternativas de inverno

Segundo José Eloir Denardin, pesquisador da Embrapa Trigo, as coberturas alternativas de inverno são boas opções para a agricultura conservacionista. Para ele, as plantas cultivadas como adubos verdes ou simplesmente como cobertura de solo, além de assegurarem cobertura permanente do solo, contribuem para dissipar a energia erosiva das gotas de chuva, reduzir perdas de solo e de água por erosão, e preservar a umidade do solo. Também ajudam a reduzir a variação da temperatura do solo e a incidência de plantas daninhas, promover o equilíbrio da flora e da fauna do solo, estabilizar a taxa de reciclagem de nutrientes e principalmente, na promoção da biodiversidade da biota do solo e no estabelecimento da quantidade e qualidade da matéria orgânica do solo.

Denardin conta que, na atualidade, em decorrência do relevante trabalho desempenhado pelo melhoramento de plantas, com a criação de cultivares/híbridos de múltipla sazonalidade e de variados ciclos, vem se intensificando os estudos para estabelecer sistemas de rotação de culturas, compostos exclusivamente por espécies que promovam retorno econômico direto e que minimizem ou suprimam o intervalo entre a colheita e a semeadura da cultura subsequente (processo colher-semear).

Além de práticas vegetativas, também recorre-se a práticas mecânicas de conservação do solo. O complexo de processos tecnológicos contemplado pela base conceitual de agricultura conservacionista prevê a utilização de práticas mecânicas complementares à cobertura de solo para controle integral da erosão. Conforme o pesquisador, a justificativa para isso reside no fato de que nas regiões brasileiras de climas temperado, subtropical e tropical, as características fundamentais da chuva (intensidade e duração) apresentam potencial para superar a taxa de infiltração de água no solo e gerar enxurrada, independentemente do uso e do manejo de solo praticado.

O plantio direto no Brasil

No Brasil, a atual abordagem da agricultura conservacionista vem sendo amplamente contextualizada no âmbito do sistema plantio direto, o qual é interpretado como ferramenta da agricultura conservacionista para imprimir sustentabilidade ao desenvolvimento agrícola. Nesse sentido, Denardin explica que o sistema plantio direto é conceituado como um complexo de processos tecnológicos destinado à exploração de sistemas agrícolas produtivos, contemplando diversificação de espécies, via rotação e/ou consorciação de culturas, mobilização de solo apenas na linha/cova de semeadura, manutenção permanente da cobertura do solo e minimização do intervalo entre colheita e semeadura, pela implementação do processo colher-semear.

Assim, o sistema agrícola produtivo passa a ter um menor grau de perturbação ou de desordem, quando comparado a outras formas de manejo, por requerer menor infra-estrutura de máquinas e de equipamentos, demandar menor força de trabalho e menos energia fóssil, favorecer o controle biológico de pragas, de doenças e de plantas daninhas, minimizar a erosão, aumentar os processos de floculação e de agregação do solo, desenvolver a estrutura do solo, diminuir a taxa de mineralização da matéria orgânica e desacelerar as taxas de ciclagem e reciclagem de nutrientes. Portanto, são essas as razões que fazem do sistema plantio direto o complexo tecnológico que mais vem contribuindo para a conservação do solo e da água no Brasil.

Pensando opções e ações conservacionistas hoje

José Eloir Denardin destaca que o sistema plantio direto, segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, está sendo praticado em cerca de 45% da área agrícola brasileira produtora de grãos. Conclui-se, entretanto, que parte dessa área manejada sob sistema plantio direto não tem adotado integralmente o complexo de tecnologias preconizado pela base conceitual da agricultura conservacionista e, por isto, atinge, apenas, parcialmente os benefícios esperados.

De qualquer modo, na percepção de Denardin, o sistema de plantio direto é o mais acessível, eficiente e viável complexo tecnológico disponível no país para contornar os problemas de degradação dos recursos naturais decorrentes do uso do solo para fins agrícolas, e ser, imediatamente, adotado, independentemente das condições de solo e de infra-estrutura fundiária.

Melhor momento para a prática

O melhor momento para a adoção do sistema plantio direto, em um determinado sistema de produção, é muito variável e depende de condições de clima, de solo, de estratégias estabelecidas para manejo da lavoura etc. No entanto, segundo Denardin, na Região Sul do Brasil, por exemplo, é indicado que os ajustes relativos à sistematização da área de lavoura e à correção de parâmetros químicos e físicos de solo sejam realizados na safra de inverno e a primeira cultura sob sistema plantio direto seja semeada na safra de verão subsequente.

Fonte: Informações: Embrapa Trigo - (54)3316.5800 ou www.cnpt.embrapa.br 22/05/2007 13:36:40


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