ABPO aposta em marketing para carne orgânica

 

Enquanto União Européia e Estados Unidos estimam movimentar US$ 1 bilhão e US$ 670 milhões, respectivamente, com a comercialização de carne orgânica em 2002, o mercado brasileiro ainda engatinha para difundir o produto. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) concluiu que, para conquistar consumidores e justificar o preço - cerca de 20% maior do que o da carne convencional - são necessárias campanhas de marketing, para difundir a qualidade do produto e seu baixo impacto ao meio ambiente. Foram pesquisados nove estabelecimentos comerciais, entre supermercados, restaurantes e frigoríficos, e 968 consumidores, até o terceiro grau de escolaridade.

Das nove empresas entrevistadas, apenas duas apresentaram, de fato, interesse em consumir a carne orgânica. Uma delas é a rede de supermercados Pão de Açúcar, que estaria disposta a comprar seis toneladas por semana e a pagar entre 10% e 15% a mais do que por uma carne convencional. A segunda empresa foi a botique de carne Wessel, de São Paulo, que demonstrou interesse em consumir quatro toneladas por semana e a pagar 15% a mais pelo produto orgânico.
´A maior parte delas acredita nesse nicho de mercado´, analisa o presidente da ABPO, Homero José Figliolini Figliolini.

Contudo, a falta de interesse concreto do mercado nacional se justifica no desconhecimento da clientela: cerca de 84% entre consumidores com primeiro grau não conhecem produtos de origem orgânica, percentual que é de 50% entre os de nível médio e 20% entre os com terceiro grau. ´A consciência da qualidade e da preservação ambiental do orgânico precisa ser difundido no País, assim como já existe na Europa´, acredita Figliolini.

Neste ano, A ABPO pretende ampliar o quadro de associados e aumentar de 15 mil para 30 mil o número de matrizes certificadas. ´Temos o apoio da linha Pro-natureza do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), que financia a pecuária orgânica por ser de baixo impacto ambiental. Essa atividade é ideal para regiões de bioma frágil, como o Pantanal´, explica o presidente.

Qualidade

Outra ação é a pesquisa para atestar a qualidade da carne orgânica, com o respaldo de entidades de renome, como Universidade de São Paulo e Embrapa. O trabalho deve iniciar em julho, e o resultado ajudará na composição de uma campanha de marketing, que também será intensificada com participação em feiras internacionais.

Segundo Figliolini, o custo de produção da carne orgânica é cerca de 8% menor do que o da pecuária convencional, uma vez que os pastos não são adubados quimicamente e o manejo dos animais não demanda a utilização de remédios como vermífugos ou carrapaticidas. Dessa forma, o valor agregado de 20% se explica pela segurança alimentar do produto e por sua escassez no mercado (relação entre oferta e demanda).

O quilo de um corte nobre dessa carne nos EUA, chega a custar US$ 7, mais que o dobro da mesma quantia do produto convencional, que fica em US$ 3, exemplifica o presidente da ABPO, que é proprietário da fazenda Eldorado (MS), com um rebanho de 4 mil cabeças certificadas pelo Instituto Biodinâmico (IBD).

Atualmente, 80% da pecuária orgânica brasileira se concentram nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que representa um rebanho de, aproximadamente, 60 mil cabeças, entre certificadas e em fase de conversão. De acordo com Figliolini, a associação conta com cinco fazendas nessa etapa transitória, que somam 20 mil animais. ´A certificação deve acontecer em um ano´, acredita.

Gazeta Mercantil de 19 de março 2002


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