Café orgânico já tem 64 produtores no médio-oeste do Paraná

CASCAVEL - Dezenas de produtores de café orgânico da região do médio-oeste do Paraná e especialistas de diversos órgãos estaduais ligados ao setor estiveram reunidos nesta semana, no município de Jesuítas (PR), para avaliar o ano de trabalho e reiterar os compromissos para 2005.

O projeto de desenvolvimento integrado do café no médio-oeste, que reúne 11 municípios e 64 produtores, é realizado em parceria pela Associação dos Produtores Orgânicos do Médio Oeste do Paraná (Apomop), Copacol, Emater, Sebrae/PR, Faep, Fóruns municipais de desenvolvimento, Iapar, IAP, prefeituras, Seab, Senar, Sindicatos dos trabalhadores rurais e patronais rurais e produtores de café.

Para 2005, a câmara técnica definiu sete áreas prioritárias para a consolidação do projeto regional: produção, tecnologia, mercado, legislação, acesso a crédito, organização dos produtores e parcerias.

O maior desafio, segundo o engenheiro agrônomo Roberto Dal Molin, da Emater/PR, é fazer com que os produtores da região participem do concurso Café Qualidade Paraná, realizado todos os anos para premiar os melhores produtos do Estado.

O coordenador da câmara técnica do café, Paulo Trevisoli, da Copacol, fez durante o encontro dos produtores e parceiros do projeto em Jesuítas um balanço das atividades realizadas desde janeiro, quando ocorreram as primeiras reuniões de articulação do projeto entre Emater, Sebrae/PR e Copacol.

"O projeto foi bem nascido, pois desde o início teve o envolvimento e o comprometimento dos parceiros institucionais e dos produtores de café da região". Trevisoli destaca que, desde março, quando foi realizado o primeiro encontro de produtores de café do médio-oeste, o projeto se desdobrou numa série de ações mensais, como encontros de parceiros, assinatura do termo de adesão entre os parceiros, adesão de novos produtores, capacitação em produção orgânica, ações relativas ao Dia Mundial do Café Orgânico (22 de maio), constituição da câmara técnica, palestras técnicas, certificação de produtores, treinamentos diversos, dias de campo, visitas a instituições e propriedades e até a participação do Salão Mundo Orgânico, em Cascavel, de 3 a 5 de dezembro.

O consultor Carlos Guedes, do Sebrae/PR, destaca que o projeto de desenvolvimento setorial do café no médio-oeste privilegia os pequenos produtores e a produção orgânica. "Organizados, atuando de forma conjunta, os produtores de pequeno porte têm condições de se apresentar de forma competitiva no mercado. Individualmente não teriam condições para tanto. Uma vez no mercado, podem melhorar ainda mais a qualidade de sua participação se aproveitarem os nichos específicos, como é o caso do café orgânico de qualidade", diz o consultor, explicando as razões que uniram os parceiros institucionais e produtores rurais em torno do projeto do médio oeste.

Durante o encontro de encerramento do primeiro ano de atividades, o presidente da Copacol, Valter Pittol, reiterou que "agora, mais do que nunca, é uma determinação da diretoria da cooperativa que as ações voltadas ao café orgânico especial aconteçam em suas instâncias para que o projeto se consolide e ofereça aos pequenos produtores uma alternativa de diversificação da propriedade, gerando mais renda e emprego no campo".

Já Edson José Trento, coordenador do Programa Café da Emater/PR, veio de Curitiba, capital paranaense, especialmente para participar do encontro regional e conhecer melhor o projeto e as parcerias. Trento fez um breve relato do programa café realizado pela Emater, que está num terceiro estágio de evolução.

Segundo ele, o primeiro estágio foi o de implantação de uma nova cafeicultura no Paraná com a tecnologia do adensamento. "Quando isso aconteceu, a média de produtividade da cafeicultura paranaense era de sete sacas por hectare e atualmente já é de 20 sacas por hectare. E se considerarmos apenas as lavouras adensadas, a produtividade média salta para 41 sacas por hectare", enfatiza, mostrando os resultados alcançados no primeiro estágio do projeto.

No segundo estágio do programa estadual da Emater para resgatar a cafeicultura, foram realizadas ações e projetos específicos para consolidar a elevação da produtividade média, bem como a melhoria da qualidade do produto. Já no terceiro estágio, o atual, segundo Trento, o programa vem priorizando ações "da porteira para fora" com a organização dos produtores de café específica para acesso ao mercado.

"O projeto do médio-oeste foi muito bem estruturado e tem nosso total apoio porque está afinado com os propósitos do Programa Café do Paraná. Os parceiros envolvidos neste projeto regional são estratégicos, especialmente no que tange ao Sebrae e à Copacol, experts em mercado", assinala o coordenador do programa estadual do café da Emater.

Trento ainda destaca que, embora a Emater não estimule diretamente a opção pelo café orgânico, ela reconhece a oportunidade e, desde que os produtores façam a opção pelos orgânicos de forma consciente, terão total apoio da entidade, que já possui mais de 60 técnicos especializados em produção orgânica em todo o estado.

O pesquisador Armando Adrecioli Filho, do Iapar, também presente ao encontro, apresentou parte das pesquisas que o instituto tem realizado para o segmento café. Segundo ele, atualmente existem seis projetos de pesquisa específicos para dar base científica aos programas de café orgânico realizados no Paraná.

fonte: Agência Sebrae


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