Impacto de plantios transgênicos dura dois anos, diz estudo

Herbicidas usados nestes cultivos são o principal fator de alteração sobre a vida silvestre

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Effects of genetically modified herbicide-tolerant cropping systems on weed seedbanks in two years of following crops, de L. G. Firbank e colegas

Londres - O impacto dos transgênicos sobre a vida silvestre pode durar mais de dois anos, segundo um relatório publicado pela revista Biology Letters, da Royal Society britânica. Os herbicidas usados nestes cultivos são o principal fator de alteração sobre a vida silvestre, afirma o estudo.

A pesquisa foi realizada pelo Centro de Ecologia e Hidrologia para o Ministério de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido. Foi acompanhado o crescimento de plantas silvestres em terrenos utilizados para cultivar quatro tipos de colheitas modificadas geneticamente.

O mesmo foi feito em outras áreas com cultivos tradicionais. As plantas silvestres são o alimento básico de muitas aves e insetos.

No campo utilizado previamente para o plantio da colza de primavera modificada geneticamente houve uma alteração no balanço entre os tipos de plantas silvestres: cresceram menos plantas de folhas largas e mais de tipo herbáceo, apesar de o número total de indivíduos ter se mantido igual ao do verificado após o plantio de colza tradicional.

Nos terrenos previamente cultivados com beterraba açucareira transgênica, o nível de crescimento de plantas silvestres foi menor no primeiro ano. Este efeito desapareceu no segundo ano.

Apenas no cultivo de milho se observou o crescimento de uma maior variedade de plantas silvestres no terreno cultivado com milho transgênico do que no de milho tradicional.

Clare Oxborrow, da organização ecológica Amigos da Terra, assegurou que, "embora só se cultive colza durante um curto período de tempo, o impacto negativo será sentido durante vários anos".

"O efeito decorrente do cultivo em escala comercial desta planta modificada geneticamente pode ser devastador", acrescentou.

O resultado da pesquisa, no entanto, não deve surtir efeitos na legislação do governo britânico, que afirma ser preciso analisar cada caso separadamente.

<http://www.pubs.royalsoc.ac.uk/bio_let_content/pdf/rsbl20050390.pdf>

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Este tipo de estudo, agora concluido na Inglaterra, nunca foi feito com plantas transgënicas no Brasil. A intensa pressão da indústria e de seus cientistas licenciados vai no sentido de apressar a liberação final e irreversível de (no mínimo) soja, algodão, milho, cana e arroz transgênicos no Brasil, justamente ANTES que outros estudos como o descrito a seguir possam ser feitos em condições nacionais.

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Fonte:Agëncia Estado, 30/09/2005

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