Consórcio Varejista Britânico e ONGs do Reino Unido fazem apelo ao Brasil para que se mantenha firme na posição de produtor de soja não-transgênica

O Consórcio Varejista Britânico (BRC) está fazendo um apelo à indústria brasileira de soja para que se oponha ao aumento das plantações com a variedade transgênica Roundup Ready, alegando que "se tornará extremamente difícil manter a confiança na própria cadeia alimentar, caso os estoques de soja não-transgênica se esgotem".

O apelo do BRC recebeu o apoio de uma aliança formada por algumas das mais importantes organizações não-governamentais do Reino Unido [1], e que está fazendo campanha junto a supermercados e outras empresas do setor de alimentos para que tomem medidas imediatas com o objetivo de salvaguardar o estoque de produtos livre de transgênicos.

A declaração do Consórcio Varejista Britânico, divulgado essa semana (e que pode ser encontrado no site da organização Friends of the Earth, www.foe.co.uk) , fala de decisões cruciais que estão sendo tomadas por fazendeiros e produtores brasileiros com relação ao plantio da soja convencional ou da transgênica para a próxima safra. O documento reafirma de maneira contundente a posição da indústria varejista britânica de continuar fornecendo produtos não-transgênicos aos consumidores do Reino Unido.

A carta também salienta a importância da produção brasileira de soja como forma de garantir o futuro dos alimentos não transgênicos no Reino Unido. "É essencial que o Brasil permaneça como uma contínua fonte fornecedora de soja não-transgênica e impeça o aumento das plantações de OGMs".

Para endossar sua posição, a entidade utiliza uma pesquisa de opinião no Reino Unido, cujo um dos resultados indica que 79% da população não comprariam alimentos contendo ingredientes geneticamente modificados [2]. O BRC deixa clara sua posição de que "os varejistas do reino Unido estão determinados a manter sua postura de comercializar apenas produtos não-transgênicos".

Apesar de a maioria das empresas do ramo alimentício britânico evitar ingredientes transgênicos em seus produtos, uma grande quantidade de ração geneticamente modificada continua a ser importada. Produtos de origem animal, como leite, carne e ovos não estão sujeitos a regras de rotulagem. Diante deste fato, o grupo de organizações produziu um documento, enviado para as maiores companhias da indústria de alimentos, requerendo que toda a soja usada na alimentação de animais seja livre de transgênicos [3]. O pedido é a continuação de uma série de encontros e reuniões realizados nos anos de 2004 e 2005, entre a coalizão de ONGs e representantes da indústria alimentícia.

Durante essas reuniões, as organizações procuraram deixar claro que, se as empresas não conseguirem impor regras para a utilização somente de ração à base de soja convencional, elas vão acabar tendo que lidar também com a escassez de outros produtos não-transgênicos, como o óleo e a lecitina de soja. Esses ingredientes são os subprodutos do processo de esmagamento da soja para a produção de ração animal e são encontrados em uma grande variedade alimentos processados.

A carta divulgada pelas ONGs proclama a necessidade para ações imediatas. "Varejistas do ramo alimentício, fabricantes e produtores precisam informar seus fornecedores sobre sua demanda por ração não-transgênica o mais rápido possível e antes que a nova lavoura seja plantada. Do nosso ponto de vista, se essa medida fracassar, ela terá um impacto rápido e negativo sobre a disponibilidade de derivados não-transgênicos no mercado num futuro muito próximo."

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Notas

[1] A aliança é formada pelas organizações FARM, Friends of the Earth GeneWatch UK, GM Freeze, National Federation of Women's Institute, The Soil Association, Sustain and Union.
[2] A pesquisa, realizada pelo instituto NOP World com, indicou que a demanda do consumidor por alimentos não-transgênicos continua tão forte quanto era no final dos anos 90, quando começaram a surgir os primeiros protestos contra OGMs. A pesquisa realizada em 2003 revelou que:
78% das pessoas continuavam incertas quanto à segurança de ingredientes transgênicos
79% das pessoas não comprariam produtos contendo ingredientes transgênicos
Ainda que ficasse provada a segurança de alimentos transgênicos, 61% dos consumidores não comprariam esses produtos.
55% das pessoas eram contra alimentos e plantações transgênicas e 38% ainda não estavam convencidas de seus benefícios.
[3] A cópia da carta pode ser encontrada no site da organização Friends of the Earth (www.foe.co.uk)

fonte: Sabrina Petry em  30/8/2005 - Coordenadora de Comunicação
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