Recebidas em 30/05/2000

Reino Unido destrói lavouras transgênicas

Sementes geneticamente modificadas de colza foram plantadas acidentalmente

São Paulo - Cerca de 4,7 mil hectares de lavouras de colza plantados com sementes transgênicas foram destruídos no Reino Unido, segundo um representante do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação. As sementes geneticamente modificadas foram plantadas acidentalmente. Os produtores pensavam estar semeando colza convencional até que, na quarta-feira passada, a Advanta Seeds U.K. Ltda., empresa britânica de comercialização de sementes, revelou haver encontrado grãos com menos de 1% de material modificado geneticamente misturados a seus carregamentos de semente convencional.  Logo depois, a Agência de Padronização de Alimentos do Reino Unido revelou que, nos últimos dois anos, uma parte da produção de colza do bloco foi produzida a partir de sementes transgênicas. Só na safra passada, nove mil hectares foram cultivados com material modificado. Como a comercialização de transgênicos é proibida entre os países da União Européia (UE), legalmente os produtores não poderão vender sua produção.  O Ministério da Agricultura britânico procura formas de ajudar os fazendeiros, mas uma fonte afirmou à agência Dow Jones, que os produtores que quiserem reaver os prejuízos terão que processar a Advanta. A fonte não souber informar se o ministério adotará medidas legais contra a empresa. As informações são da Dow Jones. 

Notícia Extraída da Agência Estado On line

Transgênicos x barreira entre espécies

Reportagem publicada em - 28/5/00, O Estado

Transgênicos alteram DNA de bactérias

Domingo, 28 de maio de 2000, 11h36min
O pesquisador alemão Hans-Hinrich Kattz divulgou, na semana passada, o registro da primeira transferência genética conhecida entre uma planta geneticamente alterada e outros seres, no caso, fungos e bactérias. A informação foi divulgada pela Greenpeace e pela televisão alemã.

Segundo Kaatz, uma seqüência de DNA geneticamente alterada de canola foi encontrada no material genético de bactérias e fungos que estavam no intestino de uma abelha. A abelha teria se alimentado do pólen da canola geneticamente alterada. O pesquisador Kattz, da Universidade de Jena, fez testes durante os últimos três anos com abelhas em campos experimentais de canola transgênica, na Saxônia, Alemanha. O campo de testes foi desenvolvido pela AgrEvo.

Kattz construiu redes no campo de testes e permitiu que as abelhas voassem livremente entre as redes. Estas abelhas eram, mais tardes, capturadas, e o pólen de canola encontrado nas patas das abelhas era colhido para alimentar abelhas jovens dentro do laboratório. Depois, estas abelhas criadas em laboratório tiveram seus intestinos retirados e os microorganismos existentes em seu interior analisados.

"Foi neste material que as bactérias com DNA alterado foram encontradas", conta Augusto Freire, gerente de negócios da Genetic ID. Segundo ele, a descoberta do professor Kattz é importante porque provou que uma seqüência de DNA geneticamente alterada pode ser transferida para outro organismo que não seja planta. "O problema é que não se sabe o que pode acontecer a partir desta transferência de material transgênico", disse.

Freire afirma que, como as bactérias apresentam um caráter de fácil mutação genética, pode ser que esta transferência de genes mude seu comportamento. "Ela pode alterar a digestão das abelhas, por exemplo", disse. "Já houve uma desordem genética que não teria acontecido naturalmente."

Segundo ele, os biotecnologistas têm uma visão muito linear do processo de alteração genética mas não levam em conta que o gene alterado em uma planta, por exemplo, pode interagir com outros seres vivos e mesmo com o meio ambiente e provocar conseqüências ainda não previsíveis.

Um outro caso envolvendo abelhas e transgênicos assustou os britânicos recentemente. Na semana passada, pólen geneticamente modificado foi encontrado em mel produzido em locais próximos a campos experimentais de
transgênicos. A descoberta foi divulgada pela organização ecológica "Friends of the Earth" (Amigos da Terra) que agora está reivindicando a suspensão imediata de testes com safras de canola e milho geneticamente modificados feitos ao ar livre.

Os testes foram realizados pelo cientista Andreas Heissenberger, da Agência Federal de Meio Ambiente da Áustria. Os criadores de abelha que possuem colméias próximas a campos de testes estão sendo advertidos para que retirem suas abelhas das imediações. Os criadores se queixam de não terem sido >avisados sobre a "vizinhança" e agora a Associação dos Criadores de Abelhas da Inglaterra - que representa 350 produtores em todo o país - quer compensação pela perda de renda provocada pela mudança das colméias. "O mais importante é que agora temos evidências de que as culturas transgênicas podem contaminar o mel", disse Pete Riley, da Friends of Earth.

O Estado


Europa pode ter 15% da colheita contaminada
A empresa líder no fornecimento mundial de sementes, a Pioneer Hi-Bred, declarou à rede britânica BBC que é bem possível que cerca de 15% da produção européia de milho esteja contaminada por material geneticamente modificado. A afirmação de que isso estaria acontecendo partiu do grupo ambientalista Greenpeace na última quarta-feira. As sementes usadas nas plantações teriam sido contaminadas por pólen saído de plantações de transgênicos próximas. Os ministros da Agricultura dos países europeus reúnem-se neste fim-de-semana em Portugal para discutir a questão. O representante britânico na reunião, Nick Brown, deseja que a União Européia adote uma política única para lidar com a possível infiltração de produtos geneticamente modificados no continente.

Scandal Pressures Europe to Set Labelling Standards for GM Seeds 
 
BRUSSELS, Belgium, May 29, 2000 (ENS) - The European Commission is under pressure to bring forward plans for a European Union law setting thresholds for labelling agricultural seeds as genetically modified (GM), following the revelation May 17 that batches of oilseed rape imported from Canada for cultivation were contaminated with GM seeds.

A draft directive should be proposed as soon as possible and not, as planned, at the end of the year, the European Seed Association (ESA) said today. Otherwise the European Union risks having no legal framework in place not only for this year's planting season but also for 2001.

According to the Commission, the new rules will follow European Union law for foods by setting a threshold above which seeds would have to be labelled as containing GM material. Similar rules set a threshold of one percent for foods.

Today, Greenpeace helped a German farmer cut down his oilseed crop that was tainted with genetically modified seeds. The banner reads "Danger Through Genetic Rapeseed. Farmers and Greenpeace Act Together. (Photos courtesy Greenpeace)

A spokesperson declined to comment on the exact level of threshold that would be proposed for seeds but stressed that "a lot of attention" was being given to labelling.

The European Seed Association is calling on the European Union to set differentiated thresholds for different seed types and end uses. If a crop is grown for human food, Garlich von Essen of the association said, then a threshold of under one percent might be appropriate.

But if a crop was grown for use as, say industrial lubricant, then such a strict threshold would not be justifiable.

The seed industry is also calling for interim measures to reduce legal uncertainty.

Advanta, the Canadian firm at the centre of the controversy over contaminated oilseed rape, said today that it had suggested to European Union governments that affected crops could be used for non-food use to avoid its customers suffering financially.

The company said that a voluntary one threshold introduced by the European maize (corn) seed industry could be extended to other crops.

The Swedish and French governments ordered the destruction of oilseed rape crops contaminated with low levels of genetically modified (GM) material on May 25, putting pressure on the UK, Germany and Norway to follow suit.

In a statement, the French prime minister's office recalled that no commercial cultivation of the crop species had been authorised because of risks of gene transfer to related plants. Steps had been taken to "preserve the interests" of the farmers concerned, the statement explained.

The UK government is telling farmers to plough up crops contaminated by genetically modified seeds after securing European Commission funding for affected farms.

In Luxembourg, meanwhile, the government announced on Friday that it had asked four farmers who had planted 33 hectares with the contaminated oilseed rape to destroy the crops. The government said it would compensate the farmers and that it hoped they would also take legal action against seed suppliers.

European environmental groups have continued to call for tough action by governments as the scandal has spread. Greenpeace has threatened court action in Germany and the UK, alleging that the contaminated crop planted constitutes an offence.

Greenpeacers in German farmer's oil seed rape field.

Greenpeace today helped a farmer to cut down five hectares of oil seed rape in southwestern Germany, shortly before it started to bloom. The field had been unwittingly planted with Advanta's seed in which genetically engineered and traditional seeds were mixed.

Greenpeace says the farmer will sue Advanta which imported the seeds from Canada. So far the German Ministry of Agriculture has not taken steps to make sure that the contaminated fields are destroyed and the farmers compensated by Advanta.

But the European Seed Association has rejected as spurious a claim made last week by Greenpeace that up to 15 percent of the European maize crop might be GM-contaminated. The association called on Greenpeace to "return to the facts and stop the publication of false interpretations."

Green Members of the European Parliament have called for the European Union to pass an immediate import ban on all GM commodities "until a proper EU-wide inspection procedure is brought in at all points of entry."

{Published in cooperation with ENDS Environment Daily, Europe's choice for environmental news. Environmental Data Services Ltd, London. Email: [email protected]}

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