Em 28/05/2000


O Globo, 27/05/00
Mais denúncias de propagação de transgênicos alarmam especialistas
O maior fornecedor de sementes do mundo, a americana Pioneer Hi-Breed, disse que pode ser verdadeira a estimativa de que até 15% do milho produzido na Europa e considerado normal seja geneticamente modificado. Especialistas em biossegurança, porém, alertam que as sucessivas denúncias de contaminação por transgênicos podem ser mais uma tentativa da indústria para induzir a idéia de que a entrada das culturas transgênicas é fato consumado e não dar alternativa a governos e consumidores, a não ser aceitar os alimentos geneticamente modificados.

Um porta-voz da Pioneer disse à rede BBC que é plausível que pólen de milho transgênico tenha fertilizado plantações normais. No início do mês, o diretor de assuntos internacionais da Associação Americana da Soja, Dwain L. Ford, disse ao jornal "The New York Times" que quase um terço da soja brasileira pode ser transgênico. Ford, porém, não apresentou um só dado que respaldasse sua afirmação.
O coordenador dos cursos de biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Silvio Valle, disse que o caso da soja brasileira é exemplar.

O Brasil é o segundo maior produtor do mundo e o primeiro de grão não transgênico, uma vez que os EUA, os maiores produtores, têm cerca de 60% de suas plantações alteradas. Com isso, caso não plante soja transgênica, o Brasil pode se tornar o principal fornecedor do mercado europeu e japonês, que rejeitam alimentos transgênicos.

Valle lembrou que as denúncias de que as plantações do Rio Grande Sul estariam gravemente contaminadas se mostraram infundadas após exames genéticos.

Outra denúncia de contaminação na Europa foi feita há poucos dias, quando a empresa Advanta disse ter vendido inadvertidamente sementes de colza transgênicas para Grã-Bretanha, França, Alemanha e Suécia.
Valle disse que ficou claro que não há segurança nas plantações de transgênicos da Europa, onde todos os cultivos são experimentais.

- É espantosa a falta de controle das plantações experimentais na Europa. Isso jamais poderia acontecer em testes, onde o controle deve ser sempre maior - disse.

A indústria de transgênicos tem insistido que suas plantas são inofensivas para o meio ambiente porque não haveria risco de polinização.

- Estamos vendo que o discurso sobre o controle era falacioso - observou Valle.

Ontem, ambientalistas fizeram protestos em França e Grã-Bretanha contra a falta de controle de transgênicos.

 

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