EUA prevêem falta de controle de transgênicos

Um novo relatório do governo americano sugere que será muito difícil impedir completamente que plantas e animais geneticamente modificados tenham efeitos não esperados no meio ambiente e na saúde pública. O documento é de autoria do Conselho de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O relatório afirma que, apesar de estarem em desenvolvimento técnicas com o objetivo de impedir que organismos geneticamente modificados ou seus genes se disseminem na natureza, a maioria delas não parece ser completamente eficaz.

Segundo informações do jornal New York Times, uma das preocupações quanto aos organismos transgênicos é que possam se espalhar pelo ambiente. Por exemplo, se um peixe que se desenvolve mais rapidamente, ao escapar para o ambiente, pode ter vantagem na disputa por comida e parceiros em relação aos animais naturais, provocando desequilíbrio ecológico.

Os genes das plantas que são resistentes aos agrotóxicos ou a insetos podem passar para plantas consideradas ervas daninhas, fazendo com que sua erradicação seja muito mais difícil. Os cientistas estão desenvolvendo um número cada vez maior de espécies geneticamente modificadas, salmões com super crescimento, mosquitos que não transmitem malária, milho que contém químicos da indústria farmacêutica e industrial.

Produtores gaúchos pagarão royalties à Monsanto

Os produtores gaúchos de soja fecharam acordo com a Monsanto, a empresa detentora dos direitos de patente da soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul, para o pagamento dos royalties. O valor cobrado pela empresa multinacional será de R$ 0,60 por saca de 60 quilos, segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Ezídio Pinheiro.

Estimativas da Fetag apontam que a safra gaúcha renderá entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões à Monsanto. Cerca de 1% desses recursos será revertido para entidades de pesquisa do Estado. O anúncio oficial sobre o acordo está previsto para amanhã, mas a Monsanto deve se manifestar sobre o acordo hoje, de acordo com o jornal Zero Hora.

O plantio da soja Roundup Ready está liberado provisoriamente no Brasil pela Medida Provisória 131, assinada em setembro de 2003, na safra 2004. As sementes que os produtores plantaram foram obtidas através de contrabando da Argentina, onde a venda de sementes transgênicas é legalizada, o que não ocorre no Brasil.

Após a assinatura da MP 131, muitos produtores manifestaram-se contra o pagamento de royalties à Monsanto devido a esta origem das sementes. A ameaça da Monsanto de embargar a comercialização dos grãos plantados no Estado pesou na concordância dos produtores gaúchos de pagarem as taxas à Monsanto. No ano passado, dois navios carregados com soja gaúcha foram ameaçados de não poder descarregar em portos dos Estados Unidos.

Também ajudou no convencimento dos produtores o anúncio de novas tecnologias por parte da Monsanto. Conforme porta-voz da indústria no Estado, a multinacional teria prontos para lançar no mercado grãos resistentes a lagarta e a seca e com mais proteína. Com o acordo, os gaúchos ficam aptos a receber esses produtos, ainda proibidos no país.

fonte: Jornal Terra em Quarta, 28 de janeiro de 2004, 12h47

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