Fátima Cleide denuncia pressões de monopólios em debate da Lei de Biossegurança

A senadora Fátima Cleide (PT-RO) denunciou a manipulação das pesquisas genéticas por interesses empresariais e até mesmo por produtores de cocaína, e pediu atenção ao Senado e à própria sociedade para o debate sobre a Lei Nacional de Biossegurança, que veio da Câmara dos Deputados, e que teve substitutivo aprovado na Comissão de Educação (CE). "A proposta do governo apresentada ao Congresso libera as pesquisas com embriões humanos descartadas em clínicas de fertilidade para a obtenção de células-tronco. Eu prefiro a versão proposta pela Comissão de Educação do Senado, que impõe limites para o uso das células-troncos e dos embriões humanos", disse a senadora.

Fátima Cleide alertou também que o debate em torno do projeto da Biossegurança está acontecendo sob forte pressão lobista das empresas e grupos interessados na liberação imediata da produção e cultivo de alimentos transgênicos, sem avaliação dos órgãos competentes dos ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio-Ambiente. A senadora citou pesquisas feitas por médicos italianos com ratos alimentados  com soja transgênica Round and Red, e que sofreram modificações no fígado e no pâncreas.

A senadora Fátima Cleide citou ainda reportagem publicada pelo Jornal do Brasil sobre os cultivos de folha de coca transgênica encontrados por agentes antinarcóticos colombianos. "As plantas de coca geneticamente modificadas são muito mais altas do que as normais, produzem mais por hectare e o percentual de cocaína que pode ser extraído delas é de 98%, contra um percentual inferior a 25% das plantas normais", explicou.

Para ela, o que vem prevalecendo é o interesse comercial no assunto. "O processo que está em curso tem por motivação predominante o monopólio da produção mundial de alimentos, por meio de sementes geneticamente modificadas, patenteadas por duas ou três grandes empresas transnacionais de agrotóxicos - sem qualquer compromisso ético, social ou ambiental", disse. Senado Federal,

Fonte:Agência Online, 27/08/2004 - Discursos

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