Efeito de transgênico na natureza continua ignorado

Após um ano e meio de estudos, cientistas americanos ainda estão divididos sobre a questão

CAROL KAESUK YOON, The New York Times

NOVA YORK - Há duas semanas, mais de uma década após o governo americano permitir a primeira liberação no meio ambiente de um organismo geneticamente modificado, os cientistas admitiram que ainda não sabem quais podem ser os efeitos dos transgênicos para a ecologia.

A conclusão, publicada na revista Science, levantou algumas questões-chave sobre os riscos envolvidos. Por exemplo, alguns cientistas estimaram que, para avaliar o risco em relação ao ambiente de um único organismo - por exemplo, se um tipo de milho alterado prejudica a borboleta monarca -, seriam precisos recursos entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, mais do que a quantia que o Departamento de Agricultura normalmente destina por ano para estudos de risco ambiental. Se as dúvidas não forem respondidas, para onde iremos?

As dúvidas quanto aos riscos surgiram quando organismos geneticamente alterados começaram a fazer seu caminho dos laboratórios para a consciência, pública no fim dos anos 80. Homens com roupas espaciais foram contratados para lançar os primeiros transgênicos no mundo: bactérias foram espargidas sobre morangos para protegê-los da geada. Logo depois, consumidores rejeitaram a primeira planta transgênica, o Flavr Savr, cujo único crime foi ser um gene estrangeiro com uma vida de prateleira mais longa.

Hoje, tais organismos parecem quase exóticos - o salmão transgênico atinge o tamanho de comercialização na metade do tempo normal e cabras modificadas fabricam proteínas do sangue humano no seu leite.

Um debate internacional surgiu em relação ao valor desses organismos, envolvendo personagens tão díspares quanto o Vaticano e o príncipe Charles.

Mas embora a biotecnologia se tenha adiantado, a habilidade dos cientistas em prever conseqüências para a natureza aparentemente não progrediu, segundo outro artigo na Science.

As questões sobre o milho e a borboleta monarca surgiram pela primeira vez em 1999, quando pesquisadores da Universidade Cornell mostraram que a larva da monarca morria no laboratório após comer o pólen do milho transgênico. O milho, que recebeu um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), produziu uma toxina que matou a broca-do-milho européia.


Risco - O milho e as monarcas são dois dos organismos mais estudados do planeta. Mas em novembro, após um ano e meio de investigação, cientistas reunidos perto de Chicago ainda não conseguiam definir a dimensão do risco do milho transgênico para as borboletas monarcas.

Uma das razões por que se sabe tão pouco sobre os riscos ecológicos é que os responsáveis pela regulamentação minimizaram alguns efeitos, entre os quais aqueles para espécies como a monarca - que não são benéficas para a agricultura nem protegidas como espécies em extinção. Mas o maior problema são as dificuldades, despesas e tempo inerentes ao entendimento das interações ecológicas.

Os biólogos tentaram descobrir se as larvas da monarca encontrariam o pólen do milho Bt na natureza. No outono, eles anunciaram que a maior parte do pólen tóxico é lançada no milharal. Se fosse improvável que as monarcas vivessem em milharais, como porta-vozes da indústria sugeriram, o impacto do novo cultivo poderia ser bem limitado. Mas, neste verão, pesquisadores descobriram que várias larvas de monarca vivem no algodão-do-campo encontrado nos milharais.

Para complicar, o risco para as monarcas parece variar segundo a localização, dependendo de quando o pólen é produzido e se há monarcas em abundância. Além disso, algumas variedade de milho Bt são mais tóxicas que outras. E o mais importante: outros cientistas descobriram que não é possível distinguir a sobrevivência das larvas da monarca no Bt e em milharais normais.

Outra complicação é que predadores matam a maioria das larvas. "Apenas de 2% a 5% delas sobrevivem", disse Rick Hellmich, entomologista da Iowa State University.

Assim, enquanto alguns tendem a concluir que o milho Bt impõe um risco indevido à monarca, outros dizem que, com tal índice de sobrevivência, mesmo as diferenças importantes entre essas taxas nos dois campos seriam mínimas, provavelmente exigindo estudos em escala bem maior para detectá-las.

Fonte:O Estado de São Paulo, Segunda-feira, 25 de dezembro de 2000



Gazeta Mercantil, 26/12/2000
Lauro Veiga Filho, de Goiânia

Agroceres multiplica produção por cinco

22 de Dezembro de 2000 - A Sementes Agroceres S/A, dona de 3,4% do mercado de sementes certificadas de milho no País e controlada pela gigante multinacional Monsanto, pretende triplicar sua fatia no próximo ano, passando a dominar 10,1% das vendas do produto. Para isso, está investindo R$ 21,726 milhões para simplesmente quintuplicar sua capacidade de produção no interior goiano, de onde abastece os mercados de Goiás (destino de 45% de sua produção), Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Maranhão, São Paulo e Rio Grande do Sul.

O projeto de investimento da Agroceres, que tem capital registrado de R$ 170,927 milhões, foi aprovado, na última quarta-feira, pela comissão executiva do Conselho Deliberativo do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás (Produzir). A empresa foi autorizada a utilizar, durante 15 anos, créditos de nada menos que R$ 68,063 milhões, três vezes mais o que investirá em Santa Helena (GO), referentes a 73% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) financiados pelo programa.

Para multiplicar sua capacidade de 300 mil sacas para 1,4 milhão de sacas de sementes híbridas de milho e sorgo (367% a mais) por ano, a Agroceres comprometeu-se a contratar mais 128 empregados para sua unidade implantada no sudoeste goiano, região mais fértil do Estado. O crescimento do plantio de sorgo e principalmente o avanço na área plantada com milho na safra 2000/2001 ajudam a explicar a decisão estratégica da empresa, que destina mais da metade da produção de sementes da planta de Santa Helena para outros Estados.

A Agroceres/Monsanto aposta claramente na capacidade de crescimento do mercado de sementes certificadas, segundo projeto aprovado pelo Produzir. O grupo estima que 36% da demanda por sementes de milho teria sido suprida, neste ano, por grãos sem certificação, o que corresponderia a um mercado potencial em torno de 5 milhões de sacas.

Além do crescimento da área de plantio, a Agroceres espera abocanhar, pelo menos parte daquele mercado subterrâneo. Incluindo o capital de giro, o investimento total na usina de beneficiamento de sementes de Santa Helena deverá consumir R$ 35,435 milhões. Após a expansão, a empresa espera uma receita operacional próxima de R$ 140 milhões por ano.


Jornal do Commercio, Recife - 25.12.2000 GENÉTICA

Código brasileiro impedirá o mau uso de informações

BRASÍLIA ­ Criar regras claras para a pesquisa biogenética para evitar o uso indevido de informações é um dos objetivos do código de ética que será criado para controlar a manipulação genética no Brasil.

Até março de 2001, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deverá ter pronta uma minuta do código.O estudo foi pedido à comissão pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg.

Outro objetivo da medida é tentar impedir a utilização indiscriminada de dados biotecnológicos gerados na Amazônia por laboratórios estrangeiros sem o controle do Governo brasileiro.

O Governo Federal teme a possibilidade de mau uso de informações genéticas descobertas com o avanço das pesquisas.

A intenção do Governo é evitar que os estudos que decifram o código genético das pessoas possam ser usados para prejudicar a população.

Um exemplo seria um plano de saúde usar o mapeamento genético para determinar o valor a mais que um cliente teria de pagar se houvesse risco de doenças sérias determinado pelo seu DNA. Ou uma empresa usar as mesmas informações para eliminar um possível candidato a funcionário.

O código faz parte do Programa Nacional de Biotecnologia, que será lançado em janeiro. O Ministério fará uma consulta pública sobre o programa para estudar sugestões de ações necessárias. 

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