Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados



CTNBIO FAZ EVENTO CONFUSO
 
Com o objetivo de "esclarecer a mídia" sobre o que é de fato transgênico, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) realizou em Brasília, dia 30 de agosto, workshop sob o tema "Biossegurança: uma proposta de divulgação". O evento foi um fracasso. O público era formado basicamente por assessores de ministérios (MCT e Saúde, principalmente), incluindo vasto plantel da própria CTNBio. Jornalistas a serviço de órgãos de imprensa eram poucos. E vieram e voltaram calados.

Na verdade, o workshop, com direito a coffe break, como eles dizem, foi montado com dois objetivos: dar uma resposta do Governo, especificamente da CTNBio, aos muitos ataques que tem recebido da imprensa; segundo, tentar fazer a cabeça dos jornalistas para que entendam o modo quase fanático com que a CTNBio tem se comportado em defesa dos transgênicos. Pelo visto, não deu certo. A meia dúzia de jornalistas que não era Governo não foi convencida.

Questões básicas ficaram sem resposta. Indagada sobre a ata da reunião que aprovou a liberação no país da soja Roundup Ready, em certo momento a assessora jurídica da CTNBio afirmou que era pública, depois disse que, por força de lei, não pode ser de conhecimento público o que se discute lá dentro. Foi observado porém que a Lei 8.974/95, que cria a CTNBio, estabelece que os membros estão proibidos de divulgar o que ocorre nas reunião, mas não órgão. Portanto, o sigilo é uma decisão da CTNBio. Por fim, a assessora afirmou que alguns trechos da ata poderiam ser liberados...

Que estudos dispõe a CTNBio sobre efeitos dos OGMs sobre a saúde e o meio ambiente no Brasil? A resposta é negativa. Genaro Ribeiro Paiva, membro da Comissão, representante da área vegetal, afirmou que os estudos surgiriam após a liberação da soja RR, quando se faria um monitoramento do plantio em escala comercial. O monitoramento seria feito pela própria interessada, a Monsanto, conforme parecer da CTNBio. Mas, conforme Genaro, a decisão do juiz Antonio Prudente, atendendo a uma ação do IDEC e Greenpeace, que pede EIA/RIMA antes de se plantar, impediu que se fizessem tais estudos. Na sua opinião o monitoramento corresponde ao EIA/RIMA.

Que significa isto? 1º) que a CTNBio não tem nenhum estudo feito no Brasil sobre saúde ou meio ambiente; 2º) que, numa atitude irresponsável, liberou a soja RR sem ter tais estudos; 3º) chamar o "monitoramento" da Monsanto de estudo, ou EIA/RIMA, é um absurdo.

A preocupação aparente da CTNBio e do Governo, é não perder o trem da história. Por várias vezes os expositores frisaram a necessidade de se continuar as pesquisas para se promover o avanço do país na área. Vasco Ariston Azevedo, membro da CTNBio, especialista na área vegetal, afirmou que "a moratória vai nos levar à escravidão tecnológica". A presidenta da CTNBio, Leila Oda, depois de bater na mesma tecla, afirmou: "temos confiança de que essa tecnologia não representa nenhum risco à saúde e ao meio ambiente". Baseada em que? Em estudos feitos lá fora, e no fato de milhões de pessoas no mundo estarem consumindo transgênicos e não apresentarem problemas. Na sua opinião, algumas pesquisas que mostram efeitos negativos no uso dos transgênicos (por exemplo, a morte de lagartas monarcas devido a ingestão de milho Bt) não valem porque foram feitas em laboratório e não no campo.

Segundo Leila Oda, a página da CTNBio na Internet, mostra a transparência do órgão. E contesta que haja uma defesa apaixonada dos transgênicos, ao ponto de ser anti-científica, omitindo estudos que mostram o outro lado. 
"Temos por exemplo, o texto da Academia Brasileira de Ciências", diz ela, esquecida que o texto é uma apologia aos OGMs...

Indagada sobre o fato dos próprios ruralistas questionarem a posição dos ministros de estado que se manifestaram em defesa dos transgênicos, a presidente da CTNBio não deu resposta. Também não conseguiu responder a pergunta de repórter sobre se era verdade que a CTNBio não sabia que o milho que desembarcava no Recife era transgênico.

Confuso, complicado, estabanado, o workshop promovido pela CTNBio não serviu para muita coisa. Serviu, talvez, para mostrar que o órgão não tem respostas às questões mais urgentes e que se encontra a serviço das empresas do setor. A CTNBio revela que não está cumprindo seu papel legal, que é dar biossegurança à sociedade. Não precisava juntar 36 especialistas para aprovar pareceres sem ter um só estudo feito no Brasil (como fizeram com a soja RR) - isso qualquer um faz. Não basta, também, alegar a neutralidade política e idoneidade da ciência para justificar atos desta natureza - o cientista, como qualquer pessoa humana comete erros, e pode estar a serviço de causas decentes ou indecentes. O fato de ser cientista não lhe dará supremacia de opinião. Agora, se nem a ciência está sendo utilizada pela CTNBio para avaliar os produtos que chegam ao país, o problema é sério, o problema é nacional.
 
Dioclécio Luz (assessor do Dep. Walter Pinheiro, Câmara dos Deputados, Brasília <dep.walterpinheiro@camara.gov.br>)

Fiscalização nas lavouras transgênicas é precária
 
Gazeta Mercantil, 25/09/2000 - Agribusiness (Com chamada de primeira página)

São Paulo, 25 de setembro de 2000 - O governo não sabe o que se passa em boa parte dos experimentos com transgênicos do Brasil. Apenas 40% das lavouras experimentais de plantas transgênicas estão sendo fiscalizadas e monitoradas este ano pelos agrônomos do Ministério da Agricultura, admite Paulo Borges, representante da pasta na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Para este ano, a comissão autorizou a realização de 59 experimentos com transgênicos, o menor número de liberações desde 1998, em função da não-autorização de testes em lavouras demonstrativas e de observação, que eram utilizadas pelas empresas para divulgar os transgênicos. A medida foi tomada em reação a questionamentos de técnicos do próprio ministério sobre a precariedade da fiscalização de transgênicos. 
Porém, a maioria dos testes de campo ainda continua desprovida de monitoramento e a CTNBio continua liberando a realização de lavouras experimentais.

fontes do governo federal levantam a suspeita de que irregularidades podem estar sendo encobertas por falta de vistorias dos agrônomos do Ministério da Agricultura, como o crescimento de plantas transgênicas após a colheita dos plantios experimentais. Não há corpo técnico alocado exclusivamente para a tarefa de fiscalização e monitoria dos plantios experimentais.

Cerca de 15 a 20 agrônomos desempenham a função de fiscalizar transgênicos no País, como uma entre diversas incumbências dos serviços de defesa sanitária vegetal do ministério, a exemplo de inspeção de cargas, emissão de certificados fitossanitários para exportação e acompanhamento da ocorrência de pragas e doenças. Até o primeiro semestre de 1999, somente 5% dos mais de 600 experimentos realizados desde 1997 tinham sido vistoriados pelos agrônomos. Como essas lavouras são destruídas após a colheita, simplesmente não se tem informação segura sobre o que de fato ocorreu na maioria dos testes de campo das companhias de biotecnologia e instituições públicas de pesquisa.

O representante do Ministério da Agricultura na CTNBio diz que não há um levantamento sobre o número de autos de infração aplicados nas fiscalizações dos experimentos, nem sabe informar se serão impostas penalidades sobre as empresas. 'Tenho defendido junto à CTNBio que se aprove uma legislação que defina melhor as penalidades.'

Borges espera que a restrição dos campos de teste a estações de pesquisa e lavouras experimentais amenize o problema da insuficiência profissionais para efetuar o acompanhamento dos transgênicos. Mas ele não sabe como dar uma solução definitiva e rápida para o problema.

Ele mesmo precisa dar conta de inúmeras questões que envolvem as planas alteradas, sem estrutura técnica de apoio, como os processos impetrados por organizações não-governamentais e Ministério Público contra a importação de transgênicos. Técnicos vêm solicitando profissionais que se dediquem com mais atenção ao assunto.

Conversas com técnicos das delegacias federais da Agricultura revelam que o trabalho de fiscalização de transgênicos prima pela precariedade. Em São Paulo, por exemplo, o agrônomo Jorge Luiz Basseto, do Serviço de Defesa Sanitária Vegetal, diz que 'há bom tempo não visitamos experimentos transgênicos'. Dois dos cinco profissionais da área cuidam do acompanhamento das lavouras com plantas alteradas geneticamente como mais uma das várias atribuições do órgão.

Basseto afirma que faltam incentivos do governo para a formação específica dos agrônomos em assuntos relacionados à biotecnologia. No início de agosto, o ministério realizou em Londrina (PR) o primeiro treinamento específico sobre fiscalização de lavouras transgênicas, com a participação de 40 técnicos de todo o Centro-Sul e do Nordeste. No evento, agrônomos das delegacias se ofereceram para auxiliar a tarefa de Borges na CTNBio, pois perceberam que há um descontrole em relação ao planejamento, levantamentos e acompanhamento de fiscalizações e infrações.

No Mato Grosso do Sul, o único agrônomo que cuidava também do assunto diz que este ano nenhum dos cerca de 40 experimentos foi visitado por ele porque não havia dinheiro para bancar as visitas. A ausência dos fiscais se deu justamente durante a fase de floração e colheita das culturas alteradas, período vital para as vistorias dos testes.

A tarefa de Celso Luiz Antoniolli, da defesa vegetal do ministério em São Paulo, foi mais bem-sucedida em 1999, quando visitou 70% dos 40 testes de campo. Do total de vistorias, metade recebeu apenas uma visita e o restante, duas. Ele, como todos técnicos ouvidos pela reportagem, seja na sede do ministério em Brasília, como nas delegacias federais nos estados, apontam que as lavouras de milho precisam de três a quatro visitas técnicas, pelo menos, porque a planta tem polinização cruzada, com seu pólen voando por até 250 metros, o que torna alto o risco de contaminação das lavouras convencionais pelos transgênicos.

Sem saber dar números precisos, o agrônomo Adailton Tomaz da Silva, da área de defesa vegetal em Uberlândia (MG), diz que já visitou muitas lavouras sem receber com antecedência o projeto de plantio transgênico da CTNBio. 
'Fica difícil verificar o seguimento dos procedimentos pela empresa sem o projeto na mão.' A maioria dos experimentos efetuados em lavouras instaladas em fazendas particulares não foi fiscalizada pela insuficiência de agrônomos em Minas Gerais. 
 
(Gazeta Mercantil/Página B16) (José Alberto Gonçalves)

Monsanto foi multada
 
Cuiabá e São Paulo, 25 de setembro de 2000 - A Monsanto foi autuada e multada em R$ 20 mil na semana passada por ter gerado descarte irregular de 12 toneladas de sementes e pluma de algodão transgênico nos experimentos desenvolvidos em sua estação experimental de Rondonópolis (MT).

Montados para testar a resistência ao glifosato (princípio ativo do Roundup) e a tolerância a insetos, com plantas Bt, a produção resultante do plantio de pouco mais de dois hectares deveria ser integralmente usada pela Monsanto em novos testes. Porém, o projeto da Monsanto aprovado pela CTNBio previa a utilização em novos testes de campo de somente 50 quilos de semente da colheita. A autorização da CTNBio assegurava o cultivo de até 16 hectares, tamanho de um plantio comercial.

As sobras foram enterradas pela empresa, contrariando recomendação dos fiscais da Delegacia Federal da Agricultura, que solicitou a visita de uma comissão federal. Nenhum funcionário da Monsanto estava na estação experimental, o que causou indignação. 'Foi um absurdo. A ausência é inaceitável', diz Paulo Borges, representante do Ministério da Agricultura na CTNBio. Ele também considerou excessivo o tamanho da área experimental, que não pode produzir sementes para plantio comercial, enquanto não for autorizado. Além da multa, a empresa foi obrigada a desenterrar o material e incinerá-lo.

A Monsanto informa que houve problema de comunicação com autoridades competentes. A empresa alega ter empregado produtos químicos para desativar a germinação do algodão transgênico, enterrando o material numa vala. O procedimento, informa a empresa, foi comunicado à CTNBio. 
 
(Gazeta Mercantil/Página B16) (Francisca Medeiros da Gazeta Mercantil Mato Grosso e José Alberto Gonçalves)

Descaso no campo faz milho alterado crescer
 
São Paulo, 25 de setembro de 2000 - Uma das grandes multinacionais de biotecnologia recebeu quatro autos de infração da Delegacia Federal do Ministério da Agricultura no Mato Grosso em janeiro passado por descuido no acompanhamento de lavouras colhidas de milho Bt, com genes da bactéria Bacillus thuringiensis. Até o momento, nenhuma penalidade foi aplicada à empresa, segundo fonte do governo federal.

Na prática, a empresa relaxou na segurança de seus experimentos, ao abandonar o campo de testes, enquanto sementes que sobraram da colheita cresciam até virar espigas. O procedimento correto é manter responsáveis técnicos e vigilância nas lavouras para efetuar a destruição de transgênicos que eventualmente germinem, a fim de evitar que pólens geneticamente modificados voem para plantios convencionais promovendo cruzamentos indesejáveis e transferindo genes da toxina produzida pelo Bt. 
O milho é uma das plantas que mais cuidado requer nos experimentos, pois sua polinização é cruzada, isto é, os pólens voam para outras plantas de milho.

Outra irregularidade apurada foi o descuido da companhia com o descarte de milho que não seria reutilizado em novo plantio. Ao invés de funcionários treinados segundo as normas de biossegurança destruírem as sobras de sementes, a destruição do milho colhido foi feita por trabalhadores da fazenda particular onde o experimento fora conduzido.

A empresa garantiu ao Ministério da Agricultura que todo o milho foi destruído, safando-se da aplicação de auto de infração. Mas o fato de não ter ela própria efetuado o descarte deixou dúvidas sobre a dispersão de parte do material por lavouras convencionais da região. 
 
(Gazeta Mercantil/Página B16) (José Alberto Gonçalves)

Caça aos grãos se intensifica no Sul
 
Porto Alegre e Londrina, 25 de setembro de 2000 - Vencido pelo governo federal na intenção de responder pela liberação e fiscalização dos experimentos com grãos modificados, o governo do Rio Grande do Sul conseguiu, pelo menos, alertar a comunidade econômica e científica mundial, que o cultivo em solo gaúcho não será bem-vindo, qualquer que seja a decisão da Justiça sobre a matéria.

O governo gaúcho editou cartilhas contra os transgênicos e ocupa uma página no site da Emater/RS para difundir idéias contrárias. 'Queremos o Rio Grande do Sul livre de transgênicos', disse o governo Olívio Dutra em entrevista à revista norte-americana Newsweek de julho. O governador gaúcho repetiu a frase na edição do francês Le Monde em 3 de agosto.

A pressão exercida pelo Rio Grande do Sul, desde que a matéria ganhou dimensão no Brasil, resultou na queima do primeiro experimento reconhecidamente mal implantado e fiscalizado. Em abril de 1999, depois de denunciado por irregularidades, o ensaio com 300 pés de arroz da AgrEvo, implantado na estação experimental do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), em Cachoeirinha, foi colhido e queimado por técnicos da própria CTNBio.

Os técnicos que fizeram a vistoria da área concluíram que o experimento estava fora dos padrões de segurança. A área não estava protegida por tela, nem por barreiras de ciclo tardio, e não obedeceu a distância mínima de 60 metros de outros tipos de vegetação.

A caça aos transgênicos levou o governo gaúcho, na mesma época, aos experimentos da Monsanto de 435 hectares de soja, em Santa Bárbara do Sul e Palmeira das Missões, que, pela extensão, foi considerado de interesse comercial. O grão foi colhido, depositado e lacrado. 'A posição rigorosa do governo desestimulou os testes no Rio Grande do Sul', acredita o secretário da Agricultura, José Hermeto Hofmann. Em 1999 foram apenas 24, sendo 18 de milho em Não-Me-Toque (Monsanto) e cinco em Santa Rosa (Pioneer). Em Pelotas, a AgrEvo pesquisou um grão resistente ao arroz vermelho, praga que prejudica o desenvolvimento da lavoura.

O chefe do setor de vigilância fitossanitária da delegacia do Ministério da Agricultura, José Ribamar Costa Junior, fiscalizou os experimentos da safra passada com apoio de seis assessores e garante que todos estavam de acordo com as normas da CTNBio. Para a safra 2000/2001 não há novas autorizações até agora, informou ele.

O Paraná também tem sido rigoroso quanto às normas de segurança que devem cercar os experimentos com transgênicos, que se iniciaram em 1997. Devido à proximidade do início de plantio da safra de verão deste ano, a Delegacia Federal do Ministério da Agricultura no Paraná, em campanha iniciada na semana passada, está coletando amostras de sementes em casas comerciais e em posse de agricultores em 15 regiões para serem analisadas no laboratório da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo Antonio Locatelli, chefe do Serviço de Sanidade Vegetal da Delegacia do Ministério da Agricultura, a ação visa evitar a entrada de sementes de culturas transgênicas no Paraná.

Mesmo antes dos resultados da análise das amostras, Locatelli não acredita que serão encontradas sementes irregulares, como ocorreu em uma propriedade do município de Vera Cruz do Oeste, no oeste paranaense, onde foram encontradas 136 sacas de sementes de soja argentina no início deste mês. 
 
(Gazeta Mercantil/Página B16) (Luiz Guimarães e Sílvio Oricolli)

Na Embrapa, um controle adequado
 
Brasília, 25 de setembro de 2000 - Os experimentos com produtos transgênicos realizados pelo Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) em Brasília, vinculado à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, é considerado modelo por parte dos técnicos da área, apesar das constantes críticas que vêm sendo feitas à fiscalização de produtos alterados geneticamente. O centro começou a fazer experiências com organismos alterados a partir de 1995 e trabalha, atualmente, com sete produtos.

Só um destes, no entanto - o mamão transgênico - possui autorização para o plantio, efetuado em dezembro de 2000 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Os demais ainda estão em fase de laboratório. A área plantada possui mil metros quadrados, é totalmente cercada e está localizada dentro da sede da Cenargen.

Para garantir a segurança do experimento, apenas duas pessoas possuem autorização para entrar no local, trancado com cadeado: um técnico e um dos geneticistas responsáveis pela experiência, explicou um dos diretores do centro, José Manoel Cabral de Souza Dias.

O plantio tem por objetivo a produção de sementes e a análise preliminar da resistência ao vírus da mancha anelar (o chamado PRSV, Papaya Rigspot virus), considerado a praga mais séria da cultura dessa planta em todo o mundo. E precisa ter duração de dois anos apenas. Após esse prazo, as plantas terão de ser eliminadas mediante corte e queimada feitos no próprio local.

Os cuidados fazem parte dos critérios estabelecidos pela legislação nacional de biossegurança e estão particularmente vinculados ao produto, cujo estudo encontra-se em grau mais avançado.

Além do mamão, o centro também trabalha com experiências de organismos geneticamente modificados da banana, batata, soja, algodão, feijão e alface, mas todos estas, feitas através de pesquisas em laboratórios. 
Segundo José Manoel Cabral, o trabalho envolveu parcerias no início, mas hoje é feito através de produtos pertencentes à própria Embrapa.

A entidade montou, ainda, quatro estufas apropriadas para a pesquisa com estes transgênicos, que foram dispostos de acordo com as condições ambientais, variáveis conforme o cultivo de cada semente e planta. Cada estufa possui formas diferentes de filtrar o ar das plantas e de disposição da água.

Outro fator importante de segurança do local de pesquisa é o controle de entrada e saída dos profissionais às áreas onde são realizados estes experimentos (existe uma média de três pesquisadores para o estudo de cada produto).

'Não permitimos o acesso das pessoas que não estejam envolvidas com as pesquisas em laboratório, mesmo sendo técnicos da casa. Mas isso também não quer dizer que nossa infra-estrutura seja rígida, do tipo que precise ter catraca em cada porta, por exemplo', afirmou Cabral.

O pesquisador da Embrapa disse que isso acontece porque no Cenargen, os estudos são feitos com 'organismos tipo 1' - tipificados assim porque não provocam malefícios à saúde humana.

José Manoel Cabral não soube precisar quanto a entidade investiu para montar todo esse sistema - laboratório, estufas e equipamentos -, já que os recursos foram liberados de forma gradativa. A próxima auditoria da CTNBio - que é realizada anualmente em cada entidade - no centro, está prevista para acontecer em outubro. 
 
(Gazeta Mercantil/Página B16) (Hylda Cavalcanti e Walter Sotomayor da Gazeta Mercantil)Distrito Federal) 

Gazeta Mercantil, 25/09/2000
 
25 de setembro de 2000 - Um laboratório de Porto Alegre se prepara para analisar sementes de feijão geneticamente modificado (OGM). Fará testes de alergicidade. A CTNBio quer saber qual é o grau de alergia provocado pelo feijão transgênico cozido. O grão do OGM contém o aminoácido metionina, isolado da castanha do Pará. A pesquisa melhora a condição alimentar do feijão. Havia suspeitas de que alérgicos à castanha poderiam sofrer crises ao consumir o grão alterado. As dúvidas foram levantadas quando surgiu a pesquisa da soja com metionina. A CTNBio quer comprovar a inofensividade do feijão para pesquisar variedades comerciais. 
 
(Gazeta Mercantil/Página A8) 

EUA tentam evitar 'discriminacao genetica'
 
Julian Borger escreve para "The Guardian" e "O Estado de SP":

Terri Seargeant devia ser uma historia de sucesso cientifico. Uma falha genetica torna-a suscetivel a paradas respiratorias. A descoberta pode salvar sua vida, mas fez com que perdesse o emprego.

Em 99, ela foi demitida da seguradora onde trabalhava porque foi considerada "um risco". Foi o primeiro caso de discriminacao genetica dos EUA.

Terri pensava ser alergica, mas descobriu ser portadora da deficiência Alfa 1, que, se nao tratada, corroi os pulmoes. A doenca pode ser estabilizada por uma combinacao de remedios, dieta e exercicios.

Terri achou que teve sorte com o diagnostico precoce, mas ao informar a empresa - que tambem cuidava da saude dos funcionarios -, viu que nao era bem assim. Foi demitida poucos dias depois.

Centenas de americanos estao perdendo o emprego ou o seguro-saude por causa dos avancos da genetica. A situacao chamou a atencao do comissario do governo para oportunidades iguais de emprego, Paul Miller, que exige a adocao de medidas rigorosas contra a discriminacao genetica.

"E' ilegal recusar emprego a uma pessoa por causa de raca, sexo ou informacoes geneticas, sem levar em conta sua capacidade de trabalho", escreveu Miller no Journal of Health Care Law & Policy.

Defensores dos direitos civis temem que, se tais praticas se desenvolverem no mesmo ritmo da corrida para decifrar o genoma humano, em breve havera' uma "subclasse" de pessoas que nao conseguirao emprego por causa de seus genes.

Cientistas, porem, advertem que, com o tempo, esses exames vao mostrar que todo mundo tem um "defeitinho" em seus genes e as praticas discriminatorias vao cair em desuso. O problema e' o que fazer ate' la'.

Em levantamento feito pelo Centro Shriver de Saude Publica em Massachusetts, foram relatados 582 casos de pessoas discriminadas por "falhas" em seus genes.

A organizacao Conselho para Genetica Responsavel (CGR) documentou mais de 200 casos de discriminacao genetica. Mas isso e' so' a ponta do iceberg.

As grandes empresas nao anunciam que fazem esses testes e os prejudicados nao as denunciam, temendo discriminacao ainda maior. Kim, uma assistente social, contou numa reuniao que sua mae morrera de mal de Huntington - o que da' a ela 50% de risco de ter a doenca. Uma semana depois, ela foi demitida.

Em outro caso, uma mulher de 40 anos com carreira exemplar aceitou participar de uma pesquisa genetica. O teste apontou a presenca do BRCA1, gene associado a alguns tipos de cancer da mama e dos ovarios. Apesar de passar por cirurgia preventiva, ela perdeu o seguro-saude e o emprego.

Miller esta' pedindo nova legislacao para impedir que empregadores e seguradoras tenham acesso a informacoes geneticas e utilizem esses dados como criterio para contratar e demitir. Mas o lobby de empresas e seguradoras ja' esta' agindo para impedir o Congresso de aprovar legislacao nesse sentido. 
 
(O Estado de SP, 20/9)

Greenpeace lança novo site sobre transgênicos Internautas poderão participar de campanhas virtuais São Paulo , 25 de setembro de 2000
 

O Greenpeace lança hoje, em parceria com o portal Terra, um novo site da sua campanha "Transgênicos no meu prato, não!", cujo objetivo é alertar a população sobre os riscos dos alimentos geneticamente modificados e a sua ilegalidade no país. O endereço é 
<http://greenpeace.terra.com.br/transgênicos>.

No site há informações sobre o tema, diversos arquivos para download, perguntas e respostas, uma área com dicas, além da seção de cyber-ativismo, na qual os internautas poderão participar de campanhas virtuais para pressionar as empresas de alimentos a não usar transgênicos em sua linha de fabricação.

A campanha "Transgênicos no meu prato, não!" vai se estender ao longo dos próximos meses, com atividades em várias cidades brasileiras, além da internet (1). Um dos alvos da campanha é a empresa Knorr, em cujos produtos foram encontrados componentes transgênicos em dois testes realizados este ano. Os consumidores poderão enviar para a empresa cartões postais exigindo a não utilização de componentes geneticamente modificados em seus produtos. 
Há também uma versão virtual destes cartões no site do Greenpeace.

"Além de insistir em usar um produto ilegal no país, a Knorr está oferecendo aos seus consumidores um duplo padrão de qualidade", diz Mariana Paoli, Coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. "Na Europa, a empresa vende alimentos livre de transgênicos. Por que, então, tratar o consumidor brasileiro como de segunda classe? A Knorr deve parar imediatamente a utilização de ingredientes transgênicos."

Em junho deste ano, o Greenpeace havia divulgado, junto com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), uma lista de 11 produtos contaminados com transgênicos, entre eles, o creme de milho verde da Knorr. No último dia 20 de setembro, a entidade ambientalista divulgou uma nova lista de alimentos contaminados por transgênicos, na qual aparecia mais um produto da Knorr, desta vez o sopão de galinha. Também foi detectada a presença de soja geneticamente modificada Roundup Ready, da Monsanto, e milho transgênico Bt 176, da Novartis, na sopa de galinha "Pokemón" da Arisco, Ovomaltine cereais e fibras da Novartis e mistura para bolo de chocolate da Sadia.

A Comercialização de transgênicos não está permitida no país. Segundo a lei de Biossegurança, para o cultivo importação e comercialização de transgênicos é necessário um parecer técnico conclusivo da CTN-Bio e a autorização dos Ministérios de Agricultura, Meio Ambiente e Saúde. "Os brasileiros estão consumindo transgênicos sem saber. A comercialização destes produtos no país é ilegal e o direito de escolha não está sendo respeitado", diz Mariana Paoli. "Queremos que a população tenha acesso à informação correta sobre o que está comendo e seja alertada para o risco representado pelos transgênicos".

Notas:

(1) A campanha "Transgênicos no meu prato, não!" tem o apoio da rede "Campanha Brasil Livre de Transgênicos", que reúne ONGs e pessoas de todo o Brasil na luta contra a introdução no país de alimentos geneticamente modificados e é coordenada pelas ONGs Action Aid, ASPTA, Esplar, Fase, Idec, Inesc e Greenpeace.

(2) Algumas das possíveis conseqüências à saúde humana e ao meio ambiente do uso de transgênicos registradas por cientistas são o empobrecimento da biodiversidade, a eliminação de insetos que não são alvo da agricultura da agricultura, o aumento da contaminação de solos e corpos d'água devido à intensificação do uso de agrotóxicos e desenvolvimento de plantas e animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos. 
 

TRANSGÊNICO:MAIORIA/CONSUMIDORES BRITÂNICOS É CONTRA USO EM RAÇÃO
 
São Paulo, 25 - A maior parte dos consumidores é contra os produtos derivados de animais que foram alimentados com safras geneticamente modificadas, de acordo com um estudo realizado pelo Greenpeace e divulgado nesta segunda-feira. A organização mostrou que 67% dos entrevistados acham que o uso de produtos transgênicos na ração de animais não deve continuar. 
Além disso, 90% dos consumidores questionados defendem a rotulagem de ovos, carnes e leites derivados de animais alimentados com geneticamente alterados. O Greenpeace entrevistou por telefone 1.001 britânicos com mais de 15 anos de idade entre 1º e 3 de setembro.

Ainda segundo o estudo, os consumidores que são a favor das safras transgênicas ressaltaram que não há evidências de que a ração geneticamente modificada é prejudicial aos animais ou à qualidade dos produtos. "Alguns dos oponentes acham que é necessário criar uma controvérsia, quando não há provas científicas de que os transgênicos são prejudiciais aos consumidores", disse Vivian Moses, presidente da empresa de biotecnologia CropGen.

No entanto, algumas redes de supermercados do Reino Unidos já estão respondendo à pesquisa. A rede de congelados Iceland, por exemplo, disse que seus animais não serão mais alimentados com transgênicos a partir deste mês. O Greenpeace disse que outras redes, como Tesco, Sainsbury, Marks & Spencer e Co-Oo estão estudando maneiras de retirar os ingredientes geneticamente modificados da ração dos animais de seus fornecedores. As informações são da Dow Jones. 
 
(Karina Luccas)

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