Nem Cristo pode evitar o plantio, afirma produtor

LÉO GERCHMANN, DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

O presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Carlos Sperotto, afirmou ontem que, no Rio Grande do Sul, o plantio de sementes transgênicas é irreversível. Jamais cessará.

"Estamos preocupados com a colheita deste ano. Aqui no Rio Grande do Sul, há a consciência de que a utilização de transgênicos é irreversível", afirmou.

De acordo com o presidente da Farsul, que é a entidade representativa dos produtores rurais gaúchos (uma das mais importantes do país), "nem Jesus Cristo poderia evitar a continuidade do plantio de transgênicos".

Rotulagem

Sperotto defende a utilização de rotulagem, para que as pessoas tenham a opção de consumir alimentos transgênicos ou não.

"O consumidor não sabe o que está consumindo. Pouquíssimos produtos são rotulados", afirma. Cerca de metade da soja produzida no Rio Grande do Sul, na sua maioria transgênica, já foi comercializada.

A proposta da Farsul, que deverá ser encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é liberar o cultivo da soja transgênica por dois anos.

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O Estado de São Paulo, Quarta-feira, 25 de junho de 2003
http://www.estado.com.br/editorias/2003/06/25/ger006.html

Agricultores do Sul vão continuar com o plantio

ELDER OGLIARI

PORTO ALEGRE - Se o governo federal confirmar a proibição ao plantio de soja transgênica neste ano, vai enfrentar a desobediência de grande parte dos produtores rurais do Rio Grande do Sul. Os agricultores não querem desistir das vantagens econômicas proporcionadas pelos organismos geneticamente modificados nem teriam sementes convencionais para retornar aos métodos anteriores.

"A sensação é de irreversibilidade", diz o presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, referindo-se à decisão de seguir plantando transgênicos que constata entre os produtores associados à entidade. "O sentimento que temos é de que, proibida ou não, a soja transgênica será plantada", relata o agrônomo Cesar Antônio Mayer Carlotto, presidente do Clube Amigos da Terra de Júlio de Castilhos. "E o problema que tivemos neste ano se repetirá em 2004", complementa.

Sugestão - Para resolver o problema das sementes, a Farsul vai sugerir que o sistema atual seja mantido por mais dois anos. Os agricultores guardam suas sementes da colheita para a próxima safra ou, ao comprá-las, não exigem certificação de origem. Com o prazo, a Embrapa teria tempo para multiplicar as variedades resultantes de suas pesquisas. "A partir daí todas as sementes deverão ser de origem conhecida", prevê Sperotto.

fonte:Folha de São Paulo, quarta-feira, 25 de junho de 2003

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