Notícias publicadas ou recebidas em 25/06/2000
Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados

Notícias publicadas ou recebidas em 25/06/2000


Transgênicos mobilizam o Brasil
 
A iniciativa de cooperativas e governos estaduais para rotular seus grãos como não-transgênicos mostra que o produtor brasileiro e as autoridades estão conscientes de que o mercado internacional quer os produtos livres de modificação genética. A conclusão faz parte de um estudo do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). 'Os próprios estados estão agindo sobre as determinações do mercado', afirma a coordenador executiva do instituto, a agrônoma Maria Helena Lazzarini.

O Mato Grosso do Sul já analisou 1.385 amostras de soja, em um programa para garantir que seus grãos estejam livres dos transgênicos. No Paraná, três cooperativas criaram um programa de verificação por amostragem nas cargas dos caminhões que estão embarcando a soja em Paranaguá. Só o Rio Grande do Sul fez mais de 4 mil testes em grãos. 'Numa avaliação puramente comercial, sem entrar nos méritos da saúde e do meio ambiente, está claro que, se houver uma política de segregação de áreas produtoras de transgênicos, o país precisa estabelecer regras muito claras de modo a garantir os mercados internacionais', diz Maria Helena.

Um estudo recente da Associação dos Produtores de Soja ainda mostrou que, sem os organismos geneticamente modificados, a produção de soja no Brasil cresceu 15% na última década, contra 3% nos campos de grãos transgênicos dos EUA.

 
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 25 DE JUNHO DE 2000

Transgênicos assustam consumidores
 
Alimentos geneticamente modificados são vendidos sem controle e sem que se conheça seus efeitos Mônica Santos Você já consumiu transgênicos? Se a resposta for negativa, pode não estar de todo errado, mas hoje é difícil afirmar com certeza que os alimentos colocados na mesa não contenham ingredientes geneticamente modificados. Pelo menos mais de 60% da soja americana e 90% da Argentina (transformados em alimentos industrializados) são transgênicos. Além do cultivo e comercialização atual de uma série desses produtos, envolvendo milho, algodão, trigo, canola, batata e outros hortigranjeiros. O cheiro, sabor e a aparência também são os mesmos. Então, a grande dúvida que paira e tem fermentado a polêmica em cima desses alimentos é se a médio e longo prazos poderão trazer ou não algum mal à saúde humana e ao meio ambiente. Os institutos de defesa do consumidor e ambientalistas alegam que não existem pesquisas suficientes garantindo que esses alimentos não fazem mal à saúde. Pode até se questionar a existência de tantos outros produtos que o homem ingere sem saber a sua origem e com excesso de agrotóxicos, porque os transgênicos fariam mal? Essa é uma tecnologia muito nova, segundo a presidente do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazarini, e até hoje embasada nos benefícios apontados pelos próprios fabricantes. Precisamos de um maior número de testes com as sementes transgênicas e que os dados sejam confirmados por equipes independentes daquelas contratadas pelas empresas, a fim de assegurar a fidedignidade dos resultados , diz a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professora Glaci Zancan. Segundo ela, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou, por exemplo, a produção da soja transgênica da Monsanto no País (suspensa sob ação judicial) com base nos resultados de experimentos feitos somente nos Estados Unidos. Genética Mas apesar de toda a polêmica, os transgênicos são liberados em escala comercial não somente nos EUA e Argentina, bem como no Canadá e avançam na China. E parece que, também, no Brasil, sem qualquer controle por parte do governo federal. Pelo menos é o que demonstram os testes realizados em 42 produtos nos laboratórios da Suíça e Áustria, acusando a presença de transgênicos em dez deles, grande parte destinada ao público infantil como Nestogeno, Soymilk e Supra Soy. O que fazer? Pergunta a mãe de Yuri, Rosânia Alves da Silva, após verificar na lista de produtos com transgênicos o Soymilk, justamente o leite em pó de soja escolhido para seu filho, que tem alergia ao leite de vaca. Precisamos de maiores informações . Supermercados mantêm produtos nas gôndolas Apesar da divulgação de dez produtos contendo transgênicos na última terça-feira pelo Greenpeace e Idec, os supermercados não retiraram os alimentos das prateleiras e somente com uma ordem da Justiça é que isso poderá ocorrer. Essa é a posição do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, dizendo-se surpreso com a divulgação dos testes, assim como os consumidores. Não estamos discutindo a retirada dos produtos das prateleiras, pois os mesmos foram liberados pelo Ministério da Agricultura e Saúde para comercialização , afirma. Caberia, então, ao governo, a iniciativa de mandar ou não retirar os produtos das prateleiras, diz. Porém, José Humberto defende a rotulagem dos produtos na fábrica, a fim de dar maiores informações aos consumidores. Para José Humberto é preciso que a CTNBio, como órgão centralizador das discussões, estabeleça um código de normas, a fim de reger a comercialização dos artigos geneticamente modificados. Segundo ele, a Abras é contra qualquer proibição ou restrição ao comércio desses alimentos sem o devido fundamento científico, até porque já tem em suas lojas artigos geneticamente modificados, como o chester e o buster, ambos de largo consumo. Hortigranjeiros O casal Rúbia e Gentil Oliveira que estavam fazendo compras na quinta-feira passada, no Extra, estão preocupados com os transgênicos. Como não consome muitos alimentos industriais, Rúbia estava mais preocupada com os hortigranjeiros, que já contam também com sementes transgênicas. Quando compro um tomate procuro olhar bem e se fico desconfiada não levo , afirma. Uma das poucas pesquisas identificando problemas com o consumo de mutantes foi divulgada em fevereiro do ano passado, na Escócia, do pesquisador Arpad Pusztai, apontando alterações nos ratos alimentados com batata transgênica. Eles cresceram menos e tiveram a parede do estômago dilatada, além de se tornarem menos resistentes a infecções. Recentemente, a Monsanto foi praticamente obrigada a informar ao governo britânico que detectou dois fragmentos de genes imprevistos na soja Roundup Ready, o que determinará uma reavaliação das autorizações feitas em diversos países. Se ainda há dúvidas, é aconselhável fazer novos testes , admitiu um integrante da CTNBio. Liminar pode definir questão no País É difícil prever o que ocorrerá com os alimentos transgênicos, diante da fase atual, onde não se chegou a um consenso definitivo sobre malefícios ou não à saúde. Um passo será dado neste sentido no Brasil, na próxima quarta-feira, quando será julgada a liminar conseguida pela Greenpeace e o Idec, que suspendeu a autorização dada à Monsanto pela CTNBio, para a multiplicação e comercialização da semente de soja transgênica no País. Até o momento, a CTNBio liberou campos de experimentação com transgênicos no País, mas não a multiplicação e comercialização da semente. Na quarta-feira, porém, a liminar será julgada e talvez isso dará o norte para a questão no País. Mas mesmo que seja autorizada a venda de semente transgênica, o projeto dependerá de autorização do Ministério da Saúde e Meio Ambiente. Pelo menos assim, teremos maior segurança quanto ao controle dos riscos dos transgênicos , afirma a coordenadora da campanha de Engenharia Genética da Greenpeace, Mariana Paoli. Segundo ela, o governo federal também se encontra dividido em relação aos transgênicos: os ministérios da Agricultura e Ciência e Tecnologia são favoráveis aos mutantes e os ministérios da Saúde e Meio Ambiente assumem uma posição contrária. Riscos Já com relação aos riscos à saúde, o coordenador de Biotecnologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Maurílio Alves Moreira, diz que até o momento o consumo desses alimentos não trouxe qualquer problema. Mas não se pode garantir o que ocorrerá daqui a dez anos. Pelo conhecimento de hoje, os transgênicos não contêm os riscos que estão sendo propagados , afirma. Mesmo que ocorra uma diminuição dos plantios nos Estados Unidos, ela é muito mais comercial do que de saúde ou ambiental. O economista chefe da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Márcio Carvalho, diz que a tendência dos transgênicos é a rotulagem. Ele não acredita numa reversão desses plantios, mas sim de sua segmentação tanto na produção agrícola quanto nas gôndolas dos supermercados. Os estudos indicam que os custos de produção da soja transgênica é menor em 30% na comparação com a tradicional. A produção de transgênico seria também uma forma de dar sustentação à de orgânicos, dando escolha ao consumidor, afirma.
 
Estado de mInas, 25/06/2000 http://www.estaminas.com.br/em.html

Biotecnologia mineira obtém espaço nos EUA
 
A Biobrás, com escritórios em Belo Horizonte e laboratórios em Montes Claros, obteve do órgão oficial de patentes dos Estados Unidos (United States Patent and Trade Office) o reconhecimento da propriedade intelectual para produção industrial de insulina humana pela técnica de engenharia genética. A patente de número 6.068.993, publicada em 30 de maio, se refere à técnica do DNA recombinante. O presidente da Biobrás, Roberto Antônio Pinto de Melo Carvalho, explica que o processo libera a Biobrás da importação do pâncreas suíno, utilizado para a produção da insulina pela tecnologia de conversão enzimática. A Biobrás consome mais de duas mil toneladas dessa matéria-prima por ano, em sua maioria importada dos Estados Unidos. O uso da técnica de engenharia genética dispensa o pâncreas suíno, ampliando a possibilidade de produção em função da demanda e permitindo a expansão da atuação da Biobrás como fornecedora internacional de insulina. US$ 34 milhões Roberto Carvalho informa que o grupo mineiro está firmando parcerias com empresas que gozam de bom posicionamento mercadológico para produção e ampliação da venda da insulina no mercado mundial. A pesquisa envolveu US$ 10 milhões e 10 anos de investigação e em função dela serão aplicados mais US$ 34 milhões na modernização industrial da unidade da Biobrás no Norte de Minas. O coordenador do Projeto de Insulina Humana Recombinante da Biobrás, Luciano Vilela, explica que de posse da patente a Biobrás tem o direito de não permitir que outros utilizem o processo desenvolvido pela empresa. A receita de bolo da Biobrás é um processo mais curto, mais econômico, que não utiliza reagentes tóxicos ao meio-ambiente e pode ser usado para produção de outras proteínas terapêuticas, além da insulina
 
Estado de Minas, 25/06/2000 http://www.estaminas.com.br/em.html

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