Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados

Mensagem  de 24/11/00

 

Avipal cria nova base de exportação
 
Porto Alegre, 24 de novembro de 2000 - O abatedouro da Avipal localizado na zona sul de Porto Alegre, no bairro Cavalhada, será transformado em base de exportação. A decisão atende aos interesses da empresa em dois sentidos. Ao mesmo tempo em que evita o fechamento da unidade e a transferência das operações para Lajeado, oferece suporte logístico ao programa de expansão dos negócios externos, uma das principais metas traçadas pelo controlador Shan Ban Chun para 2001.

A unidade estava ameaçada de fechamento por limitações ambientais. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) autoriza a utilização de apenas metade da capacidade de abate, ou 60 mil cabeças ao dia, para equilibrar o lançamento de efluentes e a geração de rejeitos sólidos. Como plataforma exportadora, e empresa poderá até aumentar o abate na planta porque as aves produzidas para o mercado externo são menores e geram menos quantidade de matéria orgânica descartável por frango abatido.

A empresa não fez as contas ainda sobre a receita que deverá agregar com o plano de exportação, mas quer deixar para trás o resultado insignificante de R$ 30 milhões do ano passado em vendas externas, menos de 3% do faturamento consolidado de R$ 1,1 bilhão. Atualmente, os embarques da Avipal estão concentrados na Argentina e em pequenos nichos asiáticos.

'Estamos prospectando oportunidades em todos os continentes', disse o diretor de relações com o mercado, Francisco Ávila. Na semana passada, a Avipal foi credenciada pela missão russa que inspeciona frigoríficos gaúchos para exportar produtos suínos. Nosso grande interesse, no entanto, é crescer na exportação de aves', explica.

No plano administrativo, a empresa também passa por transformações. Depois de comprar no começo do ano a fatia do irmão Shen Ban Yuen (32,47% das ações ordinárias), o controlador Shan Ban Chun deu posse ontem aos filhos Warren Shi How Shan e Natali Shi Wai Shan no conselho de administração, concentrado as decisões na família.

 Nos negócios internos, a ênfase está concentrada no braço lácteo da Avipal, representado pela controlada Elegê Alimentos. A empresa aumentou em 100% a produção e distribuição de leite longa vida este ano, crescendo de 900 mil litros/dia para 1,8 milhão de litros/dia, passando para segundo lugar no ranking brasileiro do segmento, atrás apenas da Parmalat. Em captação a empresa é a quinta do País.

  A participação dos lácteos na receita total da empresa cresceu de 40,4% de janeiro a setembro de 1999 para 51,7% no mesmo período de 2000, ultrapassando a área de carnes. A empresa encerrou o terceiro trimestre do ano com receita bruta de R$ 862,6 milhões, 2% acima dos resultados do ano passado, e com R$ 17,3 milhões de lucro líquido, em relação ao prejuízo de R$ 3,3 milhões em 1999.

 No ano passado, os resultados refletiram a desvalorização do real. As despesas financeiras de R$ 156,6 milhões até setembro de 1999, quase todas decorrentes de adiantamentos de contratos de câmbios (ACC), caíram para R$ 48,8 milhões de janeiro a setembro de 2000, aliviando os custos, explica Ávila.

  No segmento de frangos para o mercado interno, a empresa gaúcha pretende manter seu perfil voltado a aves inteiras e cortes. O maior abatedouro da Avipal, com processamento de 270 mil aves por dia, está situado em Lajeado. Atualmente, a unidade de Porto Alegre abate 60 mil e a de Dourados, no Mato Grosso do Sul, outros 150 mil, totalizando 480 mil cabeças por dia. (Gazeta Mercantil/Página B16) (Luiz Guimarães) 

 
Gazeta Mercantil, 24/11/2000

Problemas com fungicida da Aventis
 
  São Paulo, 24 de novembro de 2000 - A Aventis identificou a causa do problema ocorrido em seu fungicida, o Rhodiauram SC, que arruinou centenas de lavouras de soja do País e trouxe prejuízo até agora de US$ 10 milhões à empresa. Segundo comunicado oficial divulgado pela companhia, o Rhodiauram SC, que tem como princípio ativo o 'thiram', foi misturado acidentalmente, durante sua formulação, ao ingrediente ativo 'bromuconazole', outro fungicida fabricado pela indústria e comercializado no mercado com o nome de Condor 200 SC.

Jurandir Paccini Neto, gerente de marketing da companhia, diz que os dois fungicidas têm aplicações distintas. 'Enquanto o Rhodiauram é usado no tratamento de sementes, o Condor é direcionado para a pulverização das folhas', explica. O contato do princípio ativo 'bromuconazole' com a semente trouxe resultado desastroso às lavouras, como a redução do poder de germinação e deformações nas raízes da planta.

 Neto afirma que o Rhodiauram SC foi aplicando em 4 milhões de hectares, mas apenas 70 mil apresentaram problemas. Alguns produtores, porém, acreditam que o fungicida causou danos maiores que os apontados pela empresa. (Gazeta Mercantil/Página B16) (Denis Cardoso)

 
Gazeta Mercantil, 24/11/2000

RS volta a fiscalizar transgênicos
 
Porto Alegre e Brasília, 24 de novembro de 2000 - O governo gaúcho voltará a fiscalizar o cultivo e as atividades envolvendo organismos geneticamente modificados. O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar suspendendo uma lei estadual, de iniciativa do Legislativo, que restringia a fiscalização pelo governo do Rio Grande do Sul. A lei no. 11.463, de 17 de abril de 2000, que proibia as ações do governo, foi promulgada pelo presidente da Assembléia Legislativa gaúcha, depois de rejeitada pelo executivo.

A decisão do STF atende pedido da Procuradoria Geral do Estado a uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada em agosto deste ano. Na ação, o governo destaca que a lei impedia o exercício de competências constitucionais do estado.

 A lei aprovada pelo Legislativo do Rio Grande do Sul estabelecia que o cultivo comercial e as atividades com organismos geneticamente modificados no estado, bem como os aspectos ambientais e de fiscalização, deveriam obedecer estritamente à legislação federal específica. Mas os ministros do STF consideraram que o estado não pode baixar uma lei remetendo genericamente a uma lei federal, sem especificar qual seria ela. (Gazeta Mercantil/Página B16) (Luiz Guimarães e Márcia Quadros)

 
Gazeta Mercantil, 24/11/2000

Para governo federal, rotulagem de transgênicos não é prioridade
 
DO ENVIADO ESPECIAL

A publicação da portaria interministerial sobre a rotulagem dos transgênicos não é uma questão urgente para o governo. Ela depende de uma reunião, sem data marcada, entre os ministros de Agricultura, Ciência e Tecnologia, Saúde e Justiça, para acertar detalhes técnicos do texto final.

"Não há motivos para correr com isso, já que não existe nenhum transgênico aprovado para consumo humano no Brasil", diz a assessora do Ministério da Ciência e Tecnologia Simone Scholze.

Deverão ser rotulados os produtos que contenham OGMs (organismos geneticamente modificados), mas não seus derivados.

"Ninguém vai rotular a batata Pringles (produto à venda no Brasil em que se detectaram OGMs), nem o frango que comeu milho transgênico, pois não há traços detectáveis de DNA neles", diz.

Para o MCT, a rotulagem dos derivados é um processo caro, que exige a análise de toda a cadeia de produção industrial.

Para rotular esses derivados, seria preciso segregar todos os organismos transgênicos dos não-transgênicos, desde o momento do plantio até armazenagem, transporte e processamento.

OGMs serão rotulados caso a caso, à medida que forem liberados pela CTNBio. O primeiro deverá ser a soja Roundup Ready, da Monsanto, que tem parecer favorável da comissão, contestado na Justiça pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

"Rotulagem não é atestado de segurança", advertiu Lúcia Aleixo, secretária-executiva da CTNBio. "É direito do consumidor. O que garante a segurança é a liberação pela comissão." (CA)

 
Folha de São Paulo, sexta-feira, 24 de novembro de 2000

Resoluções aprovadas no final do Seminário Internacional sobre Agroecologia, realizado em Porto Alegre, RS, de 20-22 de novembro de 2000: CARTA AGROECOLÓGICA 2000
 
Os 1090 participantes inscritos no I Seminário Internacional sobre Agroecologia, II Seminário Estadual sobre Agroecologia e II Encontro Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia, reunidos no Clube Farrapos, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil),  nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2000, consideram que o equacionamento dos problemas sócio-ambientais deve estar baseado na construção participativa de um conjunto de políticas e atividades. Neste sentido, recomendamos:

1) Que os Governos Federais, Estaduais e Municipais estabeleçam políticas públicas e propostas de desenvolvimento baseadas nos princípios ecológicos e centradas na Agricultura Familiar e Comunitaria. O espaço público deve incorporar gradativamente aspectos de participação organizada e controle social, opondo-se às políticas neoliberais e priorizando o atendimento das necessidades ambientais e demandas sociais.

2) Que as instituições públicas e privadas de ensino, pesquisa e extensão incorporem em suas missões institucionais a dimensão sócio-ambiental e valorizem as atividades desenvolvidas por organizações de agricultores, entidades governamentais e não governamentais, adotando os princípios da Agroecologia como eixo orientador de suas ações.

3) Que a Agricultura Familiar e Comunitaria receba suportes e estímulos especificamente direcionados à consolidação e expansão dos processos de transição agroecológica.

4) Que os participantes deste evento se responsabilizem pela implementação, multiplicação e articulação de ações concretas, em defesa da vida e do meio ambiente, em todas as suas dimensões

 

MOÇÃO DE APOIO BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS 

Os 1090 participantes do I Seminário Internacional sobre Agroecologia II Seminário Estadual sobre Agroecologia e II Encontro  Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia, reunidos no Clube Farrapos, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil), nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2000,  preocupados com o agravamento da dependência dos agricultores às empresas transnacionais e com a ameaça à biodiversidade, á saúde humana e animal impostos pelo cultivo  e consumo de transgênicos,DECIDEM:

a) Reafirmar nosso compromisso de apoiar medidas concretas, tomadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, no sentido de manter este Estado como Zona Livre de Transgênicos. Este compromisso é extensivo a outras propostas neste sentido, em âmbito nacional.

b) Exigir do Governo Federal que sejam realizados Estudos de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) e que os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente assumam sua parcela de responsabilidade no que respeita a avaliação toxicológica e ambiental dos transgênicos, cuja liberação para o cultivo não é nem poderá ser atribuição exclusiva da CTNBio.

c) Propor que seja decretada moratória, no Brasil, para o cultivo e a importação de produtos transgênicos, até que sejam apresentadas à sociedade evidências científicas conclusivas de que os mesmos não provocam impactos negativos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

 
Porto Alegre, 22 de novembro de 2000.

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