Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados


Bactéria é usada em geneterapia

 
FILADÉLFIA, EUA - Pesquisadores do Jefferson Medical College desenvolveram um método que utiliza partes do DNA de bactérias para transportar genes sadios até o interior das células. Na terapia genética, é uma alternativa ao uso de vírus, que causaram a morte do estudante Jesse Gelsinger, em 1999, quando ele participava de um programa de geneterapia da Universidade de Pensilvânia.

A equipe de Eric Wickstrom isolou um pedaço do DNA da bactéria E. coli que é capaz de se mover sozinho - o transposon - e o usou como veículo para levar um gene que confere resistência a antibióticos para dentro de um segmento de DNA humano. "Esta é a primeira vez que a terapia genética foi feita dessa forma", disse Wickstrom. "O transposon inseriu o gene no local exato do DNA.

A precisão é a principal vantagem da técnica. Com o método tradicional ocorrem dois problemas: não se sabe onde os genes transportados vão ser injetados nem quantas cópias deste gene serão produzidas. "Usando vírus como vetor, os genes podem parar em qualquer lugar do genoma. Eles podem acabar interagindo com genes errados, como supressores de tumores, e inibir sua função. O resultado seria o desenvolvimento de câncer". Os 
vírus também podem causar reações imunológicas não previstas e, eventualmente, infectar o organismo. No caso da bactéria, isso não acontece porque apenas um pedaço de seu material genético está sendo usado. A quantidade de vírus usada na terapia é outro problema. O 
estudante Jesse recebeu 30 trilhões de partículas de vírus, a maior dose entre os 18 voluntários que participavam do estudo.

Apesar das vantagens da nova técnica, Wickstrom ressaltou que ela só foi aplicada até agora em bactérias. "Ainda não testamos o método em organismos maiores, embora o DNA em que injetamos o gene transportado fosse uma seqüência genética", afirmou. O pesquisador enfatizou que as terapias genéticas em estudos, seja com vírus ou com bactérias, ainda 
estão em fase de testes clínicos.

Os pesquisadores já patentearam a técnica e ganharam mais US$ 660 mil dos Institutos Nacionais da Saúde (INH) para desenvolver o método, agora com levedura e camundongos.
 
Jornal do Brasil, Quarta-feira, 23 de agosto de 2000

Transgênicos Ministros se reúnem para fechar detalhes da legislação Preparada portaria de rotulagem de alimentos

 
>Mauro Zanatta | De Brasília
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A portaria interministerial de rotulagem dos organismos geneticamente >modificados está pronta. O Valor teve acesso ao texto final encaminhado aos quatro ministros integrantes do grupo especial- Agricultura, Ciência e Tecnologia, Justiça e Saúde.

Segundo o texto, que ainda depende de uma reunião com os ministros, as normas serão mesmo"diretrizes gerais", conforme antecipado pelo Valor. Haverá regulamentos técnicos específicos para cada tipo de alimento, ingrediente, grupo ou forma de apresentação dos transgênicos.

A portaria incluirá alimentos, aditivos alimentares, ingredientes e as substâncias transgênicas contidas nesses ingredientes.

Todas as informações sobre os transgênicos deverão constar "em formato ostensivo e de fácil visualização" em embalagens, documentos de venda, invólucros de transporte, cartazes e panfletos. Terão de apresentar as expressões "geneticamente modificado" ou "contém ... (nome do produto) geneticamente modificado".

Falta ainda decidir o limite de composição de transgênico nos produtos para obrigar a informação nos rótulos. A briga está entre 1% e 5%. Agricultura e Ciência e Tecnologia querem 5%. Justiça quer 1%.

As gôndolas de supermercados também devem ter informação clara conforme o caso e o regulamento técnico do produto. O grupo técnico, coordenado pelo Ministério da Justiça, recomendará a criação de um símbolo ou emblema para "facilitar a visualização e identificação" desses produtos.

>A medida colocará produtores, indústrias, importadores e o comércio como responsáveis pela apresentação do rótulo dentro das normas técnicas.

Se quiserem, os produtos convencionais poderão trazer em seus rótulos essa informação, desde que comprovada a "ausência total" de transgênico e que o produto não tenha sido feito a partir de um transgênico. Poderão ser estampadas nos rótulos dos transgênicos informações "facultativas" sobre origem do produto, forma de obtenção e valor nutricional desde que não 
prejudiquem a identificação como transgênico.

A embalagem terá que trazer, "de forma clara e completa", informações detalhadas sobre "reações adversas cientificamente reconhecidas" em grupos específicos com hipersensibilidade (alérgicos, por exemplo).

Estão fora da norma os alimentos e ingredientes com DNA ou fragmentos transgênicos eliminados, ou destruídos, na elaboração e processamento não detectáveis por métodos "cientificamente validados".

A portaria instituirá, em 60 dias, uma Comissão Interministerial com mandato de um ano e presidida inicialmente pela Justiça, para propor revisões e atualizações das normas.
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Matéria de hoje. Está no www.valoronline.com.br.
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