A Olvebra aumenta o ágio da soja convencional
Neila Baldi

O avanço da soja transgênica está forçando as empresas que só trabalham com grão convencional a elevar o ágio pago aos produtores, a fim de garantir a produção de alimentos livres de organismos geneticamente modificados. A gaúcha Olvebra S.A., dona de produtos como o leite de soja Soy, de propriedade do empresário chinês Richard Tse, aumentou o bônus de 6% para 10% nos últimos seis anos, à medida que os transgênicos avançaram no Rio Grande do Sul. Esta foi a maneira que encontrou de incentivar o plantio de soja convencional em um estado onde 95% das plantações são transgênicas.

"A tendência é de que o ágio aumente ainda mais nos próximos anos", diz Marcelo Schaid, diretor comercial da empresa. "A vantagem da transgênica foi anulada pelo ágio da convencional e pelos elevados custos do royalty. A tendência é que a área de não transgênicos cresça no curto prazo", diz Antônio Wünsch, presidente da Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai Ltda. (Cotrimaio).

A Olvebra aumenta o ágio da soja...

A Cotrimaio forneceu soja convencional até a safra 2002/03. Ela deixou de fornecer para a Olvebra quando o percentual de recebimento de não-transgênico caiu de 80% para 67%. Na safra 2003/04, a indústria firmou parceria com a Cooperativa Mista São Luiz Ltda (Coopermil), atual fornecedora.

O gerente-técnico da Copermil, Sérgio Schnider, diz que a demanda por soja não-transgênica é maior que a capacidade de produção. Há quatro anos, estimava-se que 20% da produção da região fosse de grãos geneticamente modificados. Na última safra, o índice era de 70%. "Está difícil encontrar semente convencional. Mas vale a pena porque vale um bônus que não se pode desprezar", afirma Schnider.

Os representantes das cooperativas acreditam que o fato de muitos dos produtores ser de pequeno porte contribui para a preferência pelo não-transgênico. "Praticamente tenho a lavoura limpa, não preciso de herbicida e, por isso, também não necessito de transgênicos", diz Francisco de Gaspari, agricultor em Santa Rosa (RS).

Ele não vê vantagem econômica no plantio da soja geneticamente modificada, pois o prêmio pago ao grão convencional vem crescendo e, ademais, a semente convencional escapa do royalty de 2% da soja pirata. "Além disso, as variedades eram contrabandeadas e não estavam adaptadas ao clima do Brasil", alega Gaspari.

Desde a safra 1999/00 que a Olvebra paga um prêmio para ter soja convencional. "Toda a nossa linha de produtos é voltada para a saúde. Então, quando surgiu a polêmica, preferimos o grão convencional", diz Marcelo Todeschini Schaid, diretor-comercial da Olvebra. No entanto, neste ano, devido à seca, a Olvebra precisou buscar grãos fora do Rio Grande do Sul, aumentando os custos - entre frete e diferença de preço - em torno de 12%. O gasto com a certificação também cresceu, uma vez que antes a indústria tinha fornecedores fixos, já auditados e, neste ano, precisou fazer análise em todos os lotes adquiridos. Cerca de 80% da produção da Olvebra - que recebe entre 600 a 700 toneladas de farelo por mês - veio do Paraná e Mato Grosso.

Quase toda a produção da Olvebra é voltada para o mercado externo - apenas 15% é exportada principalmente para a União Européia e Japão. Nestes mercados, além do nicho do não-transgênico, a empresa explora ainda os orgânicos. Em 2006, a perspectiva é de que produtos de soja orgânicos sejam comercializados também no Brasil.

O prêmio pago ao grão que não utiliza agrotóxicos no cultivo é de 70%. "Ainda não tínhamos volume suficiente", diz Schaid. Outra inovação, que estará no mercado a partir de setembro, é o leite condensado de soja. A Olvebra tem buscado, nos últimos anos, desenvolver produtos que substituem o leite de vaca na alimentação. Por isso, sua linha vai de leite de soja, a bolos, macarrão e suplementos, todos tendo a commodity como matéria-prima.

fonte: Gazeta Mercantil em 22/08/2005

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