Organismos Geneticamente Modificados - Transgênicos 


Mensagens Publicadas em 19/12/2000

EUA e Europa querem endurecer o controle de produtos transgênicos
 
Philip Brasher | AP/Dow Jones, de Washington

Uma comissão formada por Estados Unidos e União Européia recomendou ontem um endurecimento do controle sobre alimentos gerados por engenharia genética, incluindo a rotulagem obrigatória de produtos que contenham ingredientes geneticamente modificados.

"Os consumidores devem ter o direito a uma escolha bem informada sobre a seleção do que querem consumir", diz um relatório de uma comissão multilateral formada por 20 membros - entre os quais cientistas, produtores, advogados de consumidores e representantes do setor dos Estados Unidos e da UE.

A biotecnologia agrícola "tem o potencial de proporcionar novas ferramentas para que os produtores de países em desenvolvimento aumentem o rendimento de suas culturas, produzam plantas resistentes à seca, salinidade, pragas e doenças, e produzir novas culturas com maior poder nutritivo", diz o relatório.

Mas o trabalho adverte, também, que os novos produtos da biotecnologia não devem entrar no me
rcado antes de serem submetidos a um processo de aprovação por parte dos governos.

"O relatório diz basicamente que o que estamos fazendo agora não basta", afirmou Carol Tucker Foreman, do Instituto de Política dos Alimentos da Consumer Federation of América, uma das integrantes da comissão. Apesar de o governo Bill Clinton ter concordado com a constituição da comissão, ele tem resistido a pressões de ambientalistas e grupos de defesa do consumidor que exigem a rotulagem obrigatória de alimentos geneticamente modificados.

A Food and Drug Administration considera que produtos transgênicos como soja e milho, que estão agora no mercado, são essencialmente os mesmos que suas contrapartes cultivadas de maneira tradicional.

Nesta primavera (março-junho), a FDA comunicou que começaria a exigir que as empresas de biotecnologia consultassem a agência antes de levarem novos produtos ao mercado, algo que o setor hoje faz voluntariamente. Mas a FDA disse que a rotulagem obrigatória não era garantida.

A agência anunciou que, em vez disso, criaria diretrizes para os fabricantes de alimentos usarem na rotulagem voluntária de alimentos como contendo ou não elementos transgênicos. Os críticos esperam que, com o relatório, o presidente eleito George W. Bush mude a posição da FDA.
 
Valor - Nº 161, Terça-feira, 19|12|2000 Biotecnologia

Japão testa exportações americanas de ração AP/Dow Jones, de Tóquio
 
Funcionários dos ministérios de agricultura dos Estados Unidos e do Japão chegaram a um acordo para a testar as exportações americanas de ração à base de milho. O objetivo é checar a presença de milho geneticamente alterado, banido no Japão, segundo informou ontem a embaixada dos EUA naquele país. O pacto vem na esteira de um acordo firmado no mês passado entre os dois países, para fiscalizar alimentos que possam ter em suas composições o milho transgênico StarLink, proibido para o consumo humano até mesmo no mercado americano.

As remessas de milho dos EUA ao Japão despencaram depois de anúncios feitos por um grupo de consumidores japoneses em outubro, de que o StarLink foi encontrado em salgadinhos e em algumas rações animais.

O StarLink está aprovado para consumo animal nos EUA. Para os humanos, está proibido por conter uma proteína mais difícil de ser quebrada na digestão. 
O Japão, que se mantém firme como terceiro maior consumidor de milho dos EUA, não permite importações de StarLink.

O Ministério da Agricultura do Japão enviará inspetores aos EUA para monitorar testes de ração de milho realizados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) antes que seja embarcado, revelou a embaixada. 
Eles discutirão nos próximos meses com que freqüência os japoneses enviarão os inspetores, declarou Hiroyuki Kokubun, um funcionário da Agência de Distribuição de Rações do Ministério da Agricultura.
 
Valor - Nº 161, Terça-feira, 19|12|2000 Biotecnologia

Milho modificado afeta resultados da Schering Haig Simonian | Financial Times, de Berlim
 
A multinacional farmacêutica Schering encerrou as especulações sobre os custos decorrentes do uso incorreto do milho transgênico StarLink. Segundo a empresa, o débito extraordinário que constará em seu balanço será de até US$ 58 milhões.

A Schering detém uma participação de 24% na Aventis CropScience, uma joint-venture com a Aventis. A estimativa da Schering implica que a Aventis enfrentará um débito de US$ 147,48 milhões a US$ 174,29 milhões por sua participação.

Os problemas com o StarLink foram causados pelo uso indevido nos EUA. 
Utilizado na composição de massas de tortillas, gerou uma série de recalls por parte de cadeias de alimentação.

Ainda que o débito venha a afetar seus lucros em 2000, a Schering informa que elevará seu dividendo planejado a US$ 0,60 por ação e concederá um pagamento adicional de US$ 0,29 por ação. O dividendo de 1999, antes de um desmembramento de ações na base de 3 por 1, chegou a US$ 1,34 por ação, além de um dividendo especial.

A Schering, que anunciou lucro líquido de US$ 243,11 milhões em 1999, antes do StarLink, esteve em ritmo de elevação de rendimentos à taxa de até 25% em 2000. Os lucros antes dos impostos para os três primeiros trimestres subiram 18%.

Klaus Pohle, diretor financeiro da Schering, diz que a empresa segue interessada em manter a participação na Aventis CropScience, apesar da decisão da Aventis de desmembrá-la.
 

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