CARAMURU VAI PAGAR PRÊMIO POR SOJA NÃO-TRANSGÊNICA

A Caramuru Alimentos, que processa anualmente 1 milhão de toneladas de soja, com exportações para a Europa fortemente centradas no farelo da oleaginosa, deverá pagar pela primeira vez aos agricultores na safra 2005/06 um prêmio pelo grão não-transgênico, numa estratégica de se firmar nos mercados interno e externo como uma empresa que esmaga apenas o produto convencional, disse à Reuters o vice-presidente do grupo brasileiro.

"Estamos estruturando a comercialização de venda e compra da próxima safra, e pela primeira vez haverá um prêmio ao produtor de não-transgênico," disse o vice-presidente César Borges de Souza, em entrevista por telefone. Segundo ele, antes da lei que regulamentou o plantio de soja transgênica no Brasil, no início deste ano, não havia como pagar um prêmio pelo grão convencional.

"Como liberou, sentimos a necessidade de definir isso na época de plantio. Percebemos que agora haverá aumento de plantio de transgênico e precisa mos marcar posição". De acordo com o vice-presidente da Caramuru, o valor do prêmio ainda não foi definido, mas deverá ser fechado por antecipação com os sojicultores.

"Estamos trabalhando um nível de prêmio suficiente para poder repassar uma parte para os produtores," acrescentou, lembrando que antes da regulamentação era "confuso" estabelecer diferenças entre o convencional e o transgênico e que "os prêmios obtidos lá fora eram bastante pequenos". Antes da lei, a soja modificada era plantada de forma clandestina em algumas regiões do Brasil, com sementes contrabandeadas, principalmente no Rio Grande do Sul.

O industrial salientou que o processamento da Caramuru em 2005, que atingirá um volume semelhante ao de 2004, é feito "totalmente com soja não-transgênica". Isso só é possível porque a originação de soja do grupo é feita principalmente em Goiás, onde estão localizadas as fábricas da Caramuru, em Itumbiara e São Simão.

Segundo a Faeg (Federação da Agricultura do Estado de Goiás), 90 por cento das 7 milhões de toneladas de soja colhidas no Estado em 04/05 foi convencional.

Questionado se os prêmios pagos por uma grande empresa como a Caramuru, dona da marca de óleo Sinhá, a quarta mais vendida no país (atrás apenas de outras produzidas por multinacionais), poderiam significar uma tendência no Brasil de agregar valor aos produtos convencionais, Souza disse que ainda é "prematuro falar, estamos em momento de transição".

Segundo ele, o fortalecimento do plantio de soja convencional no país dependerá muito dos mercados. Ele salientou que há alguns "novos" destinos para o produto não-transgênico, como a Rússia e a Austrália. Mas disse que os grandes compradores são os europeus (Inglaterra, Alemanha, França, Noruega, Dinamarca, Suécia, Suíça, Itália).

Do total exportado pela Caramuru, a maior parte vai para a Europa, 65 por cento na forma de farelo e 35 por cento em grão.

Nessa ofensiva em busca de maiores ganho s, ele disse que vai trabalhar principalmente o prêmio pelo farelo. Declarou também que um "bom prêmio" já é pago pela lecitina e que já há "perspectivas" para o óleo.

Valor estipulado

Segundo o presidente da Faeg, Marcel Caixeta, "o prêmio pela soja convencional deveria ser entre 1 e 1,5 dólar por saca, pelo menos," pois o grão não-transgênico exige mais cuidados. Caixeta disse que a Caramuru ainda não entrou em contato com a federação, mas o mercado é comprador do produto. "Recebemos missões da França, Itália, Grécia e Espanha".

Ele acrescentou ainda que os prêmios poderiam ajudar o produtor em um momento em que os preços internacionais estão mais baixos e o dólar em queda reduz os lucros.

Fonte: Reuters em 14-11-2005

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