EUA exportam menos soja para a UE e produtor culpa rotulagem

Bruxelas, 13 - As exportações de soja dos Estados Unidos para a União Européia (UE) caíram de cerca de sete milhões de toneladas por ano, até 2003, para três milhões de toneladas em 2004.

Neste ano as vendas podem ser ainda menores e os produtores americanos reclamam que a culpa é da legislação européia sobre rotulagem e rastreabilidade de organismos geneticamente modificados (OGM). Para eles, tal legislação fere as regras do comércio internacional.

Kimball Nill, diretor técnico da Associação Americana de Soja (ASA), disse hoje que foram as leis da UE que reduziram as vendas dos EUA. A entidade representa 26 mil produtores americanos.

Entre 1996 e 2003 os Estados Unidos aumentaram suas exportações de soja transgênica para a Europa. A tendência foi revertida no ano passado, quando a UE aprovou sua legislação sobre transgênicos. As vendas caíram ainda mais quando, em abril deste ano, os europeus passaram a exigir que os EUA rotulem todo produto enviado à UE que contenha OGM. Os europeus argumentam que a rotulagem dá aos consumidores a chance de escolher comprar ou não estes produtos.

Sob as regras européias, por exemplo, os fabricantes de biscoitos que utilizarem óleo feito de soja transgênica têm que informar este fato ao consumidor. Desde que a lei foi aprovada, mais de cem companhias européias do setor de alimentação, incluindo as gigantes Nestlé e Unilever, começaram a comprar soja convencional de outros países, como o Brasil. Estes são dados da ASA. Nos Estados Unidos, 93% da soja produzida é transgênica.

Para Nill, a legislação é "injusta e contraria as regras da OMC", pois atua como uma barreira ilegal ao comércio. Já a Comissão Européia diz cumprir as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O sistema europeu é claro, transparente e não discriminatório", disse Philip Tod, porta-voz da Comissão. As informações são da Dow Jones.

Ana Conceição

fonte: Agência Estado, 13 de maio de 2005 - 16h39

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