Acordo mundial sobre transgênicos deve gerar mais tensão

 

A Europa pode estar numa rota de colisão com seus maiores parceiros comerciais, na medida em que esquenta o debate sobre um acordo para regular o fluxo global de alimentos transgênicos, amplamente rejeitados pelos europeus.

A posição cética da União Européia em relação a transgênicos vem há muito tempo prejudicando relações com países a favor de produtos geneticamente modificados, como os Estados Unidos, Canadá e Argentina, onde muitos consumidores ignoram reclamações de que esses produtos poderiam representar riscos à saúde ou ao meio-ambiente.

E os europeus podem ter perdido terreno após a sua política de importação de transgênicos ter sido criticada no mês passado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas isso não mudou a opinião da maioria dos europeus, que não são a favor de lavouras de milho, soja ou de outros produtos transgênicos, o que faz com que muitos evitem comercializar esses produtos.

Da OMC, essa batalha deve migrar agora para a Organização das Nações Unidas (ONU). Na próxima semana, acontece no Brasil a Terceira Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena, que pretende implementar transparência e controle sobre o comércio mundial de transgênicos.

Na reunião marcada para Curitiba, as principais discussões devem girar em torno da identificação de transgênicos. Entre os grandes exportadores, apenas o Brasil é signatário do protocolo.

Um acordo entre as partes integrantes do protocolo, que só poderá ser feito por unanimidade, pode obrigar exportadores a fornecer mais informação sobre produtos transgênicos, como milho e soja, para países compradores, para ajudá-los a decidir se os aceitam ou não.

O setor produtivo no Brasil, por exemplo, defende uma posição mais branda e a opção de que cargas transgênicas possam ser identificadas pela expressão "pode conter", o que evitaria aumentos significativos de custos.

Na hipótese de as partes optarem por uma posição mais radical, como a expressão "contém" transgênico para sua identificação, os exportadores teriam mais despesas para a realização de exames de transgenia.

Até o começo de março, 132 países haviam assinado o protocolo.

Mas os EUA, onde empresas como a Monsanto são grandes produtoras de sementes transgênicas, ainda não assinaram o protocolo e não devem assinar.

Junto com outros grandes exportadores como Canadá, Austrália e Argentina, os EUA afirmam que as lavouras transgênicas são seguras, podem aumentar os rendimentos e resistem a pestes.

Já a Europa, mais cautelosa com a biotecnologia, pensa diferente e introduziu duras regras na rastreabilidade de transgênicos e na rotulagem de alimentos e ração animal, que vão além das determinações de Cartagena.

Diplomatas afirmam que países em desenvolvimento, principalmente na Ásia e na África, que precisam de ajuda na área de alimentos, estão divididos.

Embora muitas nações africanas tendam a sofrer escassez de alimentos, países como Zimbábue, Zâmbia e Moçambique têm expressado preocupações sobre a aceitação de doações de milho transgênico.

Fonte - UOL Notícias - 10/03/2006 - 13h36, Por Jeremy Smith

 


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