Paraná poderá barrar a soja gaúcha transgênica

São Paulo e São Lourenço do Sul (RS), 11 de Março de 2003 - O Paraná pode ser o primeiro estado a criar problemas para o governo, em relação aos transgênicos. A secretaria de agricultura informou que pode fechar as portas aos organismos geneticamente modificados (OGM’s), o que significaria proibir o escoamento de soja transgênica pelo porto de Paranaguá.

Segundo a secretaria, caso o governo federal decida liberar a comercialização da soja transgênica no mercado interno, o estado preservará a integração da lavoura paranaense, exigindo um certificado negativo para transgênicos. O governo paranaense tem interesse em manter os mercados de soja convencional, que pagariam um percentual a mais por um produto não transgênico.

Para solucionar a questão e não liberar o comércio, os paranaenses sugerem duas opções. A primeira seria o governo federal comprar a soja gaúcha transgênica, ou então, fazer valer a Lei Delegada 4, que permite o confisco e retenção da produção, dentro das propriedades.

Solução

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse domingo que o governo fará de tudo para que a soja transgênica, que é ilegal, seja vendida, de preferência ao exterior. Estimativas extra-oficiais apontam que 30% da produção nacional, de 49 milhões de toneladas, e 70% da gaúcha, que é de 8,6 milhões de toneladas, seria transgênica. A Advocacia Geral da União deve anunciar as normas para a venda do grão.

Segundo o ministro, se a Justiça mantiver a decisão de proibição da venda e plantio de transgênicos, o Congresso poderia modificar a lei. "Espero que pelo Congresso Nacional haja horizonte mais progressista." O governo, diz, poderá fornecer certificado semelhante ao dado à China, que diz que a soja brasileira é convencional, com possibilidade de contaminação pela Rondup Ready.

(Gazeta Mercantil/Página B16)(Alexandre Inacio/InvestNews e Neila Baldi)

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