Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados

Mensagens do dia 09 de março de 2001
 
O Diário de Maringá, 09/03/01

Paraná vai debater produtos transgênicos

O governo do Paraná, o Citpar (Centro de Integração de Tecnologia do Paraná) e o British Council realizam de 19 e 21 deste mês em Curitiba, o Encontro Brasil Grã-Bretanha sobre Plantas Trans-gênicas, Ciência e Comunicação. O objetivo da iniciativa é intensificar o processo de discussões sobre as formas de popularização da ciência junto ao público.

Além de discutir as novas descobertas tecnológicas, o Encontro pretende avaliar as maneiras como a comunidade científica pode responder às preocupações da sociedade com relação aos avanços científicos que envolvem questões éticas e sociais ligadas aos transgênicos.
Estarão presentes especialistas brasileiros e da Grã-Bretanha e entre os temas em debate estão as experiências desenvolvidas pelos dois países nessa área, além de questões que aprimorem a base de conhecimento disponível para o desenvolvimento de políticas de Ciência e Tecnologia.



Zero Hora, 09-03-01

Americanos preparam inseto transgênico
Traça que ataca lavouras de algodão receberá gene de medusa

A engenharia genética já gerou tomates que permanecem frescos por mais tempo, plantas imunes a herbicidas, ratos que não engordam e peixes que crescem com extrema rapidez.

Agora, é a vez dos insetos.

Os primeiros testes de campo de um inseto geneticamente modificado estão programados para os próximos meses nos Estados Unidos. Uma traça do algodão receberá um gene de medusa que a tornará fluorescente, permitindo aos cientistas rastreá-la e monitorar seu comportamento.

Se a experiência der certo, os cientistas passarão para o passo seguinte: testar uma variação biotecnológica, chamada de Exterminador pelos agricultores. Sexualmente ativo, porém estéril, ele poderá se acasalar com espécimes semelhantes e matar crias obtidas de outros machos.

Cerca de 3,6 mil insetos com genes alterados serão liberados e monitorados em três lavouras fechadas, com 3,6 por 7,3 metros, em um campo de algodão do governo norte-americano em Phoenix, Arizona.

- Estamos sendo muito cuidadosos - garantiu Robert Staten, cientista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que dirigirá os testes. A pesquisa é conduzida pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal, órgão do departamento que faz o controle de pragas nos Estados Unidos.

O trabalho enfrenta a resistência de críticos da engenharia genética e até de cientistas que apóiam a tecnologia. Segundo eles, o governo norte-americano não está preparado para controlar adequadamente os insetos geneticamente modificados.



Valor, Sexta-feira, 9 de março de 2001 - Ano 2 - Nº 215 - Empresas & Tecnologia Biotecnologia

Onda de pânico na UE reflete em OGMs
Mauro Zanatta, De Brasília

O pânico espalhado pela "vaca louca" e febre aftosa na Europa levou parte do governo brasileiro a suavizar o discurso favorável à adoção de organismos geneticamente modificados no país.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes, disse que o país está se beneficiando com a confusão entre os casos e os alimentos transgênicos. Segundo ele, os consumidores europeus têm "misturado" seus temores com a febre aftosa e com a "vaca louca" com sua resistência aos transgênicos.

"Quem manda é o mercado. Nesse momento, estamos nos beneficiando das restrições aos transgênicos. Enquanto cresce a paranóia, vamos enfiando nosso franguinho e nosso porquinho por lá", disse. De acordo com ele, os europeus estão "perplexos e acabaram misturando tudo." Fortes acredita que as exportações brasileiras de milho e soja deverão ser beneficiadas por não serem transgênicas.

O secretário de Planejamento da Conab, Túlio Duran, afirmou que os Estados Unidos, os maiores produtores mundiais, prometeram recentemente "pisar no freio" das pressões pró-transgênicos no mundo. "A ministra da Agricultura deles (Ann Venemann) mudou o discurso e declarou que é preciso cautela nessa discussão", disse.

Transgênicos na UE

A maior autoridade da União Européia (UE) na área ambiental, Margot Wallstrom, afirmou que deverá apresentar em 28 de março uma proposta para rotulagem e rastreabilidade de organismos geneticamente modificados (OGMs). 
Com as novas regras, estará aberto o caminho para o fim da moratória sobre novos transgênicos no bloco, que já dura dois anos. A resistência da UE em liberar os produtos alterados é fonte de disputa comercial com os Estados Unidos, onde as companhias de biotecnologia estão bastante interessadas no mercado europeu. Atenta à opinião pública, a UE busca a maior transparência possível na definição das novas regras de rotulagem e rastreabilidade.



Agência Estado, Sexta-feira, 09 de março de 2001 - 17h36 http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2001/mar/09/192.htm

"Vaca louca" aumenta venda de frango para Europa

São Paulo - No primeiro bimestre do ano, as vendas de frango para a Europa cresceram 161,90%, de 12.691 toneladas nos dois primeiros meses de 2000 para 33.238 toneladas em 2001, mostram números da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef).

"A expectativa era de aumento das exportações, mas os temores em relação à doença da ´vaca louca´ elevaram fortemente as vendas de frango do Brasil para os países da Europa", afirmou Paula Santana Batista, da FNP Consultoria.

Números da Abef mostram que, em fevereiro, os preços médios dos cortes e do frango inteiro subiram em relação ao mesmo mês do ano passado.

O preço dos cortes de frango subiu 17,40%, de US$ 1.071/tonelada em fevereiro de 2000 para US$ 1.258/tonelada em fevereiro último.

Relatório mensal da Abef mostra que o Brasil exportou 90.849 toneladas de frango em fevereiro - uma alta de 48,07% em relação ao volume exportado em fevereiro de 2000, quando as vendas externas somaram 61.354 toneladas.

Em boletim, a associação informou que "o resultado de fevereiro é bom e está rigorosamente em linha com a meta anunciada para 2001". Em relação ao primeiro mês do ano, as exportações em fevereiro subiram 17,94%. Em janeiro, o Brasil exportou 77.024 toneladas de carne de frango.



Jornal do Brasil - Ciência - 9/3/2001

EPA restringe aprovação de OGM

WASHINGTON - A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, a sigla em inglês) decidiu reprovar todos os alimentos geneticamente modificados que não tenham sido considerados seguros para o consumo humano. 
Alguns pareceres indicavam os alimentos apenas para o uso de ração animal. 
A decisão foi tomada em resposta à má repercussão da retirada de produtos que continham o milho transgênico StarLink das prateleiras dos supermercados americanos.

O milho StarLink, produzido pela empresa franco-alemã Aventis havia sido aprovado apenas para consumo animal. Entretanto, traços do grão transgênico foram encontrados em produtos como os taco shells, e 44 pessoas que ingeriram o alimento se queixaram de reações alérgicas. Em relatório divulgado dezembro passado, a EPA concluiu que em 14 casos, as reações tinham relação com o consumo do milho transgênico. A proteína Cry9C que integra a composição do grão teria sido a responsável pelas reações.

Os críticos dos organismos geneticamente modificados (OGMs) comemoraram. 
''A EPA nunca deveria ter concedido registro aos produtos transgênicos para uso exclusivo animal'', disse Richard Caplan, advogado da organização não-governamental Massachusetts Public Interest Research Group. Ativistas do Greenpeace consideraram a decisão uma vitória e fizeram protesto na Europa contra a proibição desigual de transgênicos. Empresas sediadas na Grã-Bretanha não comercializam os produtos no país, mas os vende no leste europeu.

As empresas de biotecnologia, grandes defensoras dos alimentos transgênicos, também saudaram a decisão. ''Esse é um importante passo em direção à recuperação da confiança dos consumidores '', afirmou Carl Feldbaum, presidente da Organização das Indústrias de Biotecnologia. 



Estado de S.Paulo - Geral - 9/3/2001

União Européia pode derrubar veto a alimentos transgênicos Entidade apresentará propostas para encerrar moratória contra comércio de produtos

A comissária de Meio Ambiente da União Européia (UE), Margot Wallstroem, declarou ontem em Bruxelas que apresentará propostas este mês sobre a rotulagem e o rastreamento de organismos geneticamente modificados, num esforço para encerrar a moratória de alimentos transgênicos na Europa.

Para Margot, a indústria da biotecnologia não pode mais ser restrita pela suspensão que a UE impôs em 1998 ao comércio de transgênicos. "Não podemos nos dar ao luxo de perder mais tempo sem ajudar a indústria da biotecnologia."

Em fevereiro, o Parlamento europeu aprovou novas regras para rotulagem e monitoramento de alimentos transgênicos. Mas grupos de consumidores, ambientalistas e governos da UE disseram que as normas ainda são tímidas. 
Eles estão preocupados porque as regras não incluem cláusulas para manter os envolvidos na produção de transgênicos como responsáveis pelos eventuais danos causados à saúde ou ao ambiente.

Com isso, a moratória pode prosseguir, já que os governos da UE devem aprovar cada novo produto transgênico e seus opositores - França, Itália, Dinamarca, Áustria, Luxemburgo e Grécia - têm votos suficientes para bloqueá-los.

Milho - O governo americano anunciou ontem em Washington que gastará cerca de US$ 20 milhões para comprar as sementes de milho suspeitas de contaminação pelo StarLink, um tipo de transgênico proibido para consumo humano.

O Departamento de Agricultura dos EUA (Usda) constatou que menos de 1% das sementes de milho do país destinadas ao plantio da primavera continha traços da proteína Cry9c do StarLink, que protege as plantas jovens das pestes.

Produto da Aventis, o StarLink foi proibido para humanos pelo risco de reações alérgicas. A detecção de milho transgênico em tacos, em setembro, causou o recolhimento de mais de 300 alimentos no país. O milho contaminado teria chegado ao mercado graças a um fabricante de farinha do Texas, que usou grãos da safra de 1999 para produzir tacos.

Quatro grandes grupos compradores de grãos dos EUA sugeriram aos produtores que obtenham garantias escritas dos fornecedores de que as sementes da safra da primavera não contêm a proteína proibida. (Associated Press e Reuters) 



Diário do Grande ABC - Geral - 9/3/2001

Amparo (SP) proíbe cultivo e comércio de transgênicos

Do Diário OnLine

Amparo foi o primeiro município de São Paulo a proibir o cultivo e o comércio de transgêncios, alimentos geneticamente modificados. A Câmara Municipal da cidade, que fica a 140 quilômetros de São Paulo, aprovou a lei na madrugada desta quinta-feira.

O vereador Dimas Marchi (PT), autor da lei, disse que não há empresas agropecuárias cultivando produtos transgênicos. Ele disse que sua medida foi apenas uma forma de prevenção.

As razões que o vereador usou para convencer seus colegas foram três. Uma que não há estudos comprovando que os transgênicos sejam produtos saudáveis. Outro argumento foi que a agricultura tende a sumir com a introdução desses novos produtos, que exigem tecnologia. Por último, ele apresentou estudos provando que os transgênicos comprometem o ecossistema. 



Diário do Grande ABC - Geral - 9/3/2001

Mulheres sem-terra invadem lojas do Mc Donald´s

Do Diário OnLine

Trabalhadoras rurais invadiram na manhã desta quinta-feira a loja do Mc Donald´s, no centro de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, e em Cuiabá, no Mato Grosso. Nas duas cidades, as mulheres protestaram contra a globalização. Em Santa Catarina, houve também manifestação em frente a uma lanchonete da rede.
No Rio Grande do Sul, as mulheres protestaram contra o governo, FMI, alimentos transgênicos e agrotóxicos. Elas permaneceram no estabelecimento por uma hora. penduram bandeiras do movimento nas janelas e gritavam nas ruas "Fora FMI", "Fora FHC" e "Abaixo os Transgênicos". A venda de lanches no local foi suspensa e as manifestantes picharam as janelas do local.

Em Mato Grosso, as mulheres ficaram na lanchonete por duas horas, onde queimaram um boneco, que representaria o Tio Sam.

Já em Florianópolis, Santa Catarina, a lanchonete foi cercada mas o protesto não durou mais que quinze minutos.

A coordenadora do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), Loiva Rubenich, disse que o local foi escolhido porque simboliza o modelo oposto ao defendido pelas mulheres do campo, que pedem a valorização da agricultura nacional.

A assessoria de imprensa da rede repudiou o movimento e informou que as lojas não foram danificadas.

Participaram dos atos mulheres de cinco corganizações: MMTR, Movimento Nacional do Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Pastoral da Juventude Rural.

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Globo On - Plantão País - 8/3/2001

Trabalhadoras fazem passeata no Amazonas

RIO, 8 - Cerca de 200 trabalhadoras rurais do Amazonas, vindas de 22 municípios, participaram de passeata ontem pela manhã, reivindicando direitos previdenciários e médicos. A passeata, coordenada pelo Movimento Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MNMTR) e sindicatos rurais, saiu do bairro de São Raimundo, Zona Oeste, indo até a praça Dom Pedro II, em frente ao prédio do INSS, no Centro. Lá, as manifestantes foram recebidas pelo gerente Severino Cavalcante e pediram ampliação do atendimento no interior. Cavalcante disse que as dificuldades reclamadas pelas mulheres são, muitas vezes, resultado de falta de informação. Ele revelou que o instituto vai levar postos volantes a 24 municípios onde não existem postos de atendimento. Em seguida, elas acamparam na praça Dom Pedro II, onde passaram a noite, numa vigília pelo Dia Internacional da Mulher, cuja data é comemorada hoje.

As trabalhadoras rurais também protestaram contra a venda de alimentos transgênicos, diante de um supermercado.

O movimento de ontem está ligado ao Movimento Nacional das Trabalhadoras Rurais, que no ano passado reuniu 13 mil mulheres em Brasília. As informações são do jornal "A Crítica".


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O Povo (Fortaleza) - Brasil - 9/3/2001

Dia da Mulher
Protestos abrangem 21 capitais

Em quatro capitais, a McDonald's foi escolhida como alvo das ações de trabalhadoras rurais porque a rede é o símbolo da política de intervenção dos grandes monopólios no Brasil.

Mulheres sem-terra, pequenas agricultoras e representantes de outros movimentos do campo invadiram ontem lanchonete McDonald's em Porto Alegre, atiraram pedras e ovos em franquia da marca em Belém e trocaram empurrões com a tropa de choque da Polícia Militar no Recife.

As ações, no Dia Internacional da Mulher, integraram o protesto organizado em 21 capitais pela Articulação Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais (ANMTR), com a participação de cerca de 19 mil camponesas. As manifestantes reivindicam agilidade no processo de reforma agrária, mais crédito para os assentamentos e melhoria nas áreas da saúde, previdência e educação.

No Recife, o conflito aconteceu por volta das 11 horas, quando um grupo de mulheres tentou entrar no Palácio do Campo das Princesas, que estava isolado pela PM, para entregar uma carta de reivindicações ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Os policiais, com escudos e cassetetes, impediram o acesso. Houve troca de empurrões, insultos e correria na rua. Ninguém se feriu. Não houve prisões. 
Após o conflito, uma comissão foi recebida pelo governador.

Em Porto Alegre, a invasão de 200 mulheres à lanchonete McDonald's durou uma hora (das 11 às 12 horas). As manifestantes cantaram hinos e gritaram palavras de ordem contra a política econômica adotada pelo Governo federal e os alimentos transgênicos.

Em Belém, segundo a Polícia Militar, um grupo de aproximadamente 400 manifestantes jogou pedras e pichou a lanchonete. Um segurança deu tiros para o alto, mas ninguém ficou ferido.

Em Cuiabá e em Florianópolis, cerca de 3.000 mulheres fizeram atos de protesto em frente a lojas da rede, mas não houve invasão ou outro tipo de violência.

Segundo Nina Tonin, da direção nacional do MST e uma das coordenadoras do movimento da ANMTR, a McDonald's foi escolhida como alvo das ações porque a rede é o ``símbolo da política de intervenção dos grandes monopólios no Brasil''. Nas outras capitais, as camponesas participaram de marchas, atos ecumênicos e se concentraram em frente a órgãos públicos.

 

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