Imcopa aposta no mercado interno não-transgênico

Autor: Norberto Staviski

Em busca de maior rentabilidade nas suas operações e também para não ficar na dependência de praticamente um único mercado externo - o europeu - a paranaense Imcopa está dando uma guinada radical no seu perfil de negócios. A empresa quer chegar ao final de 2009 com 51% de sua produção destinada ao mercado interno na forma de óleo refinado - hoje exporta 90% das 450 mil toneladas de óleo bruto. Com isso, quer atingir 5% deste mercado.

A Imcopa é hoje uma das maiores movimentadoras e exportadoras do mundo de soja não-transgênica, adquirindo anualmente cerca de 2 milhões e 300 mil toneladas do grão no Paraná e Mato Grosso. Segundo o presidente da Imcopa, Frederico José Busato Júnior, "a empresa está investindo US$ 50 milhões" na ampliação da produção, capacidade de refino e envase .

"O nosso principal apelo será o rótulo com a inscrição alimento não-transgênico até porque as marcas líderes de mercado estão sendo obrigadas pela legislação a colocar nos seus produtos o símbolo da transgenia. Embora a maior parte do consumidor brasileiro desconheça o assunto transgênicos, nós queremos ocupar este nicho a partir de agora, como fizemos com os negócios na Europa", disse o diretor da operações da Imcopa, Enrique Marti Traver. O produto, hoje comercializado com a marca Leve em pequena quantidade e exclusivamente em Curitiba, será vendido pelo mesmo preço das marcas líderes e que utilizam soja transgênica. "Vamos aguardar ainda pelo menos uns dois anos para ver ser será possível colocar um prêmio no preço para agregar maior valor ao produto por ser um óleo comestível não-transgênico", acrescentou o diretor.

A Imcopa fez esta opção de não-transgênicos em 1998 e, a partir disso, multiplicou por 10 sua movimentação de soja, passando de 200 mil toneladas anuais para as atuais 2,3 milhões. Seu faturamento, em 2007, foi de US$ 1,2 bilhão e neste ano será de US$ 1,7 bilhão, graças a elevação de preços no mercado internacional de commodities. Segundo, Busato Júnior, " o crescimento da produção com os novos investimentos vai compensar em parte a destinação maior ao mercado interno".

Como a Imcopa adquire a maior parte de sua matéria-prima de cooperativas, boa parte da segregação do produto já foi realizada, o que tem garantido um índice de rejeição de lotes contaminados por transgênicos na porta da fábrica na faixa de 1,6%. " Em nome do bom relacionamento com as cooperativas entramos até em setores em que não atuamos como aluguel de armazéns para fazer a segregação", disse Busato Júnior.

Fonte:Jornal do Estado - Bem Paraná em 29/08/2008

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