Do mesmo modo como chamam os agrotóxicos de "defensivos" ou até de "remédios" para a lavoura, apelidam eufemisticamente esta planta transgênica da Bayer de "resistente" ao herbicida da mesma Bayer. Na verdade, a semente só entra no mercado em função do veneno -- na venda casada mais perversa dos tempos modernos.

Com isto, diminui o uso dos agrotóxicos (os da concorrência, é óbvio).

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Valor Econômico, 22/08/2008

CTNBio aprova nova variedade de algodão

Mauro Zanatta, de Brasília

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira, em Brasília, por ampla maioria, a liberação comercial do algodão transgênico "Liberty Link", resistente a herbicidas a base do princípio ativo glufosinato de amônio.

O produto da multinacional alemã Bayer CropScience - a segunda variedade geneticamente modificada de algodão a ser aprovada no país - estava há quatro anos na fila de pedidos de aprovação comercial do órgão.

"A CTNBio concluiu que o produto não representa riscos para os seres humanos, o meio ambiente e os animais", disse o presidente da comissão, o médico bioquímico Walter Colli. Em 2005, havia sido aprovada a semente "Bollgard", da Monsanto.

Mesmo amparada em ampla maioria, já que teve 18 votos favoráveis, três contrários e duas abstenções, a liberação foi desaconselhada pelo parecer de um dos seis especialistas que avaliaram o processo da Bayer.

O geneticista Paulo Kageyama, membro indicado pelo Ministério do Meio Ambiente, apontou falhas nas exigências para o controle do chamado fluxo gênico entre espécies transgênicas e variedades convencionais. Também alertou para o perigo de contaminação de sementes crioulas plantadas por pequenos produtores. "Não levaram em conta minhas sugestões. Aqui, só interessa aprovar rápido", disse.

O presidente da CTNBio rebateu as afirmações de Kageyama. "Ao contrário, ainda há lentidão. Esse algodão estava há quatro anos na fila. Todas as medidas de precaução foram tomadas", disse. "O que aprovamos é, na verdade, um avô dos algodões. Em outros países, já existe a variedade "flex", mais avançada, resistente a insetos e tolerante a herbicidas".

A manifestação de Kageyama causou desconforto no plenário da comissão técnica. Alguns membros lembraram a atuação do polêmico ex-representante do Ministério do Meio Ambiente, o geneticista Rubens Nodari. Espécie de "porta-voz" dos cientistas adversários das aprovações de transgênicos, Nodari teve vetada sua recondução ao colegiado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

As razões do veto, ocorrido em meio à saída da então ministra Marina Silva do cargo, ainda não foram esclarecidas.

A lei diz que cabe a Rezende nomear os membros da CTNBio, mas sob indicação dos respectivos ministérios. Walter Colli deu ontem uma justificativa: "O ministro não me perguntou sobre isso. Mas ele escreveu à ministra Marina que teve vários constrangimentos pessoais com Nodari e pediu outros nomes", afirmou. "O Nodari tinha posição cautelosa e conseguia reunir opiniões de uma minoria. Não lamento nem fico alegre", disse Colli.

O último produto transgênico aprovado pela CTNBio havia sido o milho "Bt 11", da Syngenta, em setembro de 2007. Antes, foram liberados o milho "Liberty Link" (maio), da Bayer, e o milho "Guardian" (agosto), da Monsanto. O primeiro transgênico aprovado no país foi a soja "Roundup Ready", da Monsanto, em 1998.

Nas próximas reuniões, a comissão avaliará as aprovações do arroz "Liberty Link" (Bayer), milho e algodão Roundup Ready (Monsanto), milho "GA21" e resistente a insetos (Syngenta), algodão (Dow), milho "Herculex" (Du Pont), algodão "Bollgard 2" (Monsanto) e da soja tolerante a glufosinato de amônio (Bayer).

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