Soja transgênica perde atratividade no Brasil*

Pela primeira vez, os produtores de soja convencional tiveram mais rentabilidade do que os de soja transgênica. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) revelou que, este ano, a comercialização da saca de soja convencional deverá render ao produtor R$ 0,27 a mais do que a da convencional no Mato Grosso. A explicação para a inversão é o aumento de 46,2% no preço do glifosato, principal herbicida utilizado na cultura.

De acordo com a CNA, o aumento de preço é conseqüência do direito antidumping que o governo decidiu aplicar neste ano sobre as importações de glifosato da China. A Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para a importação do herbicida é de 12%, mas o governo aplicou mais uma sobretaxa de 35,8%. O direito de dumping é concedido a empresas nacionais depois que o governo consegue comprovar, por meio de investigação, que o produto que entra no mercado brasileiro custa menos do que no próprio mercado de origem.

No Brasil, a Monsanto é praticamente a única empresa a comercializar o glifosato, com cerca de 90% do mercado. De acordo com a CNA, na Argentina, o produto custa entre US$ 2 e US$ 2,50 o litro, mas no Brasil, embora comercializado pela mesma empresa, chega a US$ 5 o litro. Por isso, os produtores preferem importá-lo.

- Apesar do aumento do custo, vamos insistir na produção do transgênico. Não podemos perder este mercado, porque há oportunidades para os dois produtos - disse Fábio de Sá Meirelles, da CNA.

No caso das plantações de soja transgênica, o controle das plantas daninhas é feito com duas aplicações de glifosato, enquanto na cultura
convencional é necessário apenas uma aplicação.

- Com o aumento do preço, o custo de produção ficou extremamente alto - disse Meirelles.

O preço do litro do glifosato no Mato Grosso passou de de R$ 8 para R$ 11,63 o litro na safra 2007/2008, o que gerou uma acréscimo de 23% nas despesas em lavouras transgênicas e de 14,3% nas convencionais. O resultado foi um aumento de 7,5% no custo operacional da soja geneticamente modificada e de 3,8% no da convencional.

Fonte: Jornal do Brasi19/12/2007 escrito por Cláudia Dianni Viviane Monteiro

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