Contaminação transgênica na Espanha: um alerta para a Europa

O aumento exponencial dos cultivos de milho transgênico na Espanha está causando uma contaminação massiva das lavouras convencionais e orgânicas e já ameaça o sustento dos agricultores do país, afirma novo relatório do Greenpeace, “Coexistência Impossível”, que estudou a viabilidade da coexistência entre cultivos transgênicos e não transgênicos durante sete anos naquele país.

Segundo o relatório, o cultivo de milho transgênico na Espanha – o único país da União Européia que permite esse tipo de plantio em larga escala – estão arruinando a biodiversidade agrícola e deixando o consumidor sem escolha. O documento foi lançado nesta terça-feira em Viena (Áustria), na abertura de reunião da Comissão Européia que discute a futura política do bloco econômico para a coexistência da agricultura convencional e do plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs).

Realizado em conjunto com a organização de agricultores Assemblea Pagesa e o grupo da sociedade civil Plataforma Trangènics Fora!, o relatório fez testes de laboratório com amostras retiradas de campos de milho de 40 agricultores orgânicos e convencionais, e comprovou a contaminação não intencional com OGMs em quase um quarto dos casos. O nível de contaminação em algumas amostras chegou a 12,6%.

Em três casos, a contaminação ocorreu em variedades locais de milho, também conhecidas como sementes crioulas, selecionadas durante anos, que não podem mais ser usadas para plantio futuro. As contaminações ocasionaram prejuízos econômicos sérios para os agricultores, que não puderam mais vender seu produto com o prêmio pago a produtos convencionais e orgânicos.

“Esse relatório é um alerta para a Europa sobre os perigos da produção transgênica,” disse Geert Ritsema, coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace Internacional. “Apesar da garantia do governo espanhol de que restrições e controles iriam garantir a segurança e a escolha de consumidores e agricultores, na realidade isso não aconteceu”, afirmou.

Segundo testemunhos de agricultores espanhóis, a indústria de transgênicos representa agora a maior ameaça ao seu sustento, especialmente nas regiões de Aragón e da Catalunha, onde o milho transgênico é cultivado em grande escala.

“A falta de regulamentação na Espanha é um tapa na cara dos agricultores orgânicos e convencionais que têm dado sangue, suor e lágrimas aos seus negócios e agora vêem os interesses de grandes empresas de biotecnologia, como Syngenta e Monsanto, serem colocados acima das comunidades locais e arruinando seu sustento”, disse Antonio Ruiz, presidente do Comitê de Agricultores de Orgânicos de Aragón, que esteve na entrevista coletiva do Greenpeace em Viena.

O Greenpeace exige que as autoridades espanholas suspendam imediatamente o cultivo de milho transgênico no país e que a União Européia e a Comissão Européia determinem o fim do cultivo transgênico nos outros países do bloco. “A experiência espanhola mostra que a coexistência de transgênicos e não-transgênicos é uma mentira, e os ministros europeus devem levar isso em conta”, disse Ritsema.

Leia na íntegra o relatório em inglês “Coexistência Impossível (sete anos de transgênicos contaminaram milho convencional e orgânico: uma análise dos casos da Catalunha e de Aragón)” no endereço: www.greenpeace.org/international/press/reports/impossible-coexistence

 

Fonte: Greenpeace Brasil, 04-04-2006 - São Paulo

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