Cooperativas de Dourados atrás de soja transgênica

LOTES EXAMINADOS – Até agora, não foram encontrados grãos geneticamente modificados, mas disposição é fiscalizar até receberem últimos carregamentos

Cícero Faria

As duas cooperativas agrícolas que operam em Dourados estão fazendo nesta safra o teste para detectar se a soja que estão recebendo em seus armazéns é transgênica. Por enquanto, nenhum lote foi identificado nesta condição.

Como os organismos geneticamente modificados (OGM) continuam proibidos oficialmente no País, a Cooagri e a Copacentro estão se prevenindo, porque há informações não-oficiais de que 20% da produção seriam transgênicos no Estado. No Rio Grande do Sul, 60 a 70% de lavouras seriam de OGM.

O agrônomo Maurício Peralta, gerente de Desenvolvimento da Cooagri, lembrou que as importadoras dão preferência à soja convencional, havendo até um prêmio pelo produto. Mas esse bônus não acaba chegando ao agricultor, sendo pago pelo comprador norte-americano ou europeu no momento da venda nas bolsas de mercadoria.

A Cooagri realizou os primeiros testes na safra de 2000, numa parceria com o Iagro, retomando esse programa de rastreabilidade na atual safra. O investimento não é barato: o kit para 100 testes custa US$ 400, equivalente a R$ 0,15 por saca testada, disse Peralta.

Amostra da soja

Antes de ser desembarcada no armazém, é retirada e triturada num liquidificador com água. Parte da pasta resultante é colocada num pequeno tubo de teste, sobre a qual é pingado um corante. Em cinco minutos sai o resultado: se a coloração ficar rosada é porque a soja é transgênica, "mesmo que exista apenas um ou dois grãos", disse o agrônomo. Caso contrário, não é.

A Cooagri possui 17 unidades em Mato Grosso do Sul e espera receber 10 milhões de sacas de soja este ano; até o momento foram desembarcados 5,3 milhões e em todos os locais são feitos os testes. Visualmente, não há diferença entre as plantas ou grãos transgênicos ou convencionais.

Peralta citou que esse cuidado das cooperativas está privilegiando a soja para exportação oriunda do Centro-Oeste. Tanto que a produção gaúcha da oleaginosa está encalhada porque a preferência neste momento é pela soja não-transgênica. "Os chineses, por exemplo, deram prazo até maio para que o Brasil resolva a questão dos transgênicos (liberação do plantio ou não), porque eles querem comprar soja convencional aqui", acrescentou.

fonte: Correio do Estado, Campo Grande, MS - Segunda-feira, 24 de Março de 2003

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