Boff alerta para conseqüências do consumo de alimento transgênico

Alessandra Bastos, Repórter da Agência Brasil

Brasília - O consumo de alimentos transgênicos pode levar ao desenvolvimento de novas doenças na humanidade, como o vírus da Aids. O alerta é do teólogo e filósofo Leonardo Boff, que fez palestra na noite de ontem sobre "Ecologia e Política no Brasil", no Teatro da Caixa Econômica Federal. Segundo Boff, "a gente não sabe as conseqüências disso; os países mais sérios não querem saber de transgênicos: é o caso da China, que com sua sabedoria milenar, está rejeitando".

Defensor dos direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel Alternativo em Estocolmo, em 2001, pelos trabalhos na área, ele explica que os elementos têm uma ordem: "Se você modifica, de repente, a orelha nasce nas costas e uma mão fica com oito dedos". Para exemplificar, Boff compara o consumo atual dos transgênicos com o uso de medicamentos. "Se invento um remédio, é preciso testá-lo por vários anos. Ele pode matar pessoas, então é preciso testar de mil maneiras para depois liberar. Assim são os transgênicos. E nós não temos o tempo suficiente".

Escritor de "Ecologia: Grito dos Pobres", entre seus 60 títulos, Boff lembrou que a ciência ainda não sabe, ao certo, como as novas bactérias que surgem com os transgênicos se combinam com as colônias de bactérias que estão dentro dos seres humanos. "Cada centímetro quadrado do nosso estômago tem dez bilhões de bactérias - na região do ânus, são 30 bilhões por centímetro quadrado. Todas funcionam sincronicamente. Se uma fica louca, pode trazer uma doença que nos mata. É o que se suspeita da Aids: uma bactéria que está há milhões de anos em nós, enlouqueceu e começou a comer o núcleo das outras."

A tecnologia trouxe ao homem o poder de mudar geneticamente os seres vivos, porém "onde há poder é necessário que haja responsabilidade", afirma o filósofo. "O Estado tem que ser ético: se não tem certeza, não deve usar, mesmo que isso irrite seus empresários ou os agricultores. Esse é o princípio da responsabilidade", propôs Leonardo Boff.

fonte: Agência Brasil, 02/06/2004, 11:52

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