Teste de transgênicos é falho no Brasil*

 

 

Testes internacionais comprovaram que mortadela da Perdigão possui 12% de soja transgênica enquanto laboratório nacional nada constatou

2.7.2002 - São Paulo (SP) - A constatação foi feita pelo Greenpeace, após ter testado o produto Mortadela Bolognella, da marca Perdigão, em 3 laboratórios diferentes. Enquanto o laboratório brasileiro Transigência Biotecnologia, de Belo Horizonte, não detectou a presença de soja transgênica no produto examinado, os testes realizados nos laboratórios Interlabor Belp Ag da Suíça, e no laboratório DNA chips de Hong Kong (1), apresentaram resultado positivo, apontando a contaminação de 12% de soja transgênica Roundup Ready no produto (2).

"Se o Brasil ainda não está capacitado para realizar testes de organismos geneticamente modificados, como será possível liberar os transgênicos no país? Testes falhos dificultarão a rotulagem de produtos transgênicos sem garantir o direito a informação ao consumidor", questiona Mariana Paoli coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
Diferentes setores da indústria de alimentos e exportadores de soja vem demonstrando uma preocupação cada vez maior em garantir um produto livre de transgênicos, que não traga riscos a saúde e o meio ambiente. Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos
no Brasil por uma sentença judicial (3), a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização tornam a contaminação de transgênicos no país um fato. A existência de plantios ilegais tem
aumentado a oferta de novos laboratórios especializados, sem que exista ainda uma fiscalização adequada e a padronização de metodologias para testes de DNA.

O Greenpeace está encaminhando os laudos dos três laboratórios à Gerência Geral de Laboratórios de Saúde Pública, pertencente a ANVISA (Agência Nacional da Vigilância Sanitária) e a Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais, esperando que sejam tomadas as devidas providências.

"Além do questionamento sobre a competência técnica deste laboratório, este resultado aponta que a Perdigão ainda não foi capaz de garantir a aquisição de matéria-prima livre de transgênicos. Até que esta empresa adote medidas de controle eficientes, ela continuará na lista vermelha do Guia do Consumidor sobre transgênicos do Greenpeace (4)", acrescenta Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha.

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Notas:

(1) O laboratório DNA chips foi considerado o melhor do mundo por um levantamento realizado pelo Central Science Laboratory de York, a pedido do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimento da Inglaterra, que pesquisou 66 laboratórios internacionais.

(2) Os três laboratórios testaram amostras do mesmo lote da mortadela Bolognella da Perdigão, identificado pela data de fabricação 20/12/01 e validade 20/03/02. Veja os laudos completos:
http://www.greenpeace.org.br/transgênicos/pdf/laudos_20020207.pdf

(3) O juiz Antônio Prudente, da 6ª Vara da Justiça Federal (DF), deferiu, em 27 de junho de 2000, sentença proibindo a comercialização da soja transgênica da Monsanto sem a realização do EIA/RIMA. A exigência de estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA) é garantida pela Constituição Federal e pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

(4) O Guia do Consumidor está disponível para download:
http://www.greenpeace.org.br/transgênicos/consumidores/home/guia.asp

*Extraído de http://www.greenpeace.org.br/noticias.asp?noticiaid=313



Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Cardoso e L&C Soluções Socioambientais.

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