Transgênicos - Organismos Geneticamente Modificados


Apreendido lote de soja transgênica no PR

Evandro Fadel
 
Curitiba - O Ministério da Agricultura confirmou a apreensão de um lote de soja transgênica em Vera Cruz do Oeste, a cerca de 600 quilômetros de Curitiba, no oeste do Paraná. Cem sacas de 60 quilos tinham sido recolhidas havia uma semana, depois de denúncias à Secretaria de Estado da Agricultura. Os exames feitos no laboratório do Serviço de Sanidade Vegetal 
da Delegacia Federal da Agricultura mostraram que as sementes são geneticamente modificadas.

As sementes estavam em um armazém do produtor e agrônomo Décio Tomazinho Filho, que responderá a processo administrativo instaurado pela Delegacia do Ministério da Agricultura. Ele pode receber multa de até R$ 15 mil. Também foi encaminhado à Polícia Federal pedido para abertura de processo criminal para saber a origem do produto. Caso tenha sido contrabandeado, o proprietário pode ser condenado a pena de três a seis anos de prisão.

As sementes são do tipo Roundup Ready e seriam utilizadas para o plantio da safra 2000/2001. O Ministério da Agricultura já está fazendo o processo de isolamento do produto no próprio barracão onde está armazenado. Todos os equipamentos que tiveram contato com a soja foram submetidos a limpeza com jatos de gás carbônico. Este foi o primeiro caso de apreensão de produtos transgênicos no Paraná.
 
Agência Estado. Quinta-feira, 07 de setembro de 2000 - 16h31

Representante da Monsanto deixa a CTNBio

Mauro Zanatta | De Brasília
 
O representante da multinacional americana Monsanto na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Geraldo Ubirajara Berger, pediu desligamento do cargo na semana passada. A solicitação causou surpresa no setor de biotecnologia. Os comentários no mercado eram de que o afastamento de Berger fazia parte da estratégia de "recolhimento" da multinacional. O objetivo seria tirar a empresa da polêmica em torno de sua "influência na 
comissão e excessiva exposição na mídia", segundo fontes do setor.

A empresa nega a estratégia. Belmiro Ribeiro, diretor de comunicação da Monsanto, afirmou, por meio de sua assessoria, que a iniciativa do funcionário foi pessoal. O próprio Berger endossa esta versão. "Foi uma decisão pessoal minha, que não tem nada a ver com uma saída da Monsanto", afirma ele.

"Quem está falando isso, com certeza tem interesses tendenciosos". De acordo com ele, a Monsanto continuará representada no comissão por meio do titular Joaquim Machado, chefe de projetos especiais em biotecnologia da multinacional Novartis Seeds, com sede na Suíça.

A secretária-executiva da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Lucia Fernandes Aleixo, confirma o desligamento de Berger e reforça que sua saída deve-se estritamente a uma questão de ordem pessoal.

"Recebemos a carta há alguns dias, mas a iniciativa é dele e não da Monsanto", declara Aleixo. De acordo com ela, Berger representa todas as empresas de biotecnologia que atuam no país, e não apenas a Monsanto. "Ele diz que houve uma reestruturação dentro da Monsanto, que foi remanejado para outra área e que, por isso, solicitou seu desligamento", afirma Lucia 
Aleixo.

Engenheiro agrônomo, doutor em genética pela Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, Geraldo Ubirajara Berger, gerente técnico de biotecnologia da Monsanto, passará agora a ser o principal executivo de pesquisas com soja da multinacional em todo o Brasil.

Berger é o autor da polêmica proposta de permitir o plantio experimental de transgênicos em áreas sem o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) - que é a garantia de que as empresas seguem as normas estabelecidas na Lei de Biossegurança do país, de 1995.

No mês de julho do ano passado, Berger apresentou a proposta que poderia permitir às empresas de biotecnologia realizar experimentos em larga escala e ter estoques suficientes para colocar as sementes no mercado brasileiro assim que for decidida a briga judicial em torno da liberação comercial da soja geneticamente modificada "Roundup Ready", produzida pela Monsanto.
 
Valor - Nº 91, Quarta-feira, 06|9|2000

CTNBIO decidirá sobre importação de milho

Mauro Zanatta | De Brasília
 
Pressionado com a ameaça de volta da inflação puxada pelo desabastecimento de milho nas principais agroindústrias do país, o governo decidiu editar uma Medida Provisória para autorizar a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a decidir sobre as importações de produtos agrícolas geneticamente modificados.

A Casa Civil da Presidência tem quase pronta uma MP para esclarecer os pontos da Lei de Biossegurança considerados obscuros. Entre esses pontos, está quem pode autorizar a importação. Hoje, não existe uma definição clara sobre qual órgão do governo tem poder sobre isso.

A falta de milho no mercado interno, causada pelas secas que quebraram a safra de inverno e as restrições judiciais para a importação de transgênicos, foi determinante para essa decisão.

O governo decidiu ainda vender um estoque de 350 mil toneladas de milho para pequenos produtores nas chamadas "vendas de balcão". Além disso, a quota individual desses agricultores deve passar de 15 para 30 toneladas mensais.

Reunido com representantes de oito secretarias estaduais de Agricultura, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, alertou para os riscos de desabastecimento de milho no mercado interno e para as chances de aumentos generalizados de preços até o final deste ano. "As grandes indústrias vão às compras agora em outubro 
para garantir suas posições para o fim do ano e até janeiro. Isso deve pressionar ainda mais os preços do milho", admitiu. Hoje, a saca do produto é vendida a até R 15, segundo ele. "E pode subir ainda mais se não normalizarmos as importações de milho", disse.
 
Valor, Nº 91, Quarta-feira, 06|9|2000

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