Intoxicacão por agrotóxicos é alta entre trabalhadores
rurais no RS
Data: 30/12/2004
Pesquisa mostra que 12% dos agricultores já foram intoxicados por pesticidas
e que mais de um terço não faz uso de equipamentos de proteção
individual.
A utilização de agrotóxicos na agricultura sempre gera
polêmicas e tem sido apontada como um dos principais meios de intoxicações,
que representam atualmente um grave problema de saúde pública.
Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas
relativos a 2000 mostram que os pesticidas de uso agrícola foram responsáveis
por 7,0% das intoxicações e 37,0% dos óbitos por intoxicações
no Brasil. E a venda do produto não pára de crescer. Entre 1997
e 2000 houve um aumento médio de 18,0% nas vendas de agrotóxicos.
Os trabalhadores rurais são os principais envolvidos em acidentes e,
mesmo assim, são poucos os que utilizam equipamentos de proteção
individual. Essa é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores
da Universidade Federal de Pelotas.
A pesquisa foi desenvolvida entre os trabalhadores rurais dos municípios
de Antônio Prado e Ipê, na Serra Gaúcha, e todos os dados
foram obtidos com base em informações fornecidas pelos trabalhadores,
entrevistados durante o verão de 1996. De acordo com artigo publicado
na edição de setembro/outubro de 2004 dos Cadernos de Saúde
Pública, foram entrevistados, em 495 unidades produtivas, 1.479 trabalhadores
rurais com, em média, 42 anos de idade e 4,6 de escolaridade.
Segundo os pesquisadores, dentre os estabelecimentos, 95,0% informaram usar
algum tipo de agrotóxico e 73,0% faziam uso regular e intensivo de agrotóxicos
na agricultura. Em relação aos trabalhadores, 75,0% relataram
trabalhar regularmente com agrotóxicos. Eles verificaram que quanto maiores
a jornada de trabalho agrícola e a renda da produção, maior
a exposição aos agrotóxicos.
No que se refere à utilização de equipamentos de proteção
individual, a equipe verificou que mais de 35% dos trabalhadores nunca haviam
usado luvas, máscaras ou roupas de proteção. E o problema
se agravava ainda mais entre os de menor nível de escolaridade.
Os pesquisadores constataram ainda que 2,0% dos 1.105 agricultores que trabalhavam
com agrotóxicos tiveram intoxicações por estes produtos
num período de 12 meses e que 12,0% relataram pelo menos um episódio
de intoxicação ao longo de sua vida. No entanto, apenas 20% dessas
intoxicações foram consideradas graves, sendo necessário
buscar assistência hospitalar. Eles observaram também que 96% dos
casos foram subnotificados e que os produtos responsáveis pelo maior
número de ocorrências foram os fungicidas.
Dessa forma, a equipe alerta para a necessidade de um planejamento das atividades
das entidades responsáveis pela proteção da saúde
dos agricultores que vise à prevenção de novos casos de
intoxicação por estes produtos: "também é importante
apoiar a busca de novo modelo de produção agrícola, reduzindo
a exposição química e melhorando a qualidade da vida durante
o trabalho".
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