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SISTEMAS AGROFLORESTAIS NA CAATINGA – AGROECOLOGIA VERSUS DESERTIFICAÇÃO


Por João Ambrósio de Araújo Filho*


Ao iniciar a ocupação da caatinga no início do século XVII, o homem branco trouxe consigo a intensificação dos desmatamentos e das queimadas, práticas desde então predominantes na agricultura de subsistência. E ao longo de um período de mais de 370 anos, imensas áreas foram desmatadas e queimadas em um processo extrativista e predatório que resultou no mosaico de fases do processo de sucessão da vegetação da caatinga atual. É, pois, mínima a área de vegetação original ainda existente na maioria dos estados nordestinos e cresce dia a dia a predomínio dos estádios pioneiros da vegetação sucessional, em uma clara indicação de que os processos de desertificação estão em marcha.

Por outro lado, na estrutura fundiária dos sertões nordestinos coexistem os dois extremos de sua perversidade: de um lado o latifúndio improdutivo, do outro o minifúndio degradado e em decadência produtiva. O segundo caso, embora abarque a vasta maioria dos produtores, cobre baixo percentual das terras. Ele detém o grosso dos rebanhos bovino, ovino e caprino e é responsável direto por cerca de 60% da produção do que colocamos em nossa mesa. Porém, a necessidade de produzir o seu sustento leva esses agricultores a explorar sistemas de produção que pressionam os recursos naturais renováveis além de sua tolerância ecológica, induzindo assim processos degradativos dos ecossistemas da caatinga, com perdas da solo pela erosão, da biodiversidade da fauna e da flora pelo extrativismo predatório e declínio da produção agrícola e pastoril a níveis incompatíveis com a geração de uma renda sustentável. Os dados atuais, em condições favoráveis de chuvas, são de 400 kg de grãos 2,8 kg de carne e 3,5 estéreos de madeira por hectare e por ano!

Configura-se, pois um quadro de urgência da busca de alternativas de sistemas de produção que respondam pelo incremento da renda e pela redução dos processos degradativos e recuperação dos ecossistemas. Neste contexto, a exemplo do vem ocorrendo em outras partes do mundo com problemas idênticos, a opção pelos sistemas de produção agroflorestais apresenta-se como, possivelmente, a melhor alternativa. Esses sistemas agrícolas baseiam-se no uso de processos de produção de baixo impacto e que modelam o campo de produção agrícola nos moldes dos ecossistemas naturais, no que tange à manutenção dos ciclos geobioquímicos fechados, preservando as árvores, como garantia da circulação de nutrientes e reduzindo ao máximo a dependência de insumos externos, ou seja, tornando-os sustentáveis.

Diversos modelos estão sendo utilizados, destacando-se os agropastoris, os silvopastoris e os agrossilvipastoris. Os primeiros combinam a exploração de culturas anuais ou de subsistência com a pecuária. Para tanto, uma leguminosa forrageira, de preferência perene, é plantada com as culturas. Seu papel é fornecer adubação verde no período das chuvas e ser utilizada na alimentação do rebanho na época seca. Este, utilizará a área como banco de proteína, aproveitando os restolhos culturais e a leguminosa como banco de proteína, no período de escassez alimentar. Vale frisar que todo o esterco recolhido nos apriscos deverá ser incorporado na área agrícola para garantir a manutenção da fertilidade do solo e permitir a fixação da agricultura.

Os sistemas silvopastoris, por seu turno, combinam a exploração pastoril, com a madeireira, utilizando muitas vezes espécies arbóreas com duplo propósito, isto é, produção de madeira e de forragem. Outrossim, a sombra das árvores para o conforto animal e o papel dessas na circulação de nutrientes constituem vantagens a ser incrementadas. O uso de herbívoros em pomares para controle de ervas daninhas constitui um exemplo desse sistema de produção. Por outro lado, o pastoreio dos rebanhos em caatinga manipulada ou não, constitui também exemplo de sistemas silvopastoris.

Já os sistemas agrossilvipastoris combinam as três modalidades de exploração, ou seja, a agrícola a madeireira e a pastoril integradamente. Este é o modelo predominante na maioria das fazendas do semi-árido nordestino, embora não haja integração entre os componente e sejam usadas, quase sempre, tecnologias predatórias.

No sistema de produção agrossilvipastoril a unidade produtiva consta de três parcelas: uma para a agricultura, outra para a pecuária e uma terceira para a exploração madeireira, tendo o animal como o principal redistribuidor de nutrientes entre os componentes do conjunto. Assim, ao se utilizar na área agrícola o esterco dos animais mantidos nas parcela pastoril e florestal do conjunto, estamos trazendo nutrientes daquelas para essa parcela. Já, ao suplementarmos o rebanho com restolho cultural ou grãos e feno produzidos na parcela agrícola, estamos transferindo nutrientes para as áreas de manutenção dos animais, quais sejam os lotes pastoril e florestal.

Nas regiões tropicais, como a nossa, a mineralização da matéria orgânica dá-se muito rapidamente, o que exige um aporte contínuo. Daí porque a circulação de nutrientes é de extrema importância para a manutenção da fertilidade dos solos tropicais. Os sistemas de produção agroflorestais por causa da demanda mínima de insumos externos, pelo seu baixo impacto no funcionamento dos ecossistemas naturais, são naturalmente sustentáveis, de adequada resiliência, portanto, resistentes 'a seca, e de elevada produtividade. Além disso permitem a fixação da agricultura. Assim, constituem, certamente, as melhores alternativas de substituição para as práticas da agricultura migratória dos desmatamentos e das queimadas.

Pesquisador da Embrapa Caprinos, Caixa Postal D 10, CEP 62011-970, Sobral/CE, e-mail: ambrosio@cnpc.embrapa.br.
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