Consumidor urbano deve saber de sua ligação com a devastação das florestas

Edifícios, automóveis, poluição. O dia-a-dia das grandes cidades do Brasil e do mundo pouco tem em comum com a devastação das florestas. Mudar essa visão - equivocada - é um dos maiores desafios na busca da sustentabilidade e na promoção do consumo consciente.

"A maior dificuldade na conscientização do consumidor é transmitir a visão sistêmica da questão. O cidadão urbano deve entender que o crescimento da cidade, do jeito que é hoje, é feito às custas da devastação do meio ambiente. E que de suas escolhas depende, de fato, a preservação das florestas e dos outros recursos naturais", diz a educadora e consultora do Instituto Akatu Maluh Barciotte.

Maluh é um dos palestrantes do módulo "Compras Responsáveis", do Fórum de Mercado 2006, que acontece de 18 a 20 de abril, em São Paulo. O evento corre paralelo à II Feira Brasil Certificado, organizada pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), entidade que define as regras para obtenção do selo de certificação florestal de maior aceitação no mercado mundial.

O consumo de produtos que usam matéria-prima florestal extraída de forma insustentável é um dos principais responsáveis pela derrubada de áreas de floresta nativa no Brasil. Mais de 64% da madeira amazônica, por exemplo, é consumida pelos próprios brasileiros, sendo que o Estado de São Paulo entra com cerca de 15% de todo esse volume (dados do Mercado Floresta).

A partir da conscientização sobre o impacto de suas escolhas, o consumidor encontra na certificação florestal um caminho de equilíbrio entre o bem-estar do indivíduo, as necessidades da sociedade e a preservação do meio ambiente. A certificação estabalece critérios de manejo das matas que garantem uma exploração sustentável das florestas. Ao comprar um produto certificado, portanto, o consumidor está exercendo seu poder de escolha e incentivando que cada vez mais empresas apostem em produtos ambientalmente corretos e baseiem sua cadeia produtiva em posturas socialmente responsáveis.

Segundo Estevão Braga, engenheiro florestal da WWF Brasil, "chegou o momento de o mercado exigir das empresas posturas social e ambientalmente corretas". Ele cita o exemplo dos "green building" nos EUA, construções feitas com 100% de materiais certificados e que formam o segmento da construção civil que mais cresce naquele país.

O mercado de produtos florestais certificados ainda é incipiente no Brasil, mas aumenta como uma bem-vinda reação à crescente devastação dos principais ecossistemas do País, como a Amazônia e a Mata Atlântica. Há no mercado 247 linhas de produtos com o selo FSC. São produtos como material de construção, móveis, objetos de decoração, utensílios domésticos, brindes, cosméticos, material escolar e de escritório, além de livros e até alimentos, com a garantia de origem ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.

"A grande inovação da II Feira Brasil certificado é a quantidade de produtos e empreendimentos florestais que vamos expor. Isso é ótimo para que o consumidor veja que tem opção de comprar com o mínimo de impacto", afirma Luis Fernando Guedes Pinto, secretário-executivo da Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), um dos organizadores do evento.

Um dos expositores será o Banco Real ABN AMRO - parceiro pioneiro do Instituto Akatu. Com uma política de financiamentos socioambientais, que possuem taxas e prazos diferenciados, o estande do banco terá como destaque a linha de financiamentos para certificação. "Ao reunir desde a indústria de papel e celulose até produtores comunitários, a Feira amplia a conscientização das empresas e consumidores sobre os benefícios de oferecer e adquirir produtos que respeitem o manejo sustentável da floresta", avalia Carlos Nomoto, superintendente da área de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Banco Real ABN AMRO.

Mercado em crescimento

Entre 2004 e 2006, a área florestal certificada pelo FSC internacionalmente passou de 40 milhões de hectares para 68,1 milhões de hectares, o que representa um aumento de 70,25%. Neste período, os países com áreas certificadas passaram de 59 para 66 e o número de florestas certificadas de 600 para 775. No Brasil, o número de florestas certificadas passou de 35 para 64 em dois anos.

Atualmente, o Brasil é o país com o maior número de empreendimentos e com a maior área certificada da América Latina, com 3,5 milhões de hectares certificados até janeiro de 2006, em 17 estados. A Bolívia vem em segundo lugar, com 2 milhões de hectares. Das áreas certificadas pelo FSC no mundo, 55,76% são de florestas naturais, 11,11% são de plantações florestais e 33,14% são áreas de florestas naturais e plantações.

FundoA:gência Envolverde, 20/4/2006

 

 

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