Prefeitura diz que não planta mais o arbusto

 

De origem européia, a espirradeira começou a ser plantada nas ruas do Rio há cerca de 15 anos. Além de lorescer mais de uma vez por ano, o arbusto não afeta a rede elétrica, como ocorre com árvores de grande porte. O paisagista Ronaldo Benevello, da Fundação de Parques e Jardins, garante que a planta não é mais usada em arborização. E garante que as existentes nas ruas estão sendo substituídas.

- A espirradeira sempre foi associada a jardins, mas, nos últimos anos, deixou de ser plantada em ruas. Não pelo grau de toxicidade, mas por não ser nativa. Mesmo assim, ainda pode ser vista - diz Ronaldo.

A ingestão ou contato com a seiva da espirradeira, segundo especialistas, pode causar variados sintomas, como dor, queimação na boca, salivação, náuseas, vômitos, cólicas, diarréia, tonturas e alterações no ritmo cardíaco. Em 27 de setembro de 2000, o jornal "Correio da Bahia" publicou reportagem sobre a morte de uma jovem de 20 anos, em Salvador, após a ingestão do chá da espirradeira. A vítima estava grávida e acreditava que a planta era abortiva.
No estado, 141 casos de intoxicação, em 2003

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), vinculado à Fiocruz, registrou 141 casos de pessoas intoxicadas por plantas no estado em 2003. No país foram 1.955 casos (não há dados sobre os anos seguintes). Segundo Rosany Bochner, pesquisadora do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz, são cerca de 18 plantas que causam as intoxicações, sendo a maioria ornamental, encontrada em jardins, parques e praças.
- Muitas são conhecidas, como a espirradeira, a mamona e a comigo-ninguém-pode. Por crendice, esta última costuma ser plantada dentro de casa. Em geral, as principais vítimas das plantas tóxicas são as crianças de até 5 anos, que acabam levando as folhas à boca - diz a pesquisadora.

Segundo Rosany, um caso de intoxicação deve ser tratado rapidamente. Se uma criança ingerir a planta, o responsável deve lavar bem a boca e procurar socorro médico, de preferência levando a planta para que seja identificada. Deve ainda buscar ajuda no serviço de atendimento nacional do Sinitox - 0800-7226001, que dará as orientações necessárias.

- É importante que não se tente resolver o problema com receitas caseiras, como dar à vítima leite, por exemplo. Em muitos casos, é contra-indicado - acrescenta Rosany.
Há precauções que devem ser tomadas para evitar intoxicações, como nunca preparar remédios ou chás caseiros com plantas desconhecidas, ter cuidado ao podar as plantas que liberam látex e ensinar as crianças a não botar plantas na boca ou usá-las como brinquedo.

Fonte:: Jornal o Globo em 12/03/06

 

 

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