Acre Made in Amazônia Design: economia sustentável com identidade

 

No campo da economia criativa, o governo do Estado desenvolveu nos últimos oito anos projetos em várias áreas. Entre eles, podemos destacar o Acre Made in Amazônia Design, iniciado em 2012.

O projeto buscou como objetivo promover a valorização da identidade cultural e a consolidação da cadeia produtiva do setor moveleiro do Acre, com o aproveitamento da riqueza e a biodiversidade dos recursos naturais da Floresta Amazônica de forma ambiental, econômica e socialmente responsável, combinando estratégias de inovação e competição de mercado.

O Acre Made in Amazônia Design compreendeu três etapas com investimentos no valor de R$ 2,2 milhões, tendo como executores a Secretaria de Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (SEDENS) e o Instituto Dom Moacyr (IDM), em parceria com o Sebrae, Sistema FIEAC e POLI.design, Consórcio do Politécnico de Milão, e consultoria do gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida.

Profissionais nacionais e internacionais foram convidados a participar da iniciativa. Entre eles os designers Emmanuel Gallina e Bernardo Senna e, da Poli.design de Milão, Arturo Dell’Acqua Bellavitis, Giuliano Simonelli, Eugenia Chiara, Valentina Auricchio e Roberto Galisai, além do técnico italiano Sergio Frison, que desenvolve produtos para importantes marcas europeias.

O projeto envolveu a participação de 20 empresas do setor moveleiro, cinco pesquisadores, dez linhas de móveis e o desenvolvimento de 29 produtos.

Para o empresário Augusto Nepomuceno o Acre Made in Amazônia foi um passo importante para o setor. “Com o projeto aprimoramos o nosso design e buscamos tecnologia para apresentar aos nossos clientes”.

Primeira etapa

Com investimentos no valor de R$ 515 mil, a primeira etapa promoveu a capacitação de empresários, artesãos e profissionais locais. Foram desenvolvidas as coleções de móveis em madeira maciça e pequenos  envolvendo a cadeia produtiva local.

“Dessa troca de experiência entre os locais e os profissionais do setor moveleiro do Acre e de outros lugares do país e do mundo, surgiu a coleção que usa madeiras da região e também símbolos do Acre”, explicou Marlúcia Cândida.

No projeto, os profissionais buscaram valorizar a gramática visual acreana, ou seja, os artesãos e a matéria-prima. Mais do que isso, com o objetivo mudar a visão de valor que os moradores locais têm. O módulo contemplou onze empresas do Polo Moveleiro de Rio Branco.

A etapa envolveu a pesquisa da identidade Acre para subsídio à criação de quatro linhas de mobiliário;  a Formação Inicial Continuada em Design de Móveis, com a certificação de 35 educandos (marceneiros, arquitetos, estudantes de arquitetura e artesãos); dois workshops projetuais, com os designers Bernardo Senna e Emmanuel Gallina. Eles criaram com os estudantes as linhas de mobiliários e pequenos objetos em madeira, com design contemporâneo, mas com uma identidade local; a criação da marca Acre Made in Amazônia e o desenvolvimento de nove linhas de mobiliário e um de pequenos objetos.

Todo o resultado foi mostrado em três exposições, duas delas realizadas em 2013, uma em Rio Branco, no Memorial dos Autonomistas, e a outra no Festival Economia Criativa/ Itália SA na Bienal em São Paulo. E em 2014, no evento Brazil SA, realizado no Palazzo Giureconsulti, em Milão/Itália.

Acre Design – segunda etapa

Nesta etapa, o Acre Design contemplou duas ações. Foi investido o valor de R$ 890 mil.

Por meio de edital, foram selecionadas cinco empresas moveleiras da capital. Elas participaram do desenvolvimento e engenheirização das coleções de móveis e pequenos objetos criados na primeira etapa do projeto.

“Buscamos incrementar de forma estável a qualidade da produção, ajustando-a aos padrões de competitividade em nível nacional. As modificações nas coleções sugeridas e executadas pelo Poli.design proporcionaram maior valor agregado aos móveis em madeira maciça” explicou  Elisângela Rocha, coordenadora do projeto pelo governo do Estado.

Etapa final

Com investimentos no valor de R$ 800 mil, na última etapa do Acre Design foi realizado o aperfeiçoamento da coleção de móveis em madeira maciça da coleção Acre Made In Amazônia com transferência de conhecimento em design, processo produtivo e gestão da comercialização no mercado brasileiro.

As cinco empresas receberam atendimentos e consultorias em logística, posicionamento da marca Acre Made in Amazônia, formação de preço, estrutura, embalagem e definição de Estratégia Premium para valorização dos produtos.

Além disso, foram elaboradas as peças de Publicidade voltadas à comercialização da Coleção de Mobiliários “Acre Made in Amazônia”.

Com a coleção de móveis “Acre Made in Amazônia”  finalizada, o projeto seguiu para a exposição comercial na primeira edição da feira High Design. Neste espaço ocorreu o lançamento da coleção em São Paulo/SP, durante a Design Weekend /DW 2016, no período de 9 a 11 de agosto 2016 no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center.

A coleção Acre, Made Amazônia foi lançada  com a presença do governador Tião Viana, acompanhado da primeira-dama Marlúcia Cândida, gestores de governo, empresários e representantes de instituições que apoiam o setor.

“O resultado é gratificante. O governo com esse projeto deu oportunidades a essas pessoas de pensar numa nova maneira de utilizar a matéria-prima, pensar num futuro aonde o pouco que se pode tirar da floresta vira muito, com um valor agregado porque tem design e assinatura de um artesão e profissional que agora tem uma formação melhor e diploma dessas instituições. Esses profissionais participaram de eventos renomados, focaram conhecidos e hoje fazem negócios em vários mercados do Brasil e outros países. O maior objetivo do governo com esse programa foi de incrementar esse setor e startar o desejo de colocar design nos produtos que já eram elaborados no Acre”, ressaltou Marlúcia.

As linhas de móveis têm nomes bem regionais, ressaltando a tradição e simbologia do Acre: Poronga, Palafita, Yuxin, Cirumim, Rio Acre, Empates, Jiboia e Nido.

Os conceitos dos móveis foram elaborados durante um curso de formação que envolveu estudantes de arquitetura, artistas e marceneiros.

A primeira-dama Marlúcia Cândida foi uma das entusiastas do curso que promovesse a sofisticação aliada ao designer na marcenaria acreana.

Nuances

As coleções apresentam móveis que podem ser utilizados em escritórios, halls de hotéis, casas e ainda, há uma linha de objetos para entreter crianças.

A linha Palafitas apresenta o equilíbrio e desequilíbrio, as peças remetem à vida dos ribeirinhos e fazem lembrar as casas construídas em margens de rios, que têm “pernas” altas para que as moradias não alaguem em períodos de cheia dos rios. Nesta coleção as “pernas” dos móveis foram confeccionadas com dois tipos de madeiras de cores diferentes, uma em tom mais claro e outra em mais escuro. As duas madeiras diferentes simbolizam o nível das águas.

Outra coleção que usou de madeiras em tons diferentes para retratar as peculiaridades do Acre foi a linha “Empates – Duas essências em contraste”. As peças desta linha foram produzidas a partir das madeiras “roxinho” e “cerejeira”, duas madeiras nobres da Amazônia.

Nas peças, as madeiras se encontram nas juntas com detalhes em malhetes. O encontro das madeiras contrastante, tal qual eram os empates (manifestações entre fazendeiros e seringueiros) que ocorriam nos seringais e eram organizados por Chico Mendes.

A coleção de mesas “Rio Acre” traz os contrastes das curvas do rio que corta a capital acreana. As mesas trazem detalhes em madeiras de diversas cores terrosas, lembrando as águas barrentas do Rio Acre.

Os colonizadores do Estado que vieram para povoar a região vindos do Nordeste  brasileiro também foram homenageados por meio da linha Jatobá que apresenta a biodiversidade em madeira. Os diferentes tipos de madeira se entrelaçam nos móveis, como se dançassem ao ritmo do forró, compondo formas diferenciadas. Essa coleção destina-se a hotéis, halls de entrada de espaços públicos.

As luzes da floresta estão representadas na coleção Nido que tem duas luminárias: uma na forma de ninho de pássaro, a outra, foi inspirada na poronga, tipo de lamparina que era utilizada pelos seringueiros para iluminar as caminhadas durante a madrugada, na floresta, na hora da extração do látex da seringueira.

Bernardo Senna falou sobre o papel do designer no projeto como o Acre Made in Amazônia Design.

“Um projeto como esse, o papel do designer não é trazer uma solução já pronta, uma ideia pré-concebida. Ele tem que conhecer se integrar com o contexto local, conhecer as matérias primas, a cultura, todo o processo de trabalho e vivência das pessoas, para a partir daí ele possa desenvolver soluções para os problemas que ele encontra”.

Fonte:Agência Acre de Notícias em 15-11-2018

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