Centro de Tecnologia usa minhocas para avaliar contaminação de solos

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência e Tecnologia, começaram a utilizar minhocas para avaliar o grau de contaminação de solos brasileiros por mercúrio e petróleo. Implantado há seis meses, o Laboratório de Ecotoxicologia Aplicada à Indústria Minero-Metalúrgica já usou minhoca no solo de um garimpo de ouro abandonado no município mineiro de Descoberto, na Zona da Mata.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora do projeto, Silvia Egler, contou que os resultados recém-obtidos mostram que o mercúrio deixado pela mineração em Descoberto não chegou a matar as minhocas, mas provocou mudanças na coloração do invertebrado. Os testes foram realizados em parceria com a Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam/MG).

“A gente chama de efeito sub-letal. O solo está contaminado. Não mata, mas pode causar algum dano”, explicou Egler. Segundo ela, a minhoca passou a ser utilizada na pesquisa por ser considerada um organismo-modelo ou organismo-teste. “Ela tem grande participação na biomassa do solo e é fácil de manter as culturas. É a mesma minhoca usada na produção de húmus (adubo orgânico), que se cria no estrume.”

O Cetem está aberto para fazer estudos de cooperação e firmar parcerias com empresas do setor que estejam interessadas em fornecer amostras do solo para análise. Os pesquisadores começaram com testes nos solos contaminados por mercúrio, mas já estão testando também amostras ambientais de solos contaminados por petróleo.

Esses solos serão fito-remediados, ou seja, serão usadas plantas para tentar retirar das amostras o petróleo, que é um contaminante orgânico e permanece muito tempo no solo. “Na verdade, o que você está tentando solucionar é um passivo da mineração, isto é, deixar um resíduo da mineração que não seja tóxico. Ou seja, você pode utilizar aquele solo depois para outra atividade”, ressaltou Silvia Egler.

O grupo do Cetem vai iniciar agora outro trabalho com contaminação por metal pesado, como chumbo e cádmio. O experimento com minhocas para avaliação dos efeitos da exposição do solo a agentes contaminantes teve seu processo de padronização internacional iniciado a partir de 1983, quando um pesquisador utilizou a minhoca vermelha californiana para testar substâncias de pesticidas para serem colocadas em uso. No ano seguinte, ela foi padronizada para testes de substâncias usadas em solos artificiais, que têm areia, caulim e musgo

Fonte:Agência Brasil

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