Capiberibe aponta êxito de modelo sustentável na Amazônia e pede recursos do FNO

O senador João Capiberibe (PSB-AP) propôs ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que o governo direcione metade dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) para projetos sustentáveis não madeireiros como alternativa de preservação da Amazônia. Ao dar informações sobre a sua sugestão ao ministro, o senador explicou que o governo também deveria desenvolver, com recursos do FNO, um grande programa de financiamento da cadeia produtiva de recursos madeireiros, atividade tradicional da região e que hoje possui tecnologia para manejo racional das florestas, sem depredação do meio ambiente.

Capiberibe exortou os senadores e os brasileiros a pensarem em um modelo de desenvolvimento que ajude a preservar o patrimônio ambiental do país. Ele ilustrou os resultados que podem ser alcançados com a experiência bem-sucedida da empresa de cosméticos e perfumes Natura com os castanheiros da região do Rio Iratapuru, no sul do Amapá. A aquisição pela Natura de castanhas e resinas naturais permitiu, segundo o senador, que os castanheiros da região que viviam em sistema de semi-escravidão (o conhecido barracão) constituíssem cooperativa, cuidando desde a coleta até a industrialização e comercialização do produto.

A Natura, segundo ele, está entrando com suas ações na Bolsa de Valores como uma empresa compromissada com a preservação ambiental.

- É uma experiência emblemática que nos faz refletir sobre o modelo de desenvolvimento do país, com a possibilidade de uso diversificado da floresta sem a necessidade de convertê-la em pastos ou monoculturas agrícolas - ressaltou.

O senador disse que conversou com o ministro Ciro Gomes porque o governo tem diretrizes para o desenvolvimento da Amazônia mas não tem projetos. Capiberibe relatou que o seu alerta ao ministro é para evitar que ocorra na região processo perverso semelhante ao que aconteceu com a Mata Atlântica, onde a floresta foi devastada e ocupada por culturas como o cacau, que acabou por contribuir com uma baixa agregação de valor para o país. Ele lembrou que a tecnologia para o melhor processamento do produto está nas mãos dos suíços e dos belgas, que não produzem um pé de cacau, advertindo com esse exemplo para o risco do país persistir em “exportar natureza e empregos”.

fonte - agência senado em 28/05/2004 - PLENÁRIO

 

 

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