FAO elogia sistemas integrados e rotação nas lavouras na América Latina

Roma, 18 jan (EFE).- Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta usados no Brasil e a prática de podar árvores para fornecer húmus na América Central são duas das práticas sustentáveis destacadas em um livro divulgado nesta segunda-feira pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO).

O livro "Economizar para crescer" destaca o crescimento do uso da rotação de lavouras e pastagens no Brasil e outras regiões da América do Sul, já que o gado bovino é uma importante fonte de rendas para muitos agricultores.

A especialista em gestão de ecossistemas da FAO, Caterina Batello, explicou à Agência Efe que esse sistema aumenta a produção sustentável a longo prazo. "A América Latina tem milhões de hectares de cereais e pastos, mas frequentemente são tratados como monoculturas, o que dificulta o crescimento da produção", explicou.

Para combater a erosão causada pela monocultura intensiva de soja ou os excessos da pecuária tradicional, muitos produtores reagiram adotando a técnica do plantio direto para aumentar a cobertura do solo, além de combinar as lavouras com espécies de foragem, que também servem para recuperar o solo.

Estima-se que os pastos plantados com o gênero Brachiria já ocupam 80 milhões de hectares na América Latina e permitiram aumentar a produtividade dos animais que se alimentam dele.

Outro dos sistemas que a FAO encoraja é o agroflorestal realizado em várias regiões da América Central. Os produtores podam as árvores para fornecer húmus em vez de cortar e queimar a madeira orgânica, motivo de desmatamento e degradação dos solos.

O projeto Quesungual, iniciado em Honduras, foi adaptado para a produção de milho em outros países como El Salvador, Guatemala e Nicarágua. A especialista considera como importante promover sistemas mais complexos que, embora exijam mais máquinas e conhecimentos técnicos, são mais sustentáveis a longo prazo.

"Ter árvores mescladas com as lavouras é muito produtivo em termos de qualidade do solo, resistência à mudança climática e diversificação de receitas", indicou Batello.

Entre as vantagens indicadas no livro, a prática reduz o tempo de preparação da terra, melhora a disponibilidade de água, proporciona madeiras às famílias e aumenta a produtividade com o tempo.

Só o milho, o arroz e o trigo representam 42,5% de todas as calorias consumidas pelos seres humanos. A colheita desses produtos deve ser aperfeiçoada para contribuir ao necessário aumento da produção de alimentos em 60% até 2050, segundo a FAO.

Fonte:Agência EFE em 18/01/2016

 

 

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